
Carrapato preocupa 80% dos pecuaristas do Sul, aponta pesquisa
Pesquisa encomendada pela Boehringer Ingelheim ao Datafolha, apresentada na Expointer 2026, mostra que 80% dos pecuaristas do Sul apontam o carrapato como principal desafio sanitário. O problema afeta o ganho de peso e a produção de leite, enquanto resistência aos antiparasitários, falhas de aplicação e características do rebanho gaúcho ajudam a explicar a dificuldade de controle. Especialistas reforçam a importância do manejo integrado e do acompanhamento veterinário.
O carrapato segue como um dos principais desafios da pecuária da região Sul. Pesquisa encomendada pela Boehringer Ingelheim ao Instituto Datafolha mostra que 80% dos produtores sulistas apontam o parasita como a principal preocupação sanitária dentro das propriedades.
O levantamento, apresentado durante a Expointer 2026, ouviu 460 tomadores de decisão de fazendas de corte e leite em diferentes regiões do Brasil.
Além da alta incidência, os produtores também percebem o impacto econômico causado pelos parasitas. Na região Sul, 51% estimam perdas superiores a dez quilos por animal ao ano.
Em entrevista à A Granja, Roberto Valdrighi, Gerente de Marketing da Boehringer Ingelheim, explicou que animais parasitados podem apresentar mudanças de comportamento, menor alimentação e redução no ganho de peso "Você percebe um animal com comportamento diferente, se alimentando pior e mais parado. Essa má alimentação afeta diretamente o ganho médio diário: ele começa a perder peso e, no gado leiteiro, você vê uma produção menor de leite no dia a dia. Então é uma perda direta para o produtor naquilo que a fazenda tem como entrega final. Esse é o grande impacto que um parasita tem no dia a dia da propriedade”. Na pecuária leiteira, o problema também pode refletir diretamente na produção de leite.
Roberto Valdrighi
A pesquisa mostra ainda que 66% dos pecuaristas do Sul consideram os antiparasitários eficientes, mas acreditam que os produtos já apresentaram maior duração no passado.
Segundo Roulber Silva, Gerente de Marketing e Médico Veterinário da Boehringer Ingelheim, uma das explicações está nas características da própria pecuária gaúcha. A forte presença de raças de origem europeia, mais suscetíveis ao carrapato, somada às condições climáticas favoráveis durante períodos como primavera e verão, aumenta a pressão do parasita sobre os rebanhos.
Roulber Silva
A perda de eficácia dos tratamentos, porém, não está relacionada apenas à resistência. Subdosagem, aplicação incorreta e escolha inadequada do momento de utilização também podem comprometer os resultados.
“A resistência não é o único problema. Tem a dose, a forma e o momento de aplicação. Às vezes você aplica no momento errado e acha que o produto não está funcionando, quando na verdade não é isso”, explica o veterinário.
Para melhorar o controle, a recomendação é trabalhar de forma integrada, com acompanhamento técnico, escolha adequada dos produtos e atenção ao momento de aplicação. Estratégias como rotação de princípios ativos e manejo das pastagens também podem auxiliar na redução da infestação.
Apesar dos desafios, o estudo mostra que o produtor sulista mantém atenção elevada à sanidade do rebanho. Em 46% das propriedades da região, há presença de um médico-veterinário pelo menos uma vez ao mês.




