
A exclusão do setor rural do Desenrola Brasil tem sido alvo de críticas por parte de representantes do agro, que apontam uma contradição na estratégia de combate à inadimplência: enquanto o governo federal estruturou um programa para renegociar dívidas de famílias e pequenos empreendedores nas cidades, o campo — mais exposto a riscos climáticos e oscilações de custos — permaneceu praticamente sem uma política equivalente.
Para produtores rurais, o endividamento no agro nem sempre está ligado à falta de planejamento. Muitas dívidas surgem a partir de fatores fora do controle do agricultor e do pecuarista, como seca prolongada, pragas, perdas de safra, alta repentina no custo da ração e queda inesperada nos preços de mercado. Quando esses eventos se acumulam, a inadimplência deixa de ser apenas um problema financeiro e passa a ameaçar a continuidade da produção.
O Desenrola Brasil foi lançado com a proposta de reduzir a inadimplência e reaquecer a economia por meio da renegociação de dívidas, oferecendo condições mais viáveis e descontos para facilitar a reorganização financeira. A lógica defendida por especialistas é que, quando famílias e pequenos empreendedores ficam excessivamente endividados, há perda de dinamismo econômico, queda no consumo e menor circulação de renda.
No entanto, o contraste apontado por lideranças do setor produtivo é que, para o meio urbano, houve mobilização institucional, desenho de programa e discurso de reconstrução financeira. Já para o setor rural — que convive com riscos permanentes e imprevisíveis — predominou a ausência de uma solução estruturada.
A avaliação de representantes do agro é que o governo reconheceu a necessidade de dar “uma segunda chance” às famílias endividadas nas cidades, mas não aplicou o mesmo raciocínio a quem produz alimentos sob forte instabilidade climática e econômica.
Produtores argumentam que comparar o ambiente econômico urbano ao rural ignora um ponto central: no campo, a previsibilidade é menor. Mesmo com gestão e planejamento, fatores externos podem comprometer o fluxo de caixa e a capacidade de pagamento, principalmente em ciclos de safra ruins ou em períodos de custo elevado de insumos.
A crítica ao desenho do Desenrola é que, ao desconsiderar as especificidades do produtor rural brasileiro, o programa falha não apenas como medida técnica, mas como decisão de política pública. Para o setor, renegociar dívidas no campo não significa somente recuperar capacidade de consumo: significa preservar produção, manter empregos, evitar abandono da atividade e proteger a segurança alimentar.
Continuidade produtiva: evita que propriedades interrompam atividades por falta de crédito e capital de giro.
Estabilidade de empregos: reduz o risco de demissões em cadeias produtivas locais.

O ministro da Agricultura, André de Paula, afirmou que o governo estuda abrir um volume de crédito rural próximo de R$ 550 bilhões para o Plano Safra 2026/27, com taxas de juros inferiores a 10% ao ano, considerado um patamar “razoável” para caber no bolso dos produtores. A expectativa é....

Proteção do abastecimento: mitiga impactos sobre oferta de alimentos e preços ao consumidor.
Economia regional: preserva a circulação de renda em municípios dependentes do agro.
No Rio Grande do Norte, a ausência de uma política robusta de renegociação é apontada como ainda mais sensível. O estado convive historicamente com irregularidade hídrica, secas prolongadas e custos logísticos elevados, fatores que pressionam a produção e aumentam o risco de endividamento.
Mesmo diante desse cenário, produtores seguem investindo e sustentando cadeias produtivas relevantes para a economia local. Porém, o setor alerta que é inviável manter a atividade por longos períodos sem acesso adequado ao crédito ou carregando dívidas incompatíveis com a capacidade real de pagamento.
A reivindicação central do setor rural não é por tratamento especial, mas por coerência na política de enfrentamento da inadimplência. Se o governo entendeu que a renegociação de dívidas urbanas era necessária para reativar a economia, representantes do agro argumentam que a mesma lógica deveria ser aplicada — com urgência — ao setor responsável por produzir alimentos e sustentar parcela importante do PIB.
O alerta é que, quando um produtor quebra, as consequências não ficam restritas à propriedade. O impacto atinge o comércio local, o emprego, a arrecadação municipal e o abastecimento. Na avaliação de lideranças do setor, um programa de renegociação voltado ao campo pode representar não apenas alívio financeiro, mas uma ferramenta de reconstrução econômica em áreas onde o agro é a principal base de renda.
Ponto O que produtores afirmam Endividamento rural Muitas vezes decorre de clima, pragas, custos e preços, não de irresponsabilidade. Desenrola Brasil Estruturado para o urbano, mas com pouca resposta às necessidades do campo. Consequências Risco de abandono da atividade, perda de empregos e impacto na segurança alimentar. Regiões vulneráveis Estados com seca e logística cara sentem mais os efeitos da falta de renegociação.
Para o setor rural, a forma como a inadimplência vem sendo tratada aponta para um risco de exclusão silenciosa em políticas de recuperação econômica. O debate agora se concentra na necessidade de instrumentos que considerem as características do campo e garantam condições reais para que produtores consigam renegociar passivos e seguir produzindo.
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Resumo: O texto analisa o impacto das tarifas e de conflitos internacionais sobre o agronegócio Brasil–Estados Unidos. Trump retirou alguns produtos da lista de tarifas agrícolas, o que reduziu a pressão inflacionária sobre alimentos, porém a relação comercial continua afetada por custos elevados e pela busca de outros mercados pelos americanos. Em termos de consumo, alimentação representa 13,6% das despesas dos brasileiros, enquanto no Brasil esse peso é quase o dobro em relação aos EUA (aprox. 26%).