
A expectativa no Brasil para a safra 2025/26 de sorgo é de um crescimento notável em comparação com a temporada anterior. O país que plantou 1,632 milhão de hectares em 2024/25, agora projeta uma expansão de 11,3% na área cultivada, alcançando 1,816 milhão de hectares, de acordo com o levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).
Ao se aprofundar nas estatísticas estaduais, o Maranhão deve apresentar o maior aumento, com uma expansão projetada de 58%, seguido por Mato Grosso do Sul (16,4%), Tocantins (16%), Mato Grosso (13,4%) e Pará (12,9%). Essa expansão está fortemente vinculada aos atrasos no plantio da soja, impactando a janela ideal para o cultivo do milho.
"Hoje temos uma lavoura de soja 40% ainda em período inicial, o que vai dificultar a nossa safrinha. Muita gente acabou também substituindo lavouras de soja por lavouras de milho verão. O estado tem surgido com outras culturas, especialmente o sorgo tem crescido bastante. Com a entrada de indústrias na região de Balsas, que fazem o aproveitamento do sorgo e do milho, o crescimento dessas duas culturas tem sido favorecido”, destaca Sérgio Delmiro, subsecretário de agricultura e pecuária do Maranhão.
Especialistas preveem que esse crescimento pode ser ainda mais intenso. Para Vlamir Brandalizze, analista de mercado da Brandalizze Consulting, a área cultivada de sorgo pode chegar perto de 2 milhões de hectares, resultando em uma produção entre 7 e 7,5 milhões de toneladas, superando as 6,1 milhões de toneladas registradas em 2025.
No entanto, a consultoria Pátria Agronegócio projeta um incremento de 18% na cultura para esta temporada. "Acreditamos que o sorgo deve ter um aumento nesse ano, principalmente nos dois estados principais de produção que são Minas Gerais e Goiás,” relata Pedro Vasconcelos, analista de mercado.
Em referência específica à região de Ipameri, Goiás, Fábio Barduchi, presidente do Sindicato Rural local, ressalta os desafios enfrentados devido aos atrasos no plantio da soja. Com as colheitas previstas apenas para fevereiro, a semeadura do milho fica comprometida, levando produtores a optar pelo sorgo e girassol.
Do ponto de vista da demanda, o quadro se mostra promissor em 2026. O setor de etanol e a indústria de rações devem assegurar uma procura constante pelo sorgo. Empresas localizadas em Luís Eduardo Magalhães/BA e Balsas/MA estão em expansão, contribuindo para a crescente demanda pelo grão.
O presidente da Abramilho, Paulo Bertolini, enfatiza a oportunidade de exportações para a China, um mercado que consome aproximadamente 10 milhões de toneladas de sorgo anualmente. Ele destaca o potencial brasileiro de alavancar suas exportações para atender ao maior mercado consumidor mundial de sorgo.
No entanto, o mercado interno enfrenta desafios relacionados aos preços. Apesar da demanda robusta, a relação preço entre sorgo e milho é projetada para se normalizar, com o sorgo correspondendo a cerca de 75% do preço do milho. Este fator se deve à expectativa de aumento na produção de sorgo, mesmo com uma eventual queda na oferta de milho em algumas regiões.
Acrescentando a perspectiva da Embrapa, as exportações de sorgo, comparadas às realizadas pela Argentina, oferecem uma oportunidade considerável de crescimento não apenas para o mercado doméstico, mas também para o impulso das exportações brasileiras.

A preferência chinesa pela soja brasileira é sustentada por uma relação de preços favoráveis, apesar das pressões no mercado interno devido ao câmbio valorizado e avanço da colheita. Segundo Anderson Nacaxe, CEO da Oken.Finance, os preços voltaram a mínimas, aumentando a dependência da demanda externa para o escoamento da produção nacional. O acesso a esse conteúdo é exclusivo para usuários cadastrados no Agrolink.

O IPCA-15 subiu 0,20% em janeiro, ligeiramente inferior à alta de 0,25% em dezembro. Em 12 meses, o índice acumula aumento de 4,50%. Habitação e Transportes caíram, enquanto Saúde e cuidados pessoais lideraram o aumento com alta de 0,81%. Alimentação e bebidas aceleraram, com alta influenciada por tomates e batata-inglesa. Embora passagens aéreas e transporte urbano tenham caído em Transportes, combustíveis subiram 1,25%.

O setor de lácteos da Argentina, em 2025, alcançou seu melhor desempenho externo em 12 anos, graças à modernização da cadeia produtiva e condições de mercado favoráveis. O país exportou 425.042 toneladas de produtos lácteos, gerando US$ 1,69 bilhão, um aumento de 11% em volume e 20% em valor em relação ao ano anterior. O volume exportado representou 27% da produção nacional, que atingiu 11,618 bilhões de litros, o maior da década. O leite em pó integral liderou as exportações, com o Brasil como principal parceiro. A expansão do setor leiteiro integra um crescimento mais amplo do agronegócio argentino.

A soja teve queda nos preços no Paraná e em Paranaguá, com desvalorizações de 1,12% e 2,18%, respectivamente. No interior do Paraná, a saca é cotada a R$ 119,83, enquanto no litoral chega a R$ 124,76. Em contraste, o trigo presenta reajustes para cima, com aumentos de 0,13% no Paraná (R$ 1.176,36 por tonelada) e 0,31% no Rio Grande do Sul (R$ 1.057,34 por tonelada). A padronização da saca em 60 kg facilita a comercialização e monitoramento de preços.

As importações brasileiras de fertilizantes atingiram um recorde histórico de 45,5 milhões de toneladas em 2025, superando o total de 44,28 milhões de toneladas em 2024, conforme o Boletim Logístico divulgado pela Conab. Esse aumento de 2,68% destaca a confiança do setor agrícola no Brasil, com Mato Grosso, Paraná e São Paulo liderando o consumo. O crescimento nas importações apoia o planejamento para expansão da área plantada e melhorias na produtividade, reforçando a robustez da cadeia de suprimentos agrícolas no país.