
Boatos e alarmismos voltaram a circular sobre a possibilidade de faltar diesel no Brasil. O cenário, porém, é mais complexo do que mensagens alarmistas sugerem: há indícios de que o abastecimento deve se manter no curto prazo, mas o descompasso entre o preço interno e referências internacionais aumenta a pressão por reajustes e eleva o risco de restrição de oferta nas próximas semanas.
Especialistas do setor apontam que a situação lembra o período pós-início da guerra entre Rússia e Ucrânia, em 2022, quando o mercado também enfrentou turbulência. A diferença agora é que há uma restrição mais intensa na oferta global de petróleo e derivados, com países asiáticos adotando medidas severas para reduzir consumo. No Brasil, o ponto central segue sendo o mesmo: o preço do diesel praticado internamente, que pode precisar de correção relevante para reduzir o risco de escassez.
O Brasil depende de importação para atender parte importante de sua demanda. Estimativas do setor indicam que o país importa cerca de um quarto do diesel que consome. Em condições normais, esse equilíbrio entre produção interna e importação sustenta o abastecimento. O desafio aparece quando o preço doméstico fica significativamente abaixo do valor de reposição no mercado internacional.
Na prática, importadores privados tendem a reduzir compras quando o combustível chega mais caro do exterior e precisa ser vendido no Brasil com margem negativa. Assim, se o preço interno não acompanha a alta internacional, o incentivo para importar diminui — e isso pode se refletir em menor oferta adiante.
Resumo do dilema: se importadores comprarem diesel mais caro para vender barato, há perda financeira; se repassarem preços, podem perder competitividade. O resultado é uma zona cinzenta que aumenta o risco de restrição de oferta.
Fontes do setor relatam que haveria volume importado suficiente para atravessar março e parte de abril, além de estoques capazes de cobrir algumas semanas. Também se menciona a existência de estoque adicional para cerca de aproximadamente três a quatro semanas, após o período já contratado. Esses dados, contudo, não são públicos e não podem ser verificados de forma independente.
Ainda assim, mesmo no cenário de deterioração, é difícil imaginar que autoridades e agentes centrais do mercado permitam um desabastecimento amplo. Um evento dessa magnitude causaria impacto direto na economia e teria alto custo político. Por isso, o risco de “falta total” é visto como extremo, embora a possibilidade de restrições pontuais e tensão logística não seja descartada.
A pressão por reajuste se intensifica porque referências de preço no exterior subiram com força nas últimas semanas. Uma referência norte-americana para o custo do diesel — utilizada como parâmetro por parte do mercado — registrou aumento expressivo entre o fim de fevereiro e meados de março. Nas bombas dos Estados Unidos, o preço médio do diesel também avançou fortemente no mesmo intervalo.
Consultorias e associações ligadas ao mercado de importação estimam que a diferença entre o preço médio praticado no Brasil e uma referência internacional pode estar na faixa de cerca de dois reais por litro, variando conforme metodologia e período. Com isso, cálculos setoriais sugerem que, para reduzir a distância até a paridade internacional, poderia ser necessário um reajuste na ordem de dezenas de pontos percentuais, com estimativas chegando a aproximadamente trinta por cento em cenários de maior estresse.
Fator O que significa para o abastecimento Preço doméstico abaixo do internacional Reduz o incentivo para importadores privados trazerem diesel, elevando risco de menor oferta adiante. Alta global do diesel Aumenta o custo de reposição do combustível, ampliando a defasagem e a pressão por reajustes. Estoques e importações já contratadas Podem sustentar o mercado no curto prazo, mas a incerteza cresce se a defasagem persistir.
Uma alternativa, no limite, seria a própria Petrobras importar parte do volume necessário e vender com margem reduzida ou até prejuízo para segurar preços. No entanto, essa hipótese é vista como delicada: equivaleria, na prática, a uma forma de tabelamento temporário, podendo gerar desgaste econômico, questionamentos e impactos sobre a percepção de risco e crédito da empresa.
Além disso, manter preços artificialmente baixos não elimina o problema estrutural: o custo de reposição continua subindo quando o mercado internacional aperta. Nesse contexto, segurar o preço pode apenas adiar a correção, aumentando a chance de medidas emergenciais mais adiante.
O tema tem sido tratado também como questão sensível do ponto de vista político e econômico. Há esforços para atenuar repasses ao consumidor e minimizar o impacto imediato de possíveis reajustes, inclusive com estratégias de redução de custo tributário em diferentes esferas. Paralelamente, há sinais de pressão sobre distribuidoras, movimento interpretado por agentes do mercado como tentativa de administrar expectativas e evitar corrida por compra e estocagem.
O receio é que um reajuste significativo provoque reação em cadeias que dependem intensamente do diesel, como transporte de carga, logística e produção de alimentos. O combustível influencia diretamente o custo do frete e, consequentemente, pode pressionar preços ao consumidor.
Transporte e logística: diesel mais caro tende a elevar o custo de distribuição de mercadorias.
Agro e alimentos: maior gasto com diesel pode encarecer operações no campo e transporte até centros urbanos.
Inflação: o efeito pode se espalhar por diferentes itens essenciais, ampliando o custo de vida.
O impacto da referência internacional depende de origem do diesel importado e dos custos de frete, seguros e rotas. A composição das compras externas pode mudar conforme preço e risco geopolítico. Nos últimos períodos, o mercado registrou participação relevante de diesel vindo da Rússia e dos Estados Unidos, com variações conforme o cenário internacional.
Essa dinâmica significa que o preço de uma única referência internacional pode pesar mais ou menos na formação do custo efetivo de importação. Ainda assim, quando o mercado global entra em fase de alta e oferta apertada, a tendência é de aumento generalizado do custo de reposição.
O abastecimento de diesel no Brasil deve seguir no centro do debate. O risco maior não é necessariamente a falta imediata e generalizada, mas a combinação de:
Defasagem persistente entre preço interno e internacional;
Redução do incentivo à importação privada;
Pressão por reajuste com potencial impacto em fretes e alimentos.
Se houver correção de preços, o desafio será calibrar o reajuste diante do custo político e do efeito sobre a economia. Se não houver, cresce a probabilidade de estresse no suprimento, com medidas emergenciais e maior volatilidade na cadeia de distribuição.
Em qualquer cenário, o tema deve seguir com alto impacto na vida cotidiana — do transporte de cargas ao preço dos alimentos — e com reflexos diretos sobre a percepção de estabilidade econômica e de segurança de abastecimento.
```

O governo do Paraguai decidiu tornar obrigatória a incorporação de etanol com 50% de origem na cana-de-açúcar na gasolina, posição que posiciona o país como nova fronteira de expansão da cana na América do Sul. A regra atual vinha com 30% de etanol, produzido principalmente a partir da cana, que passou a ter prioridade na matriz energética, diminuindo o papel relativo do milho.

O texto aborda a escalada do uso de biomassa para atender usinas térmicas ligadas às agroindústrias, impulsionada pelos investimentos em usinas de etanol de milho em Mato Grosso. A demanda aquém da oferta de biomassa já levou ao uso até de florestas nativas, mas há um movimento público-privado para restringir isso: o Ministério Público de Mato Grosso conseguiu que o governo estadual se comprometa a proibir o uso de floresta nativa para energia até 2035, o que deve acelerar o plantio de eucaliptos, que demoram seis a sete anos para maturar.

Preço e vantagem: o etanol hidratado permanece economicamente mais vantajoso que a gasolina em boa parte do país, com média de preço de 63,7% da gasolina (60,7% em São Paulo) na última semana de maio; para boa parte da frota flex, o rendimento fica em torno de 70% da gasolina (chegando a 75% em modelos mais recentes).

A empresa processou 17,9 milhões de toneladas de cana na safra, 12% abaixo da anterior, e concentrou a produção de açúcar para mitigar o menor esmagamento, com preços fixados próximo de 18 centavos de dólar por libra-peso. Como resultado, o lucro líquido caiu 62%, para 137 milhões de reais, a receita líquida recuou 16%, para 5,7 bilhões, e o EBITDA caiu 29%, para 1,3 bilhão; ainda assim, o desempenho figura entre os três melhores da história da companhia. Em contraste, a Tereos global encerrou a safra com prejuízo de 590 milhões (unit europeia mais afetada). A venda da Usina Andrade à Viralcool ajudou o resultado brasileiro, já que a unidade tem foco em etanol, enquanto o grupo é mais voltado ao açúcar e está em uma região com forte competição por cana. O executivo Santoul aponta a....

A Organização Marítima Internacional (OMI) estabeleceu o padrão de pegada de carbono para o etanol de milho brasileiro em 20,8 g CO2e por MJ, aplicado ao biocombustível produzido na segunda safra. Esse valor contrasta com a intensidade média atual do transporte marítimo, de 93,3 g CO2e por MJ, sinalizando um marco importante enquanto a OMI elabora regulamentações para combustíveis de baixo carbono. Executivos da indústria afirmam que o marco posiciona o etanol de milho brasileiro e sul-americano como combustível viável para a descarbonização do setor de navegação. A produção de etanol de milho no Brasil cresceu de cerca de....