
Nova regra determina que metade do etanol misturado à gasolina venha da cana-de-açúcar, elevando a demanda por matéria-prima e pressionando a capacidade industrial do país.
A decisão do governo do Paraguai de exigir que 50% do etanol misturado à gasolina seja obrigatoriamente oriundo da cana-de-açúcar reposiciona o país como uma nova fronteira de expansão para o setor sucroenergético na América do Sul. A medida fortalece a produção nacional, dá prioridade legal à cana na matriz de biocombustíveis e tende a reduzir o espaço relativo do etanol de milho, que passa a atuar como fonte complementar.
Desde o ano passado, já está em vigor no país um percentual de 30% de mistura de etanol na gasolina. Com a nova exigência, o mercado se ajusta para atender a um consumo maior de biocombustível com foco na cana, o que pode acelerar investimentos agrícolas e, principalmente, industriais — ponto considerado decisivo para transformar potencial em produção.
Destaque: A nova política pode exigir entre 50% e 100% mais cana nos próximos anos, segundo estimativas do setor, elevando a produção anual para um patamar entre 10 milhões e 15 milhões de toneladas.
Hoje, o Paraguai produz entre 6 milhões e 7 milhões de toneladas de cana por ano, cultivadas em cerca de 90 mil hectares, com produtividade média entre 65 e 75 toneladas por hectare. Embora não seja um grande produtor global, o país se destaca como exportador relevante de açúcar orgânico, com estratégia voltada a nichos de maior valor agregado e integração de pequenos produtores na cadeia.
Entidades locais reforçam o peso econômico da cultura e apontam a necessidade de ampliar a base produtiva. Estimativas do setor indicam que cerca de 30 mil agricultores participam da cadeia e aproximadamente 2,6 milhões de toneladas são processadas dentro da base industrial formal.
A nova regra de mistura tende a gerar uma pressão direta sobre a oferta de matéria-prima. Pelas projeções do setor, o país pode ser empurrado para um patamar entre 10 milhões e 12 milhões de toneladas em um cenário considerado mais provável, com expansão moderada da área plantada para algo entre 150 mil e 180 mil hectares. Esse movimento representaria crescimento de até 100% em relação à produção atual, ao longo dos próximos anos.
Analistas avaliam que a mudança regulatória não beneficia apenas a indústria local. Há expectativa de que o novo ambiente possa atrair investimentos de usinas brasileiras no país vizinho, impulsionando a expansão do parque industrial e a profissionalização da cadeia.
Antes: mistura de etanol na gasolina já opera em 30% no país.
Agora: regra exige que 50% do etanol misturado seja de cana-de-açúcar.

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Efeito esperado: aumento expressivo da demanda por cana e necessidade de ampliar a capacidade de processamento.
Apesar da disponibilidade de áreas aptas ao cultivo, a expansão deve ocorrer de forma gradual, com avanços regionalizados e condicionados à ampliação da capacidade industrial e à consolidação de um mercado de etanol com demanda firme.
Diferentemente de culturas como soja e milho, a cana-de-açúcar depende diretamente da proximidade com usinas por razões logísticas e de qualidade da matéria-prima. Por isso, o crescimento do setor no Paraguai tende a ser mais limitado pela indústria do que pela terra disponível.
Atualmente, o país conta com cerca de 12 a 14 unidades industriais, muitas com capacidade restrita. Em termos práticos, cada usina processa entre 1 milhão e 3 milhões de toneladas por ano. Isso define um teto operacional: sem novas plantas, expansão de moagem e melhorias logísticas, o potencial agrícola dificilmente se transforma em aumento efetivo de produção e oferta de etanol.
Indicador Situação atual Cenário de expansão Produção anual de cana 6–7 milhões de toneladas 10–15 milhões de toneladas Área cultivada ~90 mil hectares 150–180 mil hectares Produtividade média 65–75 t/ha Dependente de investimento, manejo e indústria Usinas em operação 12–14 unidades Expansão condicionada a novos investimentos
Na comparação com outros países sul-americanos, o Paraguai ainda está longe da escala brasileira — o Brasil produz entre 600 milhões e 700 milhões de toneladas de cana ao ano. A Argentina opera em torno de 20 milhões, enquanto a Bolívia produz cerca de 12 milhões de toneladas. Ainda assim, o avanço paraguaio é visto como relevante: em um cenário considerado factível, o país poderia alcançar algo entre 10 milhões e 18 milhões de toneladas, ampliando seu papel regional na oferta de energia renovável e derivados da cana.
Um dado técnico sustenta a possibilidade de expansão: estimativas do setor indicam que o Paraguai teria aproximadamente 500 mil hectares aptos ao cultivo de cana-de-açúcar. Como hoje a cultura ocupa apenas uma fração desse total, há margem agrícola para crescer. O consenso, porém, é que a disponibilidade de terra não será suficiente sem investimentos em industrialização, logística e capacidade de absorção do mercado.
Para entidades ligadas ao biocombustível, políticas públicas voltadas ao aumento de produção e à atração de capital podem posicionar o país como um fornecedor regional relevante de energia renovável. Na prática, a nova exigência de mistura cria um incentivo regulatório que tende a reorganizar a cadeia: do campo às usinas, passando por planejamento de expansão, infraestrutura e garantia de demanda.
Em síntese: a prioridade do etanol de cana na gasolina pode acelerar a expansão do setor no Paraguai, mas o ritmo do crescimento dependerá menos da terra e mais de capacidade industrial, investimento e estrutura para sustentar o novo patamar de demanda.
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