
Sorgo ganha espaço no Brasil e amplia importância no planejamento das lavouras
O sorgo vem ganhando espaço nas lavouras brasileiras impulsionado pela tolerância ao estresse hídrico, pelo avanço da genética e pela abertura de novos mercados. Além de integrar sistemas de rotação e alimentação animal, o cereal passou a contar com novas oportunidades de comercialização, incluindo a exportação para a China, fortalecida por embarques realizados pela COFCO International.
O sorgo vem ampliando sua presença nas lavouras brasileiras e deixando de ser visto apenas como uma alternativa para momentos de maior risco climático. A combinação entre rusticidade, evolução tecnológica e abertura de novos mercados coloca o cereal em posição cada vez mais estratégica dentro do sistema produtivo.
Na safra 2025/26, a produção brasileira está estimada em 7,62 milhões de toneladas pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), avanço em relação ao ciclo anterior.
Uma das principais características da cultura é a capacidade de enfrentar períodos de menor disponibilidade de água. Segundo o especialista Eloir Daltoé, o sorgo consegue permanecer por mais tempo sob estresse hídrico e retomar o desenvolvimento quando as condições melhoram. Seu sistema radicular profundo também favorece a exploração do solo e a ciclagem de nutrientes.
Eloir Daltoé
A rusticidade, no entanto, não significa que a cultura dispense manejo.
“Ele é rústico porque suporta o estresse hídrico e tem muita resiliência. Porém, é um material que necessita de nutrição”, explica Daltoé. Para ele, a falta de conhecimento técnico ainda é uma das principais barreiras para que o sorgo expresse todo o seu potencial produtivo.
Tecnologia e mercado impulsionam cultura
O avanço da genética também tem contribuído para mudar a percepção sobre o cereal. Atualmente, híbridos de maior potencial produtivo e materiais adaptados a diferentes ambientes ampliam as possibilidades de utilização da cultura.
Fora da porteira, dois movimentos ajudam a explicar o interesse crescente pelo sorgo. Um deles é a expansão das usinas de etanol de grãos no Centro-Oeste, aumentando a demanda por matérias-primas e criando novas oportunidades dentro das cadeias de alimentação animal.
Outro fator é a abertura do mercado chinês ao sorgo brasileiro. A China está entre os maiores compradores mundiais do cereal e utiliza o produto principalmente na alimentação animal, além da fabricação de bebidas e alimentos. Para Daltoé, esse novo destino pode representar uma mudança importante para a comercialização brasileira.
“A cereja do bolo é a China”, resume o especialista.
Apesar das novas oportunidades, Daltoé destaca que o crescimento do sorgo não deve ser interpretado como uma disputa direta com culturas tradicionais.
“Ele não vem para tirar o milho da propriedade, não vem para tirar a soja. Ele vem para se integrar ao sistema”, afirma.
Com maior resistência às adversidades climáticas, avanço dos híbridos e novos canais de comercialização, o sorgo passa, assim, a ocupar um espaço próprio dentro da estratégia das propriedades brasileiras.




