
O governo federal avalia lançar um volume de crédito rural em torno de R$ 550 bilhões no Plano Safra 2026/27, com taxas de juros inferiores a 10%. A informação foi apresentada pelo ministro da Agricultura, André de Paula, durante participação em evento na Associação Comercial de São Paulo, nesta terça-feira (2/6).
Segundo o ministro, o montante é considerado “razoável” e a prioridade da equipe econômica e do setor agropecuário é garantir que o crédito chegue ao produtor com condições compatíveis com a realidade do campo, especialmente em um cenário de custos elevados e maior exposição a riscos climáticos.
Ao comentar as discussões internas sobre o próximo Plano Safra, André de Paula destacou que anunciar números elevados não é suficiente caso as taxas de juros inviabilizem o uso do crédito. Para o ministro, a efetividade do programa depende diretamente da combinação entre volume de recursos e custo financeiro.
“Por mais que possamos entender que não podemos deixar de anunciar números robustos, se não tivermos juros compatíveis com a realidade do produtor, a eficácia da medida fica comprometida.”
O ministro ressaltou que as negociações sobre as condições do Plano Safra ocorrem de forma transversal dentro do governo. No entanto, ele não detalhou como avançam as tratativas para garantir o orçamento necessário para a equalização das taxas de juros nas linhas controladas — mecanismo que permite ofertar financiamentos mais baratos ao produtor rural.
De acordo com André de Paula, a expectativa do governo é anunciar o crédito rural para a próxima safra em 1º de julho, em uma espécie de “pré-agenda” já em discussão.
O ministro também afirmou que defenderá internamente as demandas do setor agropecuário, mas pontuou que a decisão final será do presidente.
“Temos legitimidade e condição de brigar pelo que interessa ao setor, mas, ao fim e ao cabo, diante dos desafios, o governo deve ter uma posição só. Eu vou lutar para que o governo tenha a melhor posição possível para o setor e a decisão final caberá ao presidente Lula.”
Em 2025, o governo anunciou R$ 516,2 bilhões para a agricultura empresarial e mais R$ 89 bilhões destinados à agricultura familiar. Agora, a discussão para 2026/27 indica um patamar mais elevado, com a sinalização de juros abaixo de 10% como elemento central para garantir adesão e impacto.
Indicador Plano Safra 2025 Plano Safra 2026/27 (estimativa) Crédito para agricultura empresarial R$ 516,2 bilhões Em torno de R$ 550 bilhões Crédito para agricultura familiar R$ 89 bilhões Não informado Taxas de juros Variáveis por linha < 10% (sinalização do governo)
Além do volume geral do Plano Safra, o ministro anunciou a ampliação de uma linha especial de crédito voltada à modernização de máquinas agrícolas. O programa, que havia sido divulgado anteriormente com recursos de R$ 10 bilhões, deve passar para R$ 14 bilhões.

Resumo: O texto analisa o impacto do Desenrola Brasil, destacando que a renegociação de dívidas foi voltada principalmente ao urbano, deixando o setor rural à margem. O autor enfatiza que o endividamento no campo resulta de condições adversas — seca, irregularidade hídrica, variações de preços, aumento de custos e dificuldades logísticas — e não apenas de má gestão. Enquanto famílias urbanas receberam descontos e....

Segundo André de Paula, o novo valor representa uma extensão da iniciativa anunciada durante uma das principais feiras de tecnologia agrícola do país. As condições completas devem ser detalhadas na próxima semana, durante a Bahia Farm Show, em Luís Eduardo Magalhães (BA).
O ministro confirmou as taxas que devem orientar a linha de modernização de maquinário, mantendo a proposta de juros de “um dígito”.
8,5% ao ano para operações via BNDES;
9,5% ao ano para operações com demais agentes financeiros.
Com o anúncio das condições, a expectativa do governo é destravar negociações e permitir que os produtores formalizem operações com parâmetros mais vantajosos.
Questionado sobre o endividamento elevado dos produtores, André de Paula afirmou que o governo reconhece o desafio de manter o crédito acessível, especialmente em um contexto de margens pressionadas e oscilação de renda no campo.
Ele defendeu a redução de juros e reforçou a importância do seguro rural como instrumento para diminuir o risco das operações e aumentar a previsibilidade. Na avaliação do ministro, a intensificação de eventos climáticos adversos torna o seguro um componente estratégico para a sustentabilidade do financiamento.
“As questões climáticas estão cada vez mais presentes. E quando trabalho com seguro, tem maior garantia, mais segurança e as taxas de juros tendem a ser mais razoáveis.”
O ministro também comentou que os resultados de geração de negócios nas grandes feiras de tecnologia agrícola refletem um momento mais difícil no campo. Um dos principais eventos do setor registrou intenção de negócios de R$ 11,4 bilhões, com queda de 22% em relação ao resultado anterior de R$ 14,6 bilhões.
Para o governo, programas de crédito com juros menores e linhas específicas para investimento, como a modernização de máquinas, podem ajudar a recompor a capacidade de compra e acelerar a retomada de decisões de investimento no setor.
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Resumo: O texto analisa o impacto das tarifas e de conflitos internacionais sobre o agronegócio Brasil–Estados Unidos. Trump retirou alguns produtos da lista de tarifas agrícolas, o que reduziu a pressão inflacionária sobre alimentos, porém a relação comercial continua afetada por custos elevados e pela busca de outros mercados pelos americanos. Em termos de consumo, alimentação representa 13,6% das despesas dos brasileiros, enquanto no Brasil esse peso é quase o dobro em relação aos EUA (aprox. 26%).