
O matcha, pó de chá verde associado a ritual, sabor e apelo de saúde, vive um novo pico de popularidade. A tendência, acelerada por redes sociais e mudanças de hábito, vem reposicionando o produto como alternativa ao café e impulsionando investimentos em produção, qualidade e cadeia de suprimentos.
A expansão do matcha no mundo deve ganhar força nos próximos anos. Estimativas de analistas indicam que o mercado global pode atingir 7,43 bilhões de dólares até 2030, com a América do Norte na liderança do crescimento, avançando perto de 8% ao ano.
Dados do setor também apontam para uma aceleração relevante no consumo doméstico. Indicadores de mercado citados pela Jade Leaf Matcha mostram que o segmento saiu de 130 milhões de dólares em 2023 para cerca de 200 milhões em 2025, com possibilidade de dobrar até 2030. O cenário reforça a mudança do matcha de item de nicho para produto de maior presença no varejo e nas casas.
Destaque: a popularidade atual é vista por executivos do setor como a “terceira tentativa” de transformar o matcha em um produto comum nos lares norte-americanos.
Ao longo de 2024, o ritmo de crescimento ganhou tração com a combinação de tendências digitais e aumento de oferta em pontos de venda. A demanda se intensificou nas redes sociais e também no varejo, incluindo cafeterias especializadas nos Estados Unidos.
O movimento tem sido forte o suficiente para incentivar novos negócios. Um caso citado no setor envolve uma profissional de tecnologia que deixou o emprego para abrir um café dedicado ao matcha, sinalizando que o produto deixou de ser apenas um ingrediente “da moda” e se tornou um segmento com potencial de expansão.
Embora o matcha já exista no mercado norte-americano há décadas, especialistas apontam que a fase recente representa um novo ciclo de adoção, mais conectado ao consumo cotidiano. Para Daniel Woldar, gerente-geral da Jade Leaf, o segundo semestre de 2024 marcou um ponto de virada, com aceleração de interesse tanto nas redes quanto no mercado principal.
Apelo de saúde e percepção de bebida “funcional”
Ritual de preparo e experiência sensorial
Versatilidade em bebidas e receitas
Viralização em redes sociais e maior exposição no varejo
A oferta de matcha está diretamente ligada a regiões tradicionais do Japão, onde o produto é cultivado com técnicas específicas. A Jade Leaf Matcha atua como importadora oficial de um coletivo japonês de fazendas familiares independentes em Uji, área reconhecida como berço de matcha de alta qualidade.
Segundo a dinâmica descrita pelo setor, a empresa compra diretamente dos agricultores e garante reservas antes da colheita de primavera. Esse modelo busca reduzir riscos de preço e abastecimento, especialmente em um momento em que a demanda cresceu mais rápido do que a capacidade de processamento.
A estratégia contrasta com compras em leilão e, na prática, permite maior previsibilidade: com contratos diretos, há espaço para investimento em infraestrutura nas propriedades e manutenção de padrões de qualidade. Ainda assim, o mercado enfrenta um gargalo: a moagem — etapa essencial para transformar a folha em pó — não vem acompanhando o ritmo do consumo.
Executivos do setor observam que o Japão mantém vantagem quando o assunto é qualidade, sobretudo no grau cerimonial, geralmente associado a padrões mais elevados de sabor, cor e textura. Ao mesmo tempo, a China amplia o volume produzido para atender à demanda crescente, reforçando a concorrência e a diversificação de origens no mercado.
A discussão sobre origem e certificação ganha destaque porque, no matcha, o consumidor ingere a folha inteira, moída. Isso torna a procedência e as práticas agrícolas ainda mais relevantes para a percepção de segurança e qualidade.
A produção orgânica representa uma parcela expressiva e vem crescendo com força, com expansão anual global acima de 20%. Dentro desse cenário, a Jade Leaf informa obter entre 90% e 95% do matcha a partir de origem orgânica, índice acima da média no Japão, onde a certificação orgânica ainda é menos comum em parte das áreas produtoras.
Um dos processos-chave da produção é o sombreamento das plantas por semanas antes da colheita. Esse manejo influencia a composição da folha, elevando antioxidantes e L-teanina, além de contribuir para a cor intensa característica. O método também é associado à forma como o matcha interage com a cafeína, aspecto que ajuda a explicar sua popularidade como alternativa ao café para parte dos consumidores.
Em termos de posicionamento no mercado, o matcha combina: origem controlada, atributos sensoriais e narrativa de bem-estar.
O avanço do matcha nos Estados Unidos aparece como um dos principais motores do crescimento global. Estimativas para o país indicam que o mercado de matcha foi de 164 milhões de dólares em 2024 e pode alcançar 340 milhões até 2033.
A expansão também é percebida no perfil de consumidores. A Jade Leaf afirma que cerca de 65% dos seus clientes chegaram à marca no último ano, um sinal de que a bebida está ultrapassando o círculo de consumidores já familiarizados com o produto e entrando em novas rotinas.
Ainda assim, a penetração nos domicílios segue abaixo da observada para o café, o que sugere amplo espaço para crescimento. Especialistas avaliam que a consolidação do matcha como opção de consumo saudável dependerá de três fatores principais: acesso, compreensão de benefícios e qualidade.
Indicador Estimativa Mercado global (2030) 7,43 bilhões de dólares Crescimento na América do Norte perto de 8% ao ano Consumo doméstico (2023) 130 milhões de dólares Consumo doméstico (2025) cerca de 200 milhões de dólares EUA (2024) 164 milhões de dólares EUA (2033) 340 milhões de dólares
Em resumo: com a demanda em alta e a oferta pressionada por limites de processamento e produção, o matcha entra em uma nova fase de expansão. O desafio do setor será equilibrar crescimento com qualidade, transparência de origem e capacidade de abastecimento, enquanto o produto disputa espaço no cotidiano de consumidores em busca de bebidas associadas ao bem-estar.

O solo europeu está a ser consumido mais depressa do que a natureza consegue regenerar. Segundo Eurostat, os ODS 6 (Água Potável e Saneamento) e 15 (Proteger a Vida Terrestre) são os que recuam na União Europeia, devido ao modelo de uso, ocupação e gestão do solo, com impermeabilização e expansão urbana. Entre 2018 e 2021, a ocupação líquida de terras em áreas urbanas aumentou cerca de 32%, e a área de solo selado atingiu 252,1 m2 por habitante em 2021, colocando a UE fora da trajetória de neutralidade de terras até 2050. A agropecuária intensiva agrava o quadro: as remoções líquidas de carbono caíram 39,7% entre 2009 e 2024; populações de aves em zonas agrícolas recuaram 41,2% e borboletas de pastagem 47,4% (1990-2024); apenas 27% das espécies e 15% dos habitats avaliados estão em bom estado. A erosão hídrica afeta....

Em Dallas, durante a Copa do Mundo, surge uma discussão sobre qual carne bovina é superior, Argentina ou Texas (EUA). O Texas lidera a produção de carne bovina nos EUA; os EUA ocupam a segunda posição mundial, atrás do Brasil, enquanto a Argentina aparece em sexto. No lado argentino...

Em termos de exportação, no dia 18 de junho o arroz vietnamita com 5% de grãos quebrados foi cotado entre US$ 405-415 por tonelada, ligeiramente abaixo dos US$ 415-420 da semana anterior. Internacionalmente, Índia e Tailândia veem altas de preços impulsionadas por flutuações cambiais e preocupações climáticas: arroz parboilizado 5% de grãos quebrados na Índia em US$ 337-342/ton e arroz branco 5% a US$ 343-349/ton; arroz tailandês 5% quebrado entre...

A União Europeia ainda não definiu uma data para reabilitar a exportação de carne brasileira, dizendo que depende de fatores como o tempo necessário para implementar novas medidas legislativas e controles, bem como dos ciclos de produção de cada cadeia, para garantir que os animais de origem não tenham recebido antimicrobianos. A diretora Eva Zamora Escribano, da DG Sante, afirmou que é impossível prever a data, e a Comissão Europeia ressaltou que a reabilitação depende desses dois elementos. Enquanto isso, o Brasil não poderá exportar carne para a UE a partir de 3 de setembro, até demonstrar conformidade com as exigências europeias. O ciclo de vida é destacado como essencial para assegurar que os animais de onde se originam os produtos não receberam antimicrobianos, já que o abate precoce atual é de....

O artigo analisa a combinação de fatores que já colocam o agronegócio brasileiro sob pressão e o surgimento de um novo tema: a possibilidade de a China reduzir suas compras do Brasil. O cenário de margens decrescentes, juros elevados, barreiras comerciais, fertilizantes mais caros, inadimplência e o risco do “Super El Niño” se soma à dúvida sobre o tamanho da dependência chinesa de commodities brasileiras. A China sinalizou, em seu....