
Inadimplência no agro soma R$ 48 bi e bancos retomam fazendas
O agronegócio brasileiro acumulava R$ 48 bilhões em dívidas em atraso em junho, ante cerca de R$ 2 bilhões cinco anos antes. Instituições financeiras retomam imóveis rurais e reforçam garantias nas operações de crédito.
Em junho, as dívidas não honradas no agronegócio brasileiro totalizaram R$ 48 bilhões. O número foi divulgado pela coluna Faria Lima News, da revista Veja.
Cinco anos atrás, o estoque de atrasos no setor girava em torno de R$ 2 bilhões. No intervalo de cinco anos até junho, a parcela de operações em atraso avançou de 0,54% para 5,63%.
Do volume registrado em junho, R$ 29 bilhões estavam concentrados entre produtores rurais de alta renda.
Retomada de imóveis e mudança nas garantias
Só em 2026, o Banco do Brasil deu início à retomada definitiva de mais de 130 imóveis rurais, em meio à deterioração do crédito.
A composição das garantias nas operações com grandes produtores também se alterou de uma safra para outra. Na safra 2024/25, a alienação fiduciária lastreava apenas 3% dos contratos do BB com esse público. Na safra seguinte, a de 2025/26, a participação do instrumento subiu para 63%.
O Santander estruturou propriedades em Fiagros e figura como único cotista de um fundo que reúne R$ 97 milhões em imóveis rurais.
Máquinas e renegociação
Desde 2022, as vendas de colheitadeiras acumulam retração de 85%. No mesmo recorte temporal, as comercializações de tratores recuaram 42%.
O Banco do Brasil estima que até R$ 100 bilhões de sua carteira do agro podem se enquadrar nas novas linhas de renegociação criadas pelo governo.




