
O mercado internacional de café abriu a terça-feira (9) com movimentos mistos nas principais bolsas. Enquanto o robusta voltou a ganhar força na bolsa de Londres, o arábica manteve a sequência de baixas em Nova York, tocando o menor patamar em 19 meses.
Na bolsa de Londres, os contratos futuros de café robusta inverteram a direção e registraram alta nesta manhã. O movimento ocorre após a commodity ter sofrido perdas relevantes na semana anterior, quando o robusta acumulou queda de cerca de 5%, segundo relatos de mercado.
Julho/2026: alta de 0,51% (equivalente a US$ 17 por tonelada), para US$ 3.333/ton
Setembro/2026: avanço de 0,84% (cerca de US$ 27 por tonelada), para US$ 3.260/ton
A recuperação do robusta ocorre em um cenário de ajustes técnicos e reprecificação após a queda recente, enquanto participantes do mercado continuam atentos ao ritmo de oferta em diferentes origens produtoras.
Já na bolsa de Nova York, o café arábica seguiu pressionado, com novas perdas generalizadas. O contrato com vencimento em julho registrou o sexto dia consecutivo de queda, reforçando a tendência de enfraquecimento observada desde a semana passada.
Julho/2026: queda de 0,24% (aproximadamente 0,6 centavo de dólar por libra), para 245,9 centavos de dólar/libra
Setembro/2026: baixa de 0,19% (cerca de 0,45 centavo de dólar por libra), para 241,65 centavos de dólar/libra
Com esse desempenho, o arábica permaneceu no nível mais baixo em 19 meses, refletindo a combinação de oferta mais abundante e um ambiente cambial que favorece exportações em países-chave.
No Brasil, os preços do arábica também mostraram comportamento misto ao final da última sessão. A divergência entre vencimentos sugere ajuste de expectativas do mercado em relação ao fluxo de colheita e à dinâmica de exportação.
Contrato Preço Variação Julho/2026 305,3 centavos/lb -8,75 centavos/lb (queda em relação ao dia anterior) Setembro/2026 296,95 centavos/lb +4,65 centavos/lb (alta em relação à sessão anterior)
A leitura do mercado é de que a colheita em andamento no Brasil segue como um dos principais vetores de pressão sobre as cotações, ampliando a disponibilidade física e influenciando as negociações internacionais.
Informações de mercado apontam que o café tem oscilado em direções opostas entre robusta e arábica. O robusta conseguiu se recuperar após o recuo recente, enquanto o arábica continuou perdendo valor, sustentado em patamares que não eram vistos havia mais de um ano e meio.
Entre os fatores acompanhados de perto está a atividade de colheita no Brasil, citada por operadores como elemento que aumenta a oferta e contribui para manter as cotações sob pressão no curto prazo. A percepção de produção elevada reforça o sentimento de mercado, especialmente para o arábica.
O avanço da colheita brasileira continua sendo um ponto central para a formação de preços, ao mesmo tempo em que o mercado reage a sinais de oferta e ao comportamento do câmbio.
Outro componente destacado é a desvalorização do real, que atingiu o menor nível em dois meses frente ao dólar no início da semana. Em termos práticos, um real mais fraco tende a estimular vendas externas por tornar a exportação mais atrativa para produtores e exportadores, aumentando o volume ofertado ao mercado internacional.
Na Ásia, o cenário segue heterogêneo. No Vietnã, o comércio é descrito como relativamente calmo, em meio a oferta limitada. Agricultores têm preferido reter estoques diante de preços considerados baixos, reduzindo a disponibilidade imediata para embarque.
Em contrapartida, a demanda na Indonésia mostra sinais de aumento, diante da expectativa de uma colheita abundante em julho. Esse comportamento pode alterar o fluxo regional de oferta, influenciando especialmente o mercado de robusta, mais sensível às origens asiáticas.
Dados oficiais do Vietnã indicam que, nos primeiros quatro meses de 2026, o país exportou cerca de 791.090 toneladas de café, representando aumento de 9,4% no volume.
Apesar disso, a receita com as exportações somou aproximadamente US$ 3,7 bilhões, uma queda de 10,5% na comparação com o mesmo período de 2025. A explicação está na continuidade do recuo dos preços no mercado mundial, reduzindo o valor agregado mesmo com embarques mais fortes.
Em foco: o descompasso entre volume exportado e valor recebido reforça como a queda das cotações internacionais tem afetado a rentabilidade do comércio global de café.
Para os próximos pregões, agentes do setor devem acompanhar três pontos principais:
Ritmo da colheita no Brasil e a velocidade com que o produto chega ao mercado, influenciando a oferta disponível.
Oscilações cambiais, especialmente o comportamento do real frente ao dólar, que pode estimular ou reduzir o fluxo de exportação.
Sinais de oferta e demanda na Ásia, com atenção ao Vietnã (estoques retidos) e à Indonésia (expectativa de safra volumosa).
Com robusta e arábica caminhando em direções diferentes, a tendência é de que a volatilidade continue elevada, enquanto o mercado tenta calibrar o peso da oferta brasileira, o apetite de compra e o impacto do câmbio nas origens exportadoras.

O dólar caiu 0,10% frente ao real, cotado a R$ 5,1721. O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, recuou 0,70%, aos 168.619 pontos. Fonte: g1, 10/6/26.

As cotações globais de café seguem em queda, com Arábica atingindo o menor nível em 19 meses e Robusta o mais baixo em 7 semanas, impulsionadas por contratos futuros mornos no curto prazo. Na bolsa de Londres, Robusta julho/2026 caiu para US$ 3.352 por tonelada (-0,56%), e setembro/2026 para US$ 3.270/t (-0,24%). Na NY, Arábica julho/2026 caiu para 247,15 cents por libra (-2,35%), e setembro/2026 para 242,4 cents (-2,10%).

Resumo: Em 4 de junho, os preços da soja recuaram: a soja (incluindo o variant seeds) caiu cerca de 2,1% para US$ 415/tonelada e a soja seca recuou 2,21% para US$ 345,8/t; o óleo de soja teve a maior pressão, com queda de 3% para US$ 1.682/t. O índice MXV de produtos agrícolas fechou em 1.423 pontos. A queda é atribuída à liquidação de posições compradas por fundos de investimento. Além disso, a queda foi ampliada pela fraqueza do petróleo, que pressionou o setor de biocombustíveis e o óleo de soja.

O ouro operou em queda nesta terça-feira, negociado em torno de 4.698,41 dólares por onça, pressionado pela escalada dos preços da energia e pelos conflitos no Médio Oriente. O metal segue mais como indicador de risco macroeconómico do que refúgio seguro, oscilando entre petróleo, inflação, o dólar e as expectativas sobre a política monetária da Fed. As declarações de Donald Trump sobre o Irã — chamando a contraproposta de “um pedaço de lixo” e afirmando que o acordo está em “suporte de vida” — aumentam a incerteza. O mercado projeta, contudo, a possibilidade de aperto da Fed até o fim do ano, com a probabilidade de uma subida de 25 pontos-base ainda na mesa. Economistas esperam que a inflação norte-americana de Abril tenha acelerado de 3,3% para 3,7%.

Os mercados globais de commodities fecharam em movimento positivo, com o MXV subindo 1,15% e atingindo 2.918 pontos, em seu nono pregão consecutivo de ganhos impulsionado pelos efeitos indiretos do setor de energia diante das tensões no Oriente Médio.