
A segunda estimativa da Safra de Verão 2025/2026, divulgada pela Emater-RS/Ascar, projeta a produção de 32,8 milhões de toneladas de grãos no Rio Grande do Sul. O dado representa uma revisão para baixo em relação à projeção inicial e reforça os efeitos da estiagem e do calor intenso sobre o desempenho das lavouras, com impactos diretos na renda rural e reflexos na qualidade de vida das famílias do campo.
As informações foram apresentadas durante a Expodireto Cotrijal, em Não-Me-Toque, em evento com autoridades estaduais e representantes do setor. A avaliação técnica indica que a irregularidade das chuvas atingiu principalmente períodos críticos do desenvolvimento das culturas, sobretudo a soja, elevando perdas e a incerteza para produtores em diferentes regiões.
De acordo com a Emater-RS/Ascar, a projeção atual aponta redução de 7,1% na produção total de grãos. A estimativa inicial, divulgada em agosto de 2025, previa 35,3 milhões de toneladas. A revisão é atribuída a chuvas insuficientes e irregulares, agravadas em alguns casos por dias muito quentes, o que comprometeu a formação e o enchimento de grãos em etapas decisivas.
Claudinei Baldissera, presidente da Emater-RS/Ascar, destacou que há municípios e regiões com perdas muito acentuadas, incluindo situações acima de 50%. Segundo ele, ao olhar caso a caso, alguns produtores podem enfrentar perdas tão severas que chegam a ameaçar a viabilidade da colheita.
Autoridades estaduais reforçaram que a quebra de produtividade ocorre em um contexto de endividamento no campo, dificultando o acesso ao crédito e o planejamento das próximas safras. A defesa de uma solução ampla para dívidas rurais, incluindo securitização, foi apresentada como forma de permitir que o produtor retome a capacidade de investimento e de custeio.
Em paralelo, a ampliação da irrigação e políticas para reduzir a dependência do clima foram apontadas como medidas estratégicas para o futuro do agro gaúcho, especialmente diante da recorrência de eventos extremos como estiagens prolongadas.
Destaque: A avaliação técnica indica que as perdas não são homogêneas. Enquanto o Estado revisa a produção total para baixo, há localidades com prejuízos muito acima da média, elevando o risco socioeconômico e a necessidade de apoio técnico e políticas públicas.
O governo do Estado ressaltou que, apesar da queda em relação à projeção inicial, a comparação com o ciclo anterior ainda pode indicar melhora em alguns indicadores, reforçando o papel de tecnologias e boas práticas de manejo na preservação da produtividade. Também foi destacada a importância do apoio técnico para que programas cheguem diretamente aos produtores.
Programa Milho 100%: distribuição de sementes, alcançando cerca de 40 mil produtores em 447 municípios.
Operação Terra Forte: programa de recuperação de solos com previsão de atendimento a 15 mil famílias, incluindo análise de solo, apoio para aquisição de nutrientes e acompanhamento técnico.
Irriga+ RS: iniciativa citada como incentivo para ampliar área e produção em culturas com maior resiliência quando há acesso à água e manejo adequado.
A soja, principal cultura em área e relevância econômica no Estado, teve a estimativa revisada para 19 milhões de toneladas, queda de 11,3% frente às 21,4 milhões projetadas inicialmente. Além do déficit hídrico, a Emater aponta outros fatores associados:
Redução de área em relação ao planejado (queda de 1,7%).
Dificuldades de emergência por baixas temperaturas e umidade inadequada.
Restrição de crédito, com impacto no investimento em insumos e no manejo.
Para o produtor, o resultado prático é a combinação de menor produtividade e maior pressão financeira. Em termos de saúde e bem-estar, especialistas do setor frequentemente associam safras frustradas ao aumento de estresse, insegurança econômica e sobrecarga emocional em famílias rurais — um cenário que tende a se agravar quando o acesso a crédito e renegociação de dívidas fica limitado.
No arroz, a área estimada é de 892 mil hectares, com projeção de 7,7 milhões de toneladas, volume 3,1% menor do que os 8 milhões previstos inicialmente. A redução é atribuída principalmente à queda de área cultivada, influenciada por riscos e decisões relacionadas ao mercado.
O feijão também registra revisão negativa. Na primeira safra, a produção estimada caiu de 46 mil para 41 mil toneladas (queda de 11,6%). Na segunda safra, a estimativa recuou de 16,3 mil para 11,6 mil toneladas, redução de 28,6%.
A perspectiva de estiagem aumenta o risco do cultivo e influencia decisões de plantio, além de afetar o preço ao produtor. Em regiões onde o feijão tem relevância para a agricultura familiar, a oscilação pode impactar diretamente orçamento doméstico e segurança alimentar.
Em contraste com outras culturas, o milho grão apresentou melhora na projeção. A estimativa passou de 5,7 milhõe 5,9 milhões de toneladas, crescimento de 3%. A área cultivada foi revisada de 785 mil para 803 mil hectares (alta de 2,3%), com influência de políticas públicas e incentivos.
Já o milho silagem teve redução de 6s para,9% na produção. O recuo está ligado à diminuição de 5,7% da área e à produtividade 1,3% menor, resultando em 968 mil toneladas a menos. No total, a silagem deve alcançar 13 milhões de toneladas.
Item Estimativa revisada Variação vs. inicial Principal motivo Total de grãos (RS) 32,8 milhões de toneladas -7,1% Estiagem, chuvas irregulares e calor Soja 19 milhões de toneladas -11,3% Falta de chuva + fatores agronômicos e crédito Arroz 7,7 milhões de toneladas -3,1% Redução de área por risco e mercado Feijão (1ª safra) 41 mil toneladas -11,6% Revisão por condições climáticas Feijão (2ª safra) 11,6 mil toneladas -28,6% Risco de estiagem e efeito no cultivo Milho grão 5,9 milhões de toneladas +3% Aumento de área e programas de incentivo Milho silagem 13 milhões de toneladas -6,9% Menor área e produtividade
A revisão da Safra de Verão 2025/2026 reforça um cenário de maior vulnerabilidade climática e de pressão financeira no campo, exigindo combinação de assistência técnica, gestão de risco e investimento em irrigação. Com perdas concentradas em algumas regiões, a evolução do clima e a capacidade de acesso a crédito devem ser determinantes para a recuperação do setor e para a proteção da renda das famílias rurais.

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