Irrigação 4.0 na cana-de-açúcar: Torre de Controle Agroindustrial viabiliza manejo remoto de pivôs, monitoramento em tempo real e eficiência hídrica
Cana de Açucas & Alcool Marcelo Kozar·Publicado em 23/02/2026·5 mins de leituraGrátis

Irrigação 4.0 na cana-de-açúcar: Torre de Controle Agroindustrial viabiliza manejo remoto de pivôs, monitoramento em tempo real e eficiência hídrica

Jalles implementa Irrigação 4.0: Torre de Controle permite acionamento remoto de pivôs e monitoramento.

Irrigação 4.0 na cana-de-açúcar: Torre de Controle Agroindustrial viabiliza manejo remoto de pivôs, monitoramento em tempo real e eficiência hídrica

Tecnologia na irrigação da cana avança com controle remoto e monitoramento em tempo real na Jalles

A irrigação vem se consolidando como um dos principais pilares para a sustentabilidade e a estabilidade da produção de cana-de-açúcar no Brasil, especialmente em regiões com alta variabilidade climática e chuvas irregulares. Na Jalles, empresa do setor bioenergético com operações em Goiás, esse processo é resultado de uma trajetória construída ao longo de mais de três décadas, marcada por investimento contínuo, adaptação a restrições hídricas e digitalização do manejo agrícola.

O tema foi apresentado pelo gestor de processos agrícolas da companhia, Patrick Francino Campos, durante o Encontro Técnico “Irrigação em cana-de-açúcar e seus desafios: variedades responsivas, produtividade e colheitabilidade”, promovido em setembro de 2025 pelo Grupo de Irrigação e Fertirrigação de Cana-de-açúcar (GIFC). Segundo o executivo, a estratégia da empresa se apoia em soluções sustentáveis e inovadoras, com foco em geração de valor e eficiência operacional — o que ajuda a explicar por que a irrigação foi incorporada ainda nos anos 1990, antes de se tornar tendência no setor.

Destaque: A empresa afirma ter evoluído de um modelo de irrigação de salvamento para um sistema integrado de irrigação suplementar com recursos digitais e tomada de decisão em tempo real.

Da irrigação de salvamento à irrigação suplementar

O cenário atual descrito pela Jalles inclui pivôs acionados à distância, lâminas de água ajustadas em tempo real e reservatórios monitorados por plataformas digitais. Esse nível de automação, porém, não surgiu de forma imediata. A irrigação começou como resposta a desafios agronômicos e climáticos de uma região com solos de baixa retenção hídrica e precipitações mal distribuídas ao longo do ano.

No início da década de 1990, a prática foi adotada com um objetivo específico: auxiliar no controle da lagarta-elasmo (Elasmopalpus lignosellus), praga que prejudica a brotação da cana e pode comprometer a formação do canavial. Naquele momento, os sistemas disponíveis eram mais simples, exigiam grande volume de mão de obra e operavam com equipamentos autopropelidos convencionais, o que impôs uma curva de aprendizado às equipes técnicas.

Com a experiência acumulada, a empresa avançou para uma estratégia mais estruturada. Em 1998, a unidade Jalles Machado (GO) se tornou uma das primeiras usinas do país a instalar pivôs de irrigação desenvolvidos especificamente para cana-de-açúcar, reforçando o papel da irrigação como ferramenta estratégica dentro do sistema produtivo.

Restrição hídrica e planejamento: o desafio da bacia do Alto Tocantins

As unidades Jalles Machado e Otávio Lage estão localizadas no início da bacia do Alto Tocantins, área caracterizada por pequenos cursos d’água e disponibilidade limitada para grandes projetos de captação. Nesse contexto, a expansão da irrigação exigiu planejamento detalhado e soluções voltadas ao uso racional da água.

A partir dos anos 2000, a empresa relatou investimentos em pivôs rebocáveis com lâminas reduzidas e na construção de barramentos, medida que ampliou a capacidade de regularização hídrica e contribuiu para maior previsibilidade do abastecimento. Com o tempo, a irrigação deixou de ser apenas uma “proteção” contra estiagens severas e passou a atuar de forma suplementar, contribuindo para ganhos consistentes de produtividade e maior estabilidade das safras, inclusive em anos climaticamente adversos.

Central de Operações e “Irrigação 4.0”

Um marco citado na evolução tecnológica foi a criação, em 2012, da Central de Operações de Irrigação (COI). Em 2020, o centro foi incorporado à Torre de Controle Agroindustrial, ambiente que, segundo a empresa, permite operar remotamente equipamentos e acompanhar indicadores de desempenho em campo.

  • Acionamento remoto de pivôs, motobombas e carretéis;
  • Monitoramento em tempo real dos níveis de reservatórios;
  • Acompanhamento do desempenho dos equipamentos de irrigação;
  • Gestão integrada voltada à eficiência hídrica e operacional.

De acordo com Campos, a iniciativa reforça a ideia de que a tecnologia pode apoiar a sustentabilidade e melhorar a gestão do trabalho no campo, reduzindo deslocamentos, padronizando rotinas e permitindo resposta mais rápida a variações de demanda hídrica.

Infraestrutura modernizada e foco em eficiência

Além de digitalizar o controle, a Jalles afirmou ter investido na modernização da infraestrutura de irrigação. Entre as mudanças citadas estão a substituição de motores simples, com vazão de 110 m³/h, por conjuntos duplos, com capacidade de até 220 m³/h, e o desenvolvimento de novos projetos de pivôs com lâminas anuais que podem chegar a 400 mm.

Também foram relatadas iniciativas para ampliar e reforçar a segurança hídrica, como a construção de novos barramentos e a ampliação de estruturas existentes, além da adoção de sistemas de gotejamento e da qualificação contínua da mão de obra.

Principais frentes de evolução (segundo a empresa)

Frente O que mudou Impacto esperado
Automação Operação remota de equipamentos e gestão centralizada Agilidade e padronização do manejo
Monitoramento Acompanhamento em tempo real de reservatórios e desempenho Decisão mais rápida e eficiência hídrica
Infraestrutura Modernização de motores, pivôs e ampliação de barramentos Maior confiabilidade e capacidade de operação
Tecnologias de aplicação Adoção de gotejamento e projetos com lâminas ajustadas Uso racional da água e estabilidade produtiva

Por que isso importa: produtividade, previsibilidade e sustentabilidade

A expansão de modelos digitais de irrigação é apontada como resposta a um cenário de maior incerteza climática, em que períodos de estiagem, ondas de calor e irregularidade de chuvas podem reduzir o potencial produtivo e aumentar custos de produção. Ao combinar infraestrutura, automação e monitoramento, o objetivo descrito pela Jalles é elevar a previsibilidade do manejo hídrico, reduzir perdas e sustentar níveis de produtividade em diferentes condições de safra.

Com a integração de controle remoto, gestão centralizada e investimentos em equipamentos mais eficientes, a empresa afirma ter consolidado sua entrada na chamada “Irrigação 4.0”.


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