
A cadeia produtiva do arroz de Santa Catarina entra em período de atenção com a aproximação do pico de influência do El Niño, previsto para coincidir com a fase de semeadura da cultura. O fenômeno deve persistir até maio de 2027, segundo o Sindicato das Indústrias de Arroz de Santa Catarina (SindArroz-SC), entidade que reúne 27 indústrias cerealistas e representa uma cadeia responsável por cerca de 15% do abastecimento nacional de arroz.
De acordo com o meteorologista Márcio Sônego, o aquecimento histórico das águas do Oceano Pacífico Equatorial chegou a 3,5°C, condição que reforça a preocupação com os efeitos do fenômeno sobre o regime de chuvas no Estado.
O período de maior influência do El Niño sobre Santa Catarina é estimado entre outubro e dezembro, justamente quando os produtores avançam na semeadura do arroz. Segundo Sônego, o excesso de chuva e de umidade pode dificultar o andamento das atividades no campo, provocando atrasos no preparo do solo, na implantação das lavouras e na realização dos tratamentos necessários ao desenvolvimento da cultura.
A combinação entre calendário agrícola e condições climáticas aumenta a necessidade de atenção por parte dos produtores, especialmente em relação ao planejamento das operações. Chuvas acima do esperado durante a janela de semeadura podem comprometer o ritmo de implantação das áreas e exigir ajustes nas estratégias adotadas ao longo da safra.
O cenário também é acompanhado de perto pela indústria, considerando a relevância da rizicultura catarinense para o abastecimento brasileiro. Com participação de aproximadamente 15% da oferta nacional, qualquer impacto significativo sobre a produção estadual pode gerar reflexos ao longo da cadeia.
Mesmo diante das incertezas climáticas, o calendário do setor segue avançando. A 9ª Abertura Oficial da Colheita do Arroz de Santa Catarina está prevista para janeiro de 2027, marcando o início oficial da nova temporada de colheita no Estado.

O Cemtec prevê calor intenso no estado no fim de semana, com picos de 41°C em várias regiões, umidade entre 10% e 30% e ventos fortes. Em agosto, o governo estadual destinou R$ 9,7 milhões em preparação para o El Niño.

A comercialização de sêmen da raça Angus no Brasil cresceu 19,58% no primeiro semestre de 2026, acima da média de 16,87% do mercado de sêmen de corte, de acordo com a ASBIA. O Centro-Oeste absorveu quase metade do volume, enquanto o Nordeste registrou o maior avanço percentual.

Estudos de campo em Bandeirantes (PR) indicam que cerca de 93% das doenças da área permanecem associadas ao solo e à palhada. No Sul, recomenda-se Trichoderma contra fungos de solo, em um ciclo que o Itaú BBA descreve sob juros altos, crédito seletivo e El Niño como risco.

A China estima cortar 25% das compras de soja de 2026 a 2030, volume equivalente a aproximadamente 23 milhões de toneladas. Alexandre Nepomuceno, da Embrapa Soja, associa a medida ao 15º Plano Quinquenal, focado em autossuficiência alimentar e resiliência geopolítica.

A Datagro estima 49,3 milhões de hectares de soja no Brasil na safra 2026/27, o menor ritmo de expansão em duas décadas, com produção de 185,6 milhões de toneladas. Em avaliação à parte, a Cofco no Brasil prevê redução da safra por El Niño, menor crescimento de área e restrição de crédito.