Shell pode investir até R$3,5 bilhões para recapitalizar Raízen e evitar recuperação judicial, segundo fontes
Cana de Açucas & Alcool Marcelo Kozar·Publicado em 25/02/2026·5 mins de leituraGrátis

Shell pode investir até R$3,5 bilhões para recapitalizar Raízen e evitar recuperação judicial, segundo fontes

Shell planeja investir até 3,5 bilhões para recapitalizar Raízen diante de prejuízo bilionário.

Shell pode investir até R$3,5 bilhões para recapitalizar Raízen e evitar recuperação judicial, segundo fontes

Shell estuda aporte bilionário para recapitalizar a Raízen e evitar recuperação judicial

A Shell, parceira da Raízen em uma joint venture considerada estratégica no setor de açúcar, etanol e distribuição de combustíveis, está disposta a realizar uma injeção relevante de capital para reforçar o caixa da empresa e reduzir o risco de uma recuperação judicial, segundo pessoas familiarizadas com as negociações.

A Raízen, uma das maiores produtoras de açúcar do mundo e também uma das principais distribuidoras de combustíveis no Brasil, atravessa uma fase de forte estresse financeiro após registrar prejuízo líquido de R$ 15,6 bilhões no terceiro trimestre. Na ocasião, a companhia alertou para uma “incerteza relevante” sobre sua capacidade de continuar operando, sinalizando um ambiente de pressão sobre liquidez, alavancagem e geração de caixa.

Endividamento cresce após investimentos, clima instável e incêndios

Um dos pontos centrais da crise atual é a rápida escalada da dívida. A empresa viu sua dívida líquida atingir R$ 55,3 bilhões em 31 de dezembro, impulsionada por uma combinação de fatores: grandes investimentos, condições climáticas instáveis e incêndios em canaviais. Esses eventos contribuíram para menor rendimento agrícola e redução no volume de moagem, afetando diretamente o desempenho do segmento de açúcar e etanol, considerado o núcleo do negócio.

No mercado, o cenário reacendeu discussões sobre a necessidade de uma recapitalização robusta, combinando capital novo e possíveis desinvestimentos para recompor a estrutura financeira e sustentar a operação.

Shell sinaliza aumento do valor do aporte, sujeito a condições

Até a semana passada, a Shell estaria disposta a injetar R$ 2,5 bilhões na Raízen. Desde então, segundo fontes, a companhia indicou que poderia elevar a contribuição para até R$ 3,5 bilhões, valor que continuaria sujeito a condições a serem definidas em negociação.

Uma terceira fonte aponta que o apoio sugerido pela Shell teria aumentado nas últimas semanas e que nenhuma decisão está finalizada até que um acordo seja fechado. Ainda assim, a avaliação é de que a empresa listada em Londres estaria preparada para contribuir com um montante desproporcional em relação ao aporte de capital esperado de outros participantes envolvidos.

Estrutura societária

A Shell e a Cosan, sua parceira na joint venture, detêm 44% cada uma da Raízen, enquanto 12% das ações permanecem em livre circulação no mercado.

Cosan e Rubens Ometto avaliam contribuições adicionais

A Cosan, que também enfrenta desafios e passa por um processo de reestruturação financeira, poderia aportar cerca de R$ 1 bilhão, segundo pessoas com conhecimento do tema. Além disso, o presidente do conselho da Raízen, Rubens Ometto — que também é acionista da Cosan — poderia contribuir com até R$ 1 bilhão.

Essa contribuição, no entanto, estaria condicionada à concretização de um acordo de financiamento que ainda está em negociação, de acordo com as fontes.

Necessidade total pode ser bem maior, segundo credor

Embora os valores em discussão indiquem um reforço de curto prazo, um credor ouvido no mercado avaliou que, para recompor de forma mais consistente suas finanças, a Raízen precisaria de aproximadamente R$ 25 bilhões. Esse montante envolveria capital novo e também a receita da venda da unidade argentina, operação que poderia render cerca de US$ 1 bilhão.

O diagnóstico reforça a percepção de que a companhia busca uma solução ampla, com potencial combinação de aporte dos acionistas, reestruturação de passivos e desinvestimentos, para reduzir a pressão financeira e recuperar a confiança de credores e investidores.

Assessores são contratados e agências rebaixam notas de crédito

No início do mês, a Raízen nomeou os escritórios de advocacia Pinheiro Neto e Cleary Gottlieb, além da Rothschild & Co como consultora financeira, para avaliar alternativas estratégicas e financeiras. A medida foi interpretada como um passo para organizar um plano de ação diante do cenário de alavancagem elevada e deterioração de indicadores operacionais.

O anúncio, porém, foi seguido por rebaixamentos rápidos nas classificações de crédito por parte de grandes agências, incluindo S&P Global, Fitch e Moody’s, ampliando o custo de financiamento e a atenção do mercado para a necessidade de reforço de capital.

O que a Moody’s apontou

Em relatório, a Moody’s citou fatores que pressionam a empresa, como alta alavancagem, fluxo de caixa negativo recorrente e elevado ônus com juros. A agência também destacou resultados mais fracos do que o normal no segmento principal de açúcar e etanol, o que limita a capacidade de desalavancar apenas com desempenho operacional no curto prazo.


Resumo do cenário (pontos-chave)

  • Shell avalia aporte de até R$ 3,5 bilhões, condicionado a um acordo.

  • Cosan pode contribuir com R$ 1 bilhão; Rubens Ometto, com até R$ 1 bilhão (com condicionantes).

  • Raízen registrou prejuízo líquido de R$ 15,6 bilhões no terceiro trimestre.

  • Dívida líquida chegou a R$ 55,3 bilhões em 31 de dezembro.

  • Credor estima necessidade total de cerca de R$ 25 bilhões, incluindo venda de ativo na Argentina.

  • Empresa contratou assessores e sofreu rebaixamentos de rating por grandes agências.

Tabela: principais números citados

Indicador Valor Contexto Prejuízo líquido (3º tri) R$ 15,6 bilhões Resultado divulgado em meados de fevereiro Dívida líquida R$ 55,3 bilhões Posição em 31 de dezembro Aporte em avaliação (Shell) Até R$ 3,5 bilhões Valor citado como sujeito a condições Estimativa de reforço total R$ 25 bilhões Avaliação de credor, incluindo desinvestimentos

Procuradas, Shell, Cosan e Rubens Ometto não comentaram as informações. Enquanto as negociações avançam, o mercado segue acompanhando de perto os próximos passos, especialmente a definição do pacote de recapitalização, as condições do financiamento e o cronograma de eventuais vendas de ativos — pontos considerados decisivos para reduzir o risco de uma solução judicial e estabilizar a operação.

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