
A Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação promoveu, na Expodireto, em Não-Me-Toque (RS), uma degustação guiada de erva-mate do Alto Taquari. A atividade, realizada no estande institucional da secretaria em parceria com a Associação dos Produtores e Parceiros da Erva-Mate do Alto Taquari, reuniu especialistas, convidados e delegações internacionais para apresentar as características sensoriais do produto — com foco em aromas, sabores e particularidades da bebida tradicionalmente consumida no Sul do Brasil.
Além de valorizar a cultura do chimarrão, o encontro evidenciou como a combinação entre pesquisa científica, práticas de manejo e condições de solo e clima contribui para a construção de uma identidade regional da erva-mate. A proposta também reforça o movimento de qualificação e posicionamento do produto no mercado, com base em evidências técnicas e na percepção do consumidor.
A condução da degustação ocorreu com o apoio de um mapa sensorial, ferramenta utilizada para guiar os participantes na identificação de notas aromáticas e gustativas da erva-mate. O método, comum em avaliações de produtos alimentícios e bebidas, permite registrar percepções com maior precisão e comparar perfis entre diferentes lotes e variedades.
A iniciativa integra uma colaboração entre a associação de produtores e a secretaria, com suporte técnico de profissionais na identificação das características regionais da planta e do produto final. O objetivo é aproximar o conhecimento gerado em laboratório e no campo da experiência do consumidor, fortalecendo a cadeia produtiva e ampliando o reconhecimento da qualidade da erva-mate do Alto Taquari.
“Quando falamos em aroma, sabor e identidade do produto, estamos falando de ciência aplicada ao território.”
— Jackson Brilhante, pesquisador e coordenador do Plano ABC+RS
Estudos conduzidos desde 2019 por pesquisadores do Departamento de Diagnóstico e Pesquisa Agropecuária vêm ampliando o entendimento sobre o sistema produtivo da erva-mate no Alto Taquari. As investigações abordam temas como desenvolvimento rural, características de solos, influência do clima, práticas de manejo e formatos de produção aplicados à cultura.
De acordo com Jackson Brilhante, os resultados acumulados produziram informações consideradas estratégicas para o desenvolvimento da região e hoje ajudam a sustentar o processo de Indicação Geográfica da erva-mate. Para o pesquisador, a degustação guiada funciona como um ponto de encontro entre o conhecimento técnico, o trabalho do produtor e a percepção do consumidor, fortalecendo uma cadeia que busca alinhar qualidade, sustentabilidade e identidade regional.
Em destaque: a degustação guiada foi utilizada como ferramenta para conectar ciência, origem e experiência sensorial, ampliando o valor percebido da erva-mate do Alto Taquari.
Segundo Ariana Maia, integrante da associação de produtores, o trabalho apresentado também está ligado a uma pesquisa desenvolvida em parceria com uma universidade federal, voltada à caracterização de compostos voláteis e não voláteis presentes na erva-mate. Esses componentes têm papel central na definição do perfil sensorial do produto, influenciando aroma, sabor e a percepção de frescor e intensidade.
A análise desses compostos permite compreender por que determinadas ervas-mates expressam notas mais herbais, cítricas ou refrescantes, mesmo quando produzidas em uma mesma região. Esse tipo de evidência técnica contribui para diferenciar produtos, orientar melhorias e fortalecer a rastreabilidade e a reputação do território produtor.
Uso de protocolo sensorial com mapa de aromas e sabores;
Identificação de perfis distintos entre variedades cultivadas na mesma região;
Ênfase na suavidade característica atribuída ao Alto Taquari;
Integração entre pesquisa, produção e consumo para valorizar a origem.
O evento contou com a participação de convidados externos e delegações internacionais, incluindo representantes de Tanzânia, Gana, Namíbia, Índia, Peru e do Brasil, além de servidores de órgão ambiental estadual. A presença de visitantes estrangeiros ajudou a ampliar o intercâmbio cultural e a apresentar a erva-mate gaúcha a novos públicos, com potencial de abrir oportunidades de divulgação em outros mercados.
Para os organizadores, a aproximação com delegações internacionais também reforça a importância de comunicar a erva-mate não apenas como produto agrícola, mas como expressão cultural e alimento associado a hábitos tradicionais, especialmente no contexto do chimarrão.
Durante a degustação, foram apresentadas duas variedades de erva-mate produzidas no Alto Taquari. Apesar de cultivadas sob condições semelhantes de solo e clima, as amostras exibiram diferenças sensoriais. Uma delas apresentou notas mais herbais, enquanto a outra demonstrou nuances cítricas e refrescantes.
Ainda assim, ambos os perfis mantiveram um traço destacado pelos participantes: a suavidade atribuída à região. Essa percepção, somada à descrição técnica e ao avanço das pesquisas, é vista como elemento relevante para consolidar o posicionamento do produto e sustentar a valorização de origem.
Amostra Notas sensoriais predominantes Característica comum Variedade 1 Perfil herbal Suavidade típica do Alto Taquari Variedade 2 Nuances cítricas e refrescantes Suavidade típica do Alto Taquari
A degustação guiada reforçou que o desenvolvimento da cadeia da erva-mate envolve mais do que a produção em si: passa por pesquisa aplicada, qualificação do produto, estratégias de diferenciação e construção de reputação. Ao destacar atributos sensoriais e dar visibilidade à ciência por trás da identidade regional, a ação busca fortalecer um segmento que combina tradição, inovação e práticas alinhadas a uma produção mais sustentável.
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