
Mesmo com a recente valorização do arroz, o mercado no Rio Grande do Sul continua marcado por baixa liquidez e negociações travadas. A avaliação é do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), que aponta a combinação de custos elevados, margens negativas e incertezas sobre medidas de apoio ao setor como fatores que seguem limitando a comercialização.
Na prática, o cenário reflete um impasse entre oferta e demanda: compradores buscam reduzir riscos e custos operacionais, enquanto produtores evitam vender em patamares considerados insuficientes para garantir rentabilidade. O resultado é um fluxo menor de negócios, mesmo em um ambiente de preços mais firmes.
Pelo lado da demanda, parte dos compradores tem priorizado a compra de arroz já disponível nas unidades de beneficiamento. A estratégia, segundo o Cepea, está ligada a dificuldades logísticas e ao aumento de custos no transporte, movimento que ganhou força com a alta do diesel e o encarecimento dos fretes.
Esse comportamento tende a concentrar aquisições em lotes prontos e próximos dos centros de processamento, reduzindo a disposição para operações que dependam de deslocamentos maiores ou de etapas adicionais de armazenamento e manuseio. Com isso, a demanda atua de forma mais seletiva, o que contribui para a baixa liquidez observada no estado.
Do lado da oferta, o movimento predominante é de postura retraída. Produtores têm optado por esperar, buscando condições de comercialização mais favoráveis. De acordo com pesquisadores do Cepea, embora haja valorização recente, os preços atuais ainda não asseguram rentabilidade, especialmente diante do nível de custos da atividade.
A leitura do setor é que o produtor evita aumentar a pressão de venda em um período de mercado sensível, em que qualquer elevação no volume ofertado pode intensificar a disputa por preços e reduzir ainda mais as margens. Esse compasso de espera ajuda a explicar por que a alta de preços não se traduz, necessariamente, em maior volume de negócios.
Em meio a esse ambiente de incerteza e baixa fluidez de negociações, entidades representativas têm ampliado a articulação por medidas de apoio ao setor arrozeiro. Entre as organizações envolvidas estão a Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz) e a Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul).
A preocupação central é criar condições para que a comercialização ocorra com menor pressão, sobretudo em momentos de maior oferta. Para o setor, regras de financiamento e cronogramas de pagamento podem influenciar diretamente a decisão de venda e, consequentemente, o nível de liquidez do mercado.
Um dos principais temas em discussão é o cronograma de pagamento do custeio da safra 2025/26, que atualmente pode ser dividido em até quatro parcelas. Como a primeira parcela coincide com o período de maior oferta, a avaliação das entidades é que o modelo pode aumentar a necessidade de venda em um momento menos favorável, pressionando a comercialização.
A proposta apresentada pelas representações do setor é ampliar o parcelamento para oito meses, com o objetivo de reduzir a pressão sobre o produtor e permitir uma estratégia de venda mais alinhada às condições de mercado. Na prática, a medida buscaria diminuir a urgência de comercialização concentrada em um curto intervalo de tempo.
Liquidez: mesmo com preços em alta, as negociações seguem lentas e seletivas.
Custos e margens: despesas elevadas e rentabilidade insuficiente limitam a disposição de venda.
Logística: diesel e fretes mais caros incentivam compras de arroz já disponível no beneficiamento.
Política setorial: incertezas sobre medidas de apoio aumentam cautela no mercado.
Financiamento: mudanças no parcelamento do custeio podem reduzir a pressão de venda na safra 2025/26.
Fator Efeito no mercado Alta recente nos preços Não foi suficiente para destravar negociações e garantir rentabilidade. Custos elevados Aumentam a cautela e mantêm margens negativas para parte dos produtores. Logística mais cara Leva compradores a priorizarem arroz já disponível no beneficiamento. Oferta retraída Produtores aguardam condições melhores e evitam vender no patamar atual. Discussão sobre custeio 2025/26 Entidades defendem parcelamento maior para reduzir pressão na comercialização.
Com custos ainda altos, logística pressionada e decisões de comercialização condicionadas a incertezas de apoio ao setor, o mercado de arroz no Rio Grande do Sul segue em um quadro de negociações limitadas. Para analistas, a dinâmica deve continuar dependente da evolução das margens do produtor e do avanço das discussões sobre o custeio da próxima safra, especialmente no que diz respeito ao calendário de pagamento.
Enquanto isso, compradores mantêm foco em operações de menor risco e maior previsibilidade, e produtores seguem avaliando o melhor momento para vender. A combinação desses fatores sustenta o cenário atual de baixa liquidez, mesmo com a melhora recente dos preços.
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A produção de arroz irrigado, frequentemente associada às emissões de metano, está encontrando no próprio sistema produtivo caminhos para reduzir seu impacto climático. No Rio Grande do Sul, estudos do Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga) indicam que a rotação do arroz com a soja reduz as emissões de gases de efeito estufa em 54%, sem comprometer a produtividade. O RS responde por cerca de....

O El Niño foi oficialmente reconhecido e está se intensificando, com previsão de duração pelo menos até novembro, elevando as temperaturas da superfície do Pacífico e alterando ventos leste-oeste. No Sudeste Asiático, chuvas atrasadas ou escassas podem levar agricultores a adiar o plantio, reduzir áreas cultivadas ou optar por culturas resistentes à seca. A produção de arroz pode cair entre 2% e 8% em relação à média anual, com perdas mais severas em regiões sensíveis à seca, destacando a vulnerabilidade do cultivo diante da escassez de chuvas e do estresse térmico. O óleo de palma é outra grande preocupação, especialmente na Indonésia e na Malásia (responsáveis por cerca de 85% da oferta mundial); o impacto tende a aparecer após 6 a 12 meses devido à redução na formação de cachos e na extração de óleo. Sob a influência do El Niño, secas podem provocar incêndios florestais e de turfeiras em pontos críticos como norte da Tailândia, Sumatra e Kalimantan, aumentando a fumaça transfronteiriça e os riscos à saúde pública. A agência climática dos EUA confirmou a formação do El Niño e prevê um dos eventos mais fortes desde 1950.

Resumo: Em 11 de junho, o mercado interno de arroz apresentou pouca variação de preços, com sinais de desaceleração na atividade comercial na região do Delta do Mekong. Os preços do arroz em casca fresco permaneceram estáveis, enquanto o arroz cru e seus derivados observaram um leve recuo, rifando pela falta de melhoria significativa no poder de compra.

A safra de arroz em Cachoeira do Sul (RS) atingiu a maior produtividade média dos últimos cinco anos, com 8.365 kg por hectare na temporada 2025/2026, em uma área de 24.288 hectares, totalizando 203.172 toneladas. Embora a área tenha diminuído em relação a 2024/2025 (26.835 ha; 218.275 t), a produtividade subiu frente a 2023/2024 (7.444 kg/ha; 148.023 t). O desempenho demonstra que avanço tecnológico, manejo adequado das lavouras e condições climáticas favoráveis têm garantido estabilidade produtiva para o arroz cachoeirense. Ainda assim, o produtor enfrenta preços baixos: a saca hoje está cotada a R$ 57,00, abaixo do custo médio de produção, estimado em R$ 80,00 por saca.

O texto aborda, em seguida, a conclusão parcial da colheita do arroz irrigado no Rio Grande do Sul, que atinge mais de 98% da área cultivada, correspondendo a 891.908 hectares. A produtividade média estimada pela Emater/RS-Ascar é de 8.744 kg/ha, com destaque para a região Sul, que apresenta rendimento acima de 9,6 t/ha. Regiões específicas mostram resultados expressivos: Bagé registra próximo de 9.000 kg/ha, Caçapava do Sul atinge 8.500 kg/ha, e Pelotas registra 9.647 kg/ha. A colheita tem sido favorecida por condições climáticas generally favoráveis, boa disponibilidade hídrica e manejo adequado das áreas irrigadas, apesar de interrupções pontuais causadas por chuvas em maio. Houve também uma redução no uso de insumos devido a limitações financeiras, com produtividade próxima ou superior às projeções iniciais e bom rendimento industrial dos grãos.