
Metal recua apesar do papel de ativo-refúgio; mercado volta as atenções para a inflação norte-americana e os próximos passos da política monetária.
O ouro opera em território negativo nesta terça-feira (12) e volta a recuar abaixo da marca de 4700 dólares por onça, em um pregão marcado por cautela e pessimismo diante dos desdobramentos no Médio Oriente. Embora o metal seja historicamente associado ao status de ativo-refúgio em períodos de instabilidade geopolítica, a leitura do mercado neste momento é mais complexa: a escalada dos preços da energia eleva o risco de pressões inflacionistas globais, o que pode induzir bancos centrais a manterem ou até reforçarem uma postura de política monetária restritiva.
Na manhã desta terça, o ouro recuava 0,8%, para 4698,41 dólares por onça, após ter ensaiado uma alta durante a madrugada. O movimento ocorre enquanto investidores recalibram expectativas sobre a trajetória da inflação, o comportamento do dólar e a resposta das autoridades monetárias ao choque de energia associado à guerra.
O noticiário internacional contribuiu para manter o sentimento de risco elevado. Em declaração a jornalistas na Casa Branca, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que o acordo de cessar-fogo com o Irã está em “suporte de vida”, após rejeitar uma contraproposta iraniana ao plano de 14 pontos apresentado para encerrar o conflito. A fala adicionou incerteza ao cenário e reforçou a percepção de que as negociações podem se prolongar.
“Os movimentos do ouro reforçam como o ativo continua a ser negociado menos como um refúgio seguro e mais como um indicador de risco macroeconômico, preso entre o petróleo e a inflação, as expectativas sobre a política monetária, a dinâmica do dólar e o sentimento de risco.”
— Avaliação de estrategista de mercado
Em outras palavras, a alta do petróleo e de derivados — frequentemente associada a choques geopolíticos — pode aumentar o custo de vida, pressionar índices de preços e, por consequência, reduzir a chance de cortes de juros no curto prazo. Para o ouro, isso é relevante porque juros mais altos tendem a elevar o custo de oportunidade de manter posições no metal, que não gera rendimento.
O mercado acompanha, com atenção, a divulgação dos dados de inflação dos Estados Unidos referentes a abril, prevista para esta terça-feira. A leitura é considerada decisiva para a precificação de juros e para a avaliação de quão persistentes podem ser os efeitos indiretos do conflito e do choque de energia sobre os preços.
Economistas esperam aceleração da inflação de 3,3% para 3,7% no mês, refletindo principalmente a escalada dos preços de energia e afastando o índice da meta de 2% perseguida pela autoridade monetária. Dirigentes do banco central já indicaram que monitoram de perto como o encarecimento do petróleo pode contaminar outros componentes do índice de preços.
Preço do petróleo e energia: impacto direto e indireto na inflação.
Expectativas de juros: chance de manutenção ou aperto monetário.
Dólar: variações cambiais afetam o preço do ouro em moeda norte-americana.
Sentimento de risco: busca por proteção pode aumentar, mas nem sempre se traduz em alta imediata.
A direção dos preços do ouro também reflete o debate sobre a política monetária nos Estados Unidos. Investidores ainda enxergam a manutenção das taxas em 2026, mas cresce a probabilidade de que o banco central adote um viés mais duro diante da inflação resistente. No mercado de swaps, aumentaram as apostas de que pode haver aperto monetário até o fim do ano, e uma elevação de 25 pontos-base é vista como possibilidade.
Essa reprecificação de juros costuma pressionar o ouro por dois canais: fortalece o dólar e aumenta os rendimentos de ativos de renda fixa, tornando o metal relativamente menos atraente. Ainda assim, a volatilidade geopolítica pode manter a demanda por proteção ativa, o que ajuda a limitar quedas mais intensas.
Fator Efeito esperado Impacto potencial no ouro Energia em alta Pressiona inflação Tende a reduzir expectativa de cortes de juros Inflação acima do esperado Reforça postura restritiva Pode pressionar preços do ouro Escalada geopolítica Aumenta aversão ao risco Pode amparar demanda por proteção Dólar mais forte Encarece ouro para outros países Costuma pesar sobre cotações
A queda do ouro, mesmo com o agravamento do cenário externo, sinaliza que parte do mercado está tratando o metal menos como refúgio e mais como um termômetro de condições financeiras. Com a inflação reacendendo e o risco de juros mais altos voltando ao radar, a estratégia de proteção migra, em alguns casos, para ativos sensíveis ao dólar e a rendimentos.
Ainda assim, o comportamento do metal pode mudar rapidamente dependendo do resultado dos dados de inflação e de novas sinalizações sobre o conflito no Médio Oriente. Caso a inflação surpreenda para cima e reforce a percepção de aperto monetário, o ouro pode continuar pressionado. Se, por outro lado, houver alívio nos preços de energia ou sinais de estabilização geopolítica, o mercado pode recalibrar posições e reduzir a volatilidade.
Por ora, o dia é de atenção máxima ao dado de inflação dos EUA e às implicações para a trajetória de juros — um conjunto de fatores que tem ditado o ritmo do ouro e sustentado a instabilidade nas cotações.

O dólar caiu 0,10% frente ao real, cotado a R$ 5,1721. O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, recuou 0,70%, aos 168.619 pontos. Fonte: g1, 10/6/26.

Resumo: Em 9 de junho de 2026, o mercado mundial de café apresentou flutuações mistas. O Robusta na bolsa de Londres reverteu a tendência, com os contratos de julho e setembro de 2026 subindo para US$ 3.333/ton (+0,51%) e US$ 3.260/ton (+0,84%), respectivamente. O Arábica na NYSE/ICE caiu, com o contrato de julho de 2026 em 245,9 centavos de dólar por libra (-0,24%) e o de setembro em 241,65 centavos de dólar por libra (-0,19%). No Brasil, a bolsa local registrou movimentos opostos: julho de 2026 a 305,3 centavos/lb (-8,75), e setembro de 2026 a 296,95 centavos/lb (+4,65). Segundo a Reuters, o Arábica permanece no menor nível em 19 meses, enquanto o Robusta recupera após uma queda na semana anterior, com a colheita brasileira pressionando os preços. A desvalorização do real frente ao dólar também ajudou a ampliar a oferta, incentivando vendas para exportação. No Vietnã, as exportações dos primeiros quatro meses de 2026 chegaram a cerca de 791.090 toneladas, +9,4% em volume, mas o valor caiu 10,5% para US$ 3,7 bilhões, refletindo a fraqueza de preços globais. Enquanto isso, a demanda na Indonésia cresce à medida que cafeicultores aguardam uma colheita abundante em julho, em meio a estoques limitados no Vietnã. Fonte: Reuters e dados de mercados.

As cotações globais de café seguem em queda, com Arábica atingindo o menor nível em 19 meses e Robusta o mais baixo em 7 semanas, impulsionadas por contratos futuros mornos no curto prazo. Na bolsa de Londres, Robusta julho/2026 caiu para US$ 3.352 por tonelada (-0,56%), e setembro/2026 para US$ 3.270/t (-0,24%). Na NY, Arábica julho/2026 caiu para 247,15 cents por libra (-2,35%), e setembro/2026 para 242,4 cents (-2,10%).

Resumo: Em 4 de junho, os preços da soja recuaram: a soja (incluindo o variant seeds) caiu cerca de 2,1% para US$ 415/tonelada e a soja seca recuou 2,21% para US$ 345,8/t; o óleo de soja teve a maior pressão, com queda de 3% para US$ 1.682/t. O índice MXV de produtos agrícolas fechou em 1.423 pontos. A queda é atribuída à liquidação de posições compradas por fundos de investimento. Além disso, a queda foi ampliada pela fraqueza do petróleo, que pressionou o setor de biocombustíveis e o óleo de soja.

Os mercados globais de commodities fecharam em movimento positivo, com o MXV subindo 1,15% e atingindo 2.918 pontos, em seu nono pregão consecutivo de ganhos impulsionado pelos efeitos indiretos do setor de energia diante das tensões no Oriente Médio.