
Soja de copa densa reduz pela metade o parasitismo de ovos do percevejo-marrom, aponta ESALQ
Estudo da ESALQ mostrou que o parasitismo de ovos de Euschistus heros por Telenomus podisi caiu 50% em plantas de soja com estrutura mais complexa. A população da praga chegou ao nível de ação cerca de 10 dias antes nessas condições.
A configuração da planta de soja interfere no desempenho de um dos principais agentes de controle biológico do percevejo-marrom. Pesquisadores da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (ESALQ) constataram que, em indivíduos de copa mais ramificada e densa, o parasitoide Telenomus podisi atacou apenas metade dos ovos de Euschistus heros em comparação com plantas de estrutura mais simples.
O trabalho é assinado por Nathália Graziele Falcão Fernandes, Elianara Carvalho Cardoso, João Pedro Benaci Ayusso e Lessando Moreira Gontijo (doi 10.1002/ps.71241). Os autores atribuem o recuo à maior área e ao trajeto extra que o inseto benéfico precisa percorrer para localizar os ovos, o que compromete a eficiência de forrageamento.
Com menos ovos parasitados, a população do percevejo-marrom avançou mais depressa. Nas sojas de arquitetura complexa, o inseto-praga atingiu o nível de ação cerca de 10 dias antes do que nas plantas de copa simples.
Os indicadores demográficos acompanham esse padrão. A taxa finita de crescimento populacional de Euschistus heros chegou a 1,033 no cenário de plantas complexas e a 1,021 no de plantas simples. A taxa líquida de reprodução foi de 2,77 e 1,91, respectivamente. O tempo médio de geração variou pouco: 30,44 dias na soja complexa e 30,10 dias na simples.
A equipe também projetou, em modelo, a densidade de fêmeas do parasitoide necessária em lavoura com 280 mil plantas por hectare. Com ovos de Euschistus heros em 0,5% das plantas, a estimativa passou de 2.380 fêmeas de Telenomus podisi por hectare em sojas com oito folhas para 4.900 fêmeas por hectare em sojas com 20 folhas. Quando a infestação atingiu 1% das plantas, os valores subiram de 4.760 para 9.800 fêmeas por hectare. No patamar de 2% de plantas com ovos, o modelo indicou 9.520 fêmeas por hectare nas plantas de oito folhas e 19.600 nas de 20 folhas.
Trabalhos anteriores de modelagem no Brasil recomendam de 3 a 4 liberações, com pelo menos 5.000 fêmeas adultas de Telenomus podisi por hectare em cada aplicação.




