
A demanda global por alimentos naturais, rastreáveis e produzidos com práticas sustentáveis vem abrindo espaço para a agricultura familiar brasileira no comércio internacional. Nesse cenário, cooperativas e iniciativas de qualificação têm transformado produtos regionais em itens de exportação, aumentando a renda no campo e agregando valor à produção local.
Um exemplo desse movimento ocorre no Norte de Minas, onde o mel produzido em áreas de transição entre o Cerrado e a Caatinga começa a ganhar destaque fora do Brasil. Com perfil sensorial diferenciado, produção de base artesanal e foco em certificações, o produto vem conquistando compradores em países com alto nível de exigência, especialmente na Europa e no Oriente Médio.
Nos primeiros meses de 2026, produtores da região comemoram a exportação de 42 toneladas para mercados como Suíça, Bélgica e Kuwait. Desde o início das operações internacionais, em 2022, o total comercializado chegou a cerca de 350 toneladas, alcançando Estados Unidos, países da União Europeia e nações do Oriente Médio, segundo dados da Cooperativa dos Apicultores e Agricultores Familiares do Norte de Minas (Coopemapi), que intermedeia as negociações.
Destaque: a combinação entre origem, perfil sensorial e certificações tem impulsionado o mel do Norte de Minas em mercados internacionais que valorizam sustentabilidade e segurança alimentar.
O mel do Norte mineiro se diferencia por ser extraído de uma região de transição ambiental, o que resulta em uma diversidade de floradas e em um sabor característico. Plantas nativas e cultivos presentes na paisagem local, como café, abacate e aroeira, contribuem para méis com notas sensoriais distintas, ampliando a variedade e o potencial de posicionamento do produto.
Além do sabor, a forma de produção — frequentemente próxima do artesanal — tem sido valorizada por consumidores europeus, que buscam produtos com origem comprovada, manejo responsável e atributos ligados à alimentação natural. A tendência de compra também favorece itens com transparência nas etapas de produção e com padrões sanitários e ambientais reconhecidos.
A presença em mercados externos foi impulsionada por iniciativas de apoio técnico e de qualificação. Desde 2016, o Sebrae Minas atua com apicultores da região, oferecendo capacitações, estratégias de acesso a mercados e participação em feiras do setor.
Em 2023, foi iniciado um processo de consultoria especializada em parceria com a Coopemapi. Um mapeamento sobre o comportamento do consumidor europeu identificou oportunidades associadas à busca por méis certificados, direcionados à alimentação saudável e com destaque para propriedades funcionais.
Segundo o analista do Sebrae Minas, Walmath Magalhães, uma missão técnica à Suíça em 2024 ajudou os apicultores a compreender fatores decisivos para competir no exterior, como embalagem e informações nutricionais. Ele observa que a certificação, por si só, não garante aumento automático de vendas, mas pode ser determinante para abrir portas e gerar credibilidade em determinados mercados.
Atualmente, o suporte técnico inclui o avanço para certificações como Naturland e Bio Suisse, consideradas entre os padrões mais rigorosos de agricultura orgânica na Europa. O trabalho envolve orientação para boas práticas de manejo, com foco em uma produção mais limpa, organizada e compatível com os requisitos internacionais.
Para setembro, está prevista uma nova missão técnica, desta vez com destino à Inglaterra e ao norte da Alemanha, ampliando a estratégia de aproximação com compradores e canais especializados.
O avanço das exportações acompanha histórias de crescimento na produção local. O apicultor Gilson Gonçalves Ferreira, de 49 anos, relata que multiplicou sua produção em 15 vezes ao longo de sete anos. Se antes eram cerca de 100 quilos a cada seis meses, hoje sua produção chega a aproximadamente 1,5 mil quilos, com crescimento médio anual de 10%.
Em sua propriedade na zona rural de Bocaiuva, ele trabalha com apoio de três dos quatro filhos. Os apiários também se distribuem em áreas cedidas por parceiros, formando uma rede de colaboração entre produtores — um modelo que ajuda a ampliar capacidade e a distribuir melhor os pontos de coleta. O mel produzido é predominantemente nativo, com destaque para floradas como a de eucalipto.
Para o produtor, a atuação cooperativista tem papel central ao conectar quem produz com os canais de comercialização e com as exigências do mercado externo. A estrutura da cooperativa contribui para organização, padronização e garantia de entrega.
Apesar dos avanços, o setor ainda enfrenta obstáculos para sustentar a expansão internacional. O presidente da Coopemapi, Luciano Fernandes, aponta que o desafio é profissionalizar a atividade e assegurar volume suficiente para atender compradores estrangeiros de forma contínua.
Fatores climáticos adversos podem provocar quebra de safra e redução drástica da produção esperada. Além disso, questões de fluxo de caixa e organização operacional seguem como pontos críticos para garantir regularidade e competitividade.
Em 2026, a Coopemapi completa 10 anos de atuação e reúne cerca de 200 integrantes, com base em Bocaiuva, município com aproximadamente 48 mil habitantes. A cooperativa atribui parte do avanço internacional ao aprendizado obtido em missões técnicas, como a realizada na Suíça em 2024.
Um dos objetivos estratégicos é avançar na exportação de mel processado. Hoje, parte do produto segue embalado com identidade do comprador, ainda que com indicação de origem brasileira e vínculo com a agricultura familiar. A meta é ampliar o valor agregado e fortalecer uma marca com maior visibilidade no exterior.
A estratégia regional também considera o equilíbrio entre exportação e consumo doméstico. A Europa é um dos maiores mercados consumidores de mel do mundo e responde por cerca de 20% do consumo global. O consumo per capita europeu varia de 500 g a 1,2 kg ao ano, patamar muito superior ao registrado no Brasil, que fica entre 60 g e 240 g.
Diante desse cenário, a participação em feiras e eventos no Brasil segue sendo incentivada para fortalecer o varejo e manter presença no mercado nacional, reduzindo riscos e criando alternativas de escoamento da produção.
Origem diferenciada em área de transição entre Cerrado e Caatinga, com floradas diversas.
Perfil sensorial valorizado por consumidores e compradores internacionais.
Apoio técnico e capacitações voltadas a gestão, qualidade e acesso a mercados.
Certificações como requisito de credibilidade em nichos europeus.
Cooperativismo como elo para padronização, volume e logística de exportação.

O solo europeu está a ser consumido mais depressa do que a natureza consegue regenerar. Segundo Eurostat, os ODS 6 (Água Potável e Saneamento) e 15 (Proteger a Vida Terrestre) são os que recuam na União Europeia, devido ao modelo de uso, ocupação e gestão do solo, com impermeabilização e expansão urbana. Entre 2018 e 2021, a ocupação líquida de terras em áreas urbanas aumentou cerca de 32%, e a área de solo selado atingiu 252,1 m2 por habitante em 2021, colocando a UE fora da trajetória de neutralidade de terras até 2050. A agropecuária intensiva agrava o quadro: as remoções líquidas de carbono caíram 39,7% entre 2009 e 2024; populações de aves em zonas agrícolas recuaram 41,2% e borboletas de pastagem 47,4% (1990-2024); apenas 27% das espécies e 15% dos habitats avaliados estão em bom estado. A erosão hídrica afeta....

Em Dallas, durante a Copa do Mundo, surge uma discussão sobre qual carne bovina é superior, Argentina ou Texas (EUA). O Texas lidera a produção de carne bovina nos EUA; os EUA ocupam a segunda posição mundial, atrás do Brasil, enquanto a Argentina aparece em sexto. No lado argentino...

Em termos de exportação, no dia 18 de junho o arroz vietnamita com 5% de grãos quebrados foi cotado entre US$ 405-415 por tonelada, ligeiramente abaixo dos US$ 415-420 da semana anterior. Internacionalmente, Índia e Tailândia veem altas de preços impulsionadas por flutuações cambiais e preocupações climáticas: arroz parboilizado 5% de grãos quebrados na Índia em US$ 337-342/ton e arroz branco 5% a US$ 343-349/ton; arroz tailandês 5% quebrado entre...

A União Europeia ainda não definiu uma data para reabilitar a exportação de carne brasileira, dizendo que depende de fatores como o tempo necessário para implementar novas medidas legislativas e controles, bem como dos ciclos de produção de cada cadeia, para garantir que os animais de origem não tenham recebido antimicrobianos. A diretora Eva Zamora Escribano, da DG Sante, afirmou que é impossível prever a data, e a Comissão Europeia ressaltou que a reabilitação depende desses dois elementos. Enquanto isso, o Brasil não poderá exportar carne para a UE a partir de 3 de setembro, até demonstrar conformidade com as exigências europeias. O ciclo de vida é destacado como essencial para assegurar que os animais de onde se originam os produtos não receberam antimicrobianos, já que o abate precoce atual é de....

O artigo analisa a combinação de fatores que já colocam o agronegócio brasileiro sob pressão e o surgimento de um novo tema: a possibilidade de a China reduzir suas compras do Brasil. O cenário de margens decrescentes, juros elevados, barreiras comerciais, fertilizantes mais caros, inadimplência e o risco do “Super El Niño” se soma à dúvida sobre o tamanho da dependência chinesa de commodities brasileiras. A China sinalizou, em seu....