A colheita de soja nas lavouras brasileiras está progredindo de forma satisfatória e deve resultar na maior safra da história do país, segundo análise da consultoria Safras & Mercado. As primeiras avaliações indicam bons rendimentos, apesar de alguns problemas pontuais, com uma produção total estimada em 179,28 milhões de toneladas, representando um aumento de 4,3% em comparação com a temporada anterior.
A área plantada também apresentou um acréscimo de 1,5%, alcançando 48,33 milhões de hectares, diante de 47,64 milhões no ciclo passado. A produtividade média projetada subiu para 3.728 quilos por hectare em relação aos 3.625 anteriores.
O analista Rafael Silveira, da Safras & Mercado, afirma que o cenário para 2026 é extremamente promissor, com expectativas de mais uma safra recorde. "Esse quadro se tornará mais claro nas próximas semanas, conforme a colheita progride e revela as produtividades efetivas das lavouras", comenta o analista.
O aumento na projeção de safra decorre de melhorias em algumas regiões, com alguns estados do Centro-Oeste, como Minas Gerais, ajustando suas expectativas de produtividade. A safra mineira é estimada em 9,6 milhões de toneladas, potencialmente revisável com o andamento da colheita.
Além disso, o estado de Goiás foi beneficiado por condições climáticas favoráveis entre novembro e dezembro, enquanto em Mato Grosso, as expectativas permanecem estáveis em aproximadamente 49,7 milhões de toneladas. No Paraná, a safra foi positiva, resultando em boas produtividades estimadas em uma média de 62,5 sacas por hectare.
No Nordeste, o plantio enfrentou atrasos e chuvas irregulares, além de temperaturas elevadas, prejudicando as produtividades e reduzindo o potencial produtivo da região. Contudo, o impacto nacional é limitado, e a expectativa para o Brasil como um todo é de uma safra expressiva, com volumes significativos de soja chegando aos armazéns a partir de fevereiro e março.
As exportações de soja, no entanto, devem sofrer uma retração, reduzindo para 105 milhões de toneladas em 2026, ante 108,2 milhões em 2025.
As projeções de esmagamento para 2026 indicam um aumento, com a previsão de 60 milhões de toneladas, contra 58,5 milhões no ano anterior. No entanto, não são esperadas importações em 2026, ao passo que em 2025, estavam previstas 969 mil toneladas.
Para a temporada de 2026, a oferta total de soja deverá crescer 5%, atingindo 183,79 milhões de toneladas. A demanda total, por sua vez, está projetada em 168,42 milhões de toneladas, apresentando uma queda de 1% em relação ao ano anterior. Assim, os estoques finais estão previstos para subir 241%, de 4,51 milhões para 15,37 milhões de toneladas.
Rafael Silveira destaca que o cenário de oferta e demanda em 2026 deverá passar por alterações significativas, principalmente devido ao tamanho da oferta esperada, somada ao aumento na expectativa de processamento. "O crush pode alcançar 60 milhões de toneladas, com produção estimada de 47,4 milhões de toneladas de farelo e 11,7 milhões de toneladas de óleo de soja", comenta.

A preferência chinesa pela soja brasileira é sustentada por uma relação de preços favoráveis, apesar das pressões no mercado interno devido ao câmbio valorizado e avanço da colheita. Segundo Anderson Nacaxe, CEO da Oken.Finance, os preços voltaram a mínimas, aumentando a dependência da demanda externa para o escoamento da produção nacional. O acesso a esse conteúdo é exclusivo para usuários cadastrados no Agrolink.

O IPCA-15 subiu 0,20% em janeiro, ligeiramente inferior à alta de 0,25% em dezembro. Em 12 meses, o índice acumula aumento de 4,50%. Habitação e Transportes caíram, enquanto Saúde e cuidados pessoais lideraram o aumento com alta de 0,81%. Alimentação e bebidas aceleraram, com alta influenciada por tomates e batata-inglesa. Embora passagens aéreas e transporte urbano tenham caído em Transportes, combustíveis subiram 1,25%.

O setor de lácteos da Argentina, em 2025, alcançou seu melhor desempenho externo em 12 anos, graças à modernização da cadeia produtiva e condições de mercado favoráveis. O país exportou 425.042 toneladas de produtos lácteos, gerando US$ 1,69 bilhão, um aumento de 11% em volume e 20% em valor em relação ao ano anterior. O volume exportado representou 27% da produção nacional, que atingiu 11,618 bilhões de litros, o maior da década. O leite em pó integral liderou as exportações, com o Brasil como principal parceiro. A expansão do setor leiteiro integra um crescimento mais amplo do agronegócio argentino.

A soja teve queda nos preços no Paraná e em Paranaguá, com desvalorizações de 1,12% e 2,18%, respectivamente. No interior do Paraná, a saca é cotada a R$ 119,83, enquanto no litoral chega a R$ 124,76. Em contraste, o trigo presenta reajustes para cima, com aumentos de 0,13% no Paraná (R$ 1.176,36 por tonelada) e 0,31% no Rio Grande do Sul (R$ 1.057,34 por tonelada). A padronização da saca em 60 kg facilita a comercialização e monitoramento de preços.

As importações brasileiras de fertilizantes atingiram um recorde histórico de 45,5 milhões de toneladas em 2025, superando o total de 44,28 milhões de toneladas em 2024, conforme o Boletim Logístico divulgado pela Conab. Esse aumento de 2,68% destaca a confiança do setor agrícola no Brasil, com Mato Grosso, Paraná e São Paulo liderando o consumo. O crescimento nas importações apoia o planejamento para expansão da área plantada e melhorias na produtividade, reforçando a robustez da cadeia de suprimentos agrícolas no país.