
Santarém, PA — Por mais de duas semanas, uma área da multinacional Cargill no porto de Santarém foi ocupada por representantes de 14 etnias indígenas. A ação se tornou símbolo de uma recente controvérsia ambiental envolvendo a Amazônia, conectando-se diretamente à resistência contra o Decreto nº 12.600/2025.
Este decreto, assinado na gestão do governo Lula, abre as portas para a concessão privada de hidrovias nos rios Tapajós, Madeira e Tocantins, incluindo-os no Programa Nacional de Desestatização (PND). Enquanto o governo posiciona a ação como modernização logística, críticos argumentam que o principal objetivo é facilitar o escoamento de commodities como soja e minérios para o mercado internacional, pauta que, segundo eles, ameaça a sustentabilidade ambiental e os direitos dos povos indígenas tradicionais.
Organizações indígenas e ambientalistas levantam preocupações sobre a falta de consulta livre, prévia e informada - diretriz garantida pela Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT). A proposta, sem tal consulta, avançou em território indígena e ecológico sensível, e inclui infraestruturas que podem alterar drasticamente o equilíbrio ambiental da Amazônia.
Desde 22 de janeiro, as etnias indígenas do Baixo Tapajós mantêm seu protesto no terminal Cargill, reiterando que a movimentação só cessará com a revogação do decreto. As comunidades locais temem que iniciativas como dragagens e portos ampliados comprometam a pesca, alterem sedimentos fluviais e ameacem terras sagradas. Estes desenvolvimentos também podem provocar conflitos por terra e ameaçar modos de vida tradicionais.
Mesmo após discussões com representantes do governo, nenhuma solução consensual foi estabelecida. As lideranças destacam que, embora alguns editais estejam temporariamente suspensos, o núcleo do problema - a inclusão das hidrovias no PND - permanece intacto. Atividades significativas, como caminhadas públicas e denúncias em fóruns internacionais, continuam em ritmo acelerado.
Entidades sindicais e movimentos sociais, incluindo a CSP-Conlutas, unem-se em apoio aos indígenas, exigindo a revogação do decreto e o fim da criminalização das manifestações. Acreditam que a medida coloca os interesses do agronegócio acima da preservação da Amazônia, ameaçando a soberania nacional.
A luta pela preservação e autodeterminação dos povos da Amazônia continua, simbolizando a resistência a um projeto que sobrepõe exploração intensiva sobre valores socioambientais. A busca por equilíbrio entre avanço econômico e respeito às comunidades raízes ressalta a importância de políticas públicas sustentáveis e inclusivas.

Relatório Frete Insights mostra alta de 20% no preço médio do frete, mesmo com redução de 22% no volume nacional de cargas; Estudo identifica os corredores logísticos mais pressionados do país.

Segundo a Confederação Nacional do Transporte (CNT), toda a carga transportada no território brasileiro utiliza em torno de 61% de rodovias, enquanto ferrovias respondem por cerca de 21% e hidrovias por volta de 14%. As rodovias abrangem quase todo o território nacional, com exceção de áreas amazônicas, e estão concentradas nos polos econômicos das regiões Sudeste e Sul.

Rondonópolis, no sudeste de Mato Grosso, a cerca de 215 km de Cuiabá, é conhecida como a Capital Nacional do Agronegócio e abriga o maior terminal ferroviário de grãos da América Latina, operado pela Rumo Logística, com capacidade de 40 milhões de toneladas por ano. No auge da safra, chegam até....

O governador Carlos Massa Ratinho Junior anunciou um pacote de pavimentação no valor de R$ 19,8 milhões para a zona rural de São José das Palmeiras, no Oeste do Paraná. O investimento, inserido no programa Estrada Boa da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab), contempla 16 quilômetros de trechos das estradas Barra Funda, São Caetano, União Baixadão, Alvorada, São Rodrigues e São Vicente, entre a PR-317 e o limite com Entre Rios do Oeste.

Resumo: A região do Matopiba (11 milhões de hectares em Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia) avança na produção de grãos, hoje em torno de 33 milhões de toneladas, com previsão de chegar a 44 milhões em 2024, e é apresentada como motor para reposicionar o Nordeste no comércio internacional de commodities por meio de Suape. Dois desafios centrais emergem: déficit de armazenagem, com cerca de 40% da produção nacional sem espaço adequado (estimativas apontam que o país precisa investir R$ 148 bilhões para zerar o déficit); neste ano, 135 milhões de toneladas não têm lugar para guardar. Na logística, exportações do Matopiba seguem pelos portos de Itaqui (MA) e Aratu (BA), que enfrentam filas; em contraste, Suape oferece tempos de espera inferiores a 24 horas, reduzindo custos.