
Commodities em alta com energia em foco: açúcar sobe com demanda por etanol, milho dispara
Os mercados globais de commodities fecharam em movimento positivo, com o MXV subindo 1,15% e atingindo 2.918 pontos, em seu nono pregão consecutivo de ganhos impulsionado pelos efeitos indiretos do setor de energia diante das tensões no Oriente Médio.
Commodities sobem com tensão no Oriente Médio, e alta do etanol pressiona oferta de açúcar
Os mercados globais de commodities encerraram o pregão em alta, impulsionados por efeitos indiretos do setor de energia em meio às tensões geopolíticas no Oriente Médio. O movimento reforçou o apetite por alternativas energéticas e elevou, em especial, as cotações de açúcar e milho, dois produtos agrícolas com forte peso na cadeia de alimentos e biocombustíveis.
Ao final do dia, o índice MXV avançou 1,15%, para 2.918 pontos, registrando o nono pregão consecutivo de ganhos. O desempenho refletiu a combinação de risco geopolítico, custos energéticos elevados e expectativa de restrição de oferta em algumas cadeias.
Açúcar dispara com migração para etanol e preocupação com energia
O mercado global de açúcar registrou alta significativa, em grande parte atribuída ao aumento da demanda por etanol. A leitura do mercado é de que as preocupações com possíveis interrupções no fluxo de energia em rotas estratégicas elevaram o interesse por combustíveis alternativos, estimulando usinas a direcionarem mais matéria-prima para a produção de biocombustível.
Com isso, o etanol ganhou protagonismo e passou a disputar espaço com a produção de açúcar, o que reduz a disponibilidade do produto no mercado internacional e tende a sustentar preços mais altos no curto prazo. A dinâmica é especialmente relevante em países onde a indústria sucroenergética possui flexibilidade para alternar o mix produtivo, reagindo rapidamente a sinais de preço.
A combinação de energia cara e incerteza geopolítica reforça a atratividade do etanol, pressionando a oferta global de açúcar.
Brasil: queda do açúcar e avanço do etanol no Centro-Sul
No Brasil, maior produtor mundial de açúcar, os números recentes do Centro-Sul sinalizaram uma mudança importante no ritmo de produção. Na primeira quinzena de abril, a produção de açúcar alcançou 541 mil toneladas, representando uma queda de 26,4% em comparação com o mesmo período do ano anterior.
Em sentido oposto, a produção de etanol aumentou 23,5%, totalizando 1,13 bilhão de litros. Para o mercado, esse deslocamento contribui diretamente para uma redução da oferta global de açúcar, elevando o suporte às cotações internacionais.
Mercado futuro: açúcar bruto e refinado sobem com força
No mercado futuro, as cotações acompanharam a leitura de aperto de oferta e maior demanda por biocombustíveis. O açúcar bruto para entrega em julho subiu 3,79%, atingindo US$ 325,62 por tonelada. Já o açúcar refinado avançou 2,75%, para US$ 444,8 por tonelada.
No Vietnã, os preços domésticos do açúcar permaneceram estáveis, na faixa de VND 16.000 a VND 16.700 por quilo, dependendo da região. A estabilidade foi atribuída a uma demanda mais fraca associada ao período de feriado.
Resumo: principais números do açúcar
Indicador Variação / Nível Açúcar bruto (julho) +3,79% | US$ 325,62/t Açúcar refinado (julho) +2,75% | US$ 444,8/t Brasil (Centro-Sul): açúcar (1ª quinzena de abril) 541 mil t | -26,4% Brasil (Centro-Sul): etanol (1ª quinzena de abril) 1,13 bi litros | +23,5% Vietnã: preço doméstico do açúcar VND 16.000 a 16.700/kg
Milho amplia ganhos e alcança maior cotação em um mês
Em sintonia com o movimento observado no açúcar, os preços do milho também avançaram, sustentados pela combinação de energia valorizada e riscos no cenário internacional. Os contratos futuros para julho negociados na CBOT subiram 0,47%, para US$ 188 por tonelada, marcando o maior nível em aproximadamente um mês.
Um ponto acompanhado de perto pelos investidores é a sequência de alta nos vencimentos mais longos. O contrato para dezembro acumulou nove pregões seguidos de valorização, sinalizando que a tendência de alta vem ganhando consistência de forma gradual, em meio à reprecificação de risco e ao comportamento do mercado de energia.
Mercado vietnamita: milho importado e preços nos portos
No Vietnã, o milho importado da América do Sul para entrega em julho foi indicado em torno de US$ 255 por tonelada. Já no mercado doméstico, os preços nos portos do norte variaram de VND 7.250 a VND 7.450 por quilograma.
Resumo: principais números do milho
CBOT (julho): US$ 188 por tonelada (+0,47%), maior nível em cerca de um mês.
CBOT (dezembro): nove dias consecutivos de alta, sugerindo consolidação de tendência.
Vietnã (importado da América do Sul, julho): aproximadamente US$ 255 por tonelada.
Vietnã (portos do norte): VND 7.250 a VND 7.450/kg.
Perspectiva de curto prazo: energia elevada pode sustentar açúcar e milho
A avaliação predominante é de que, com os riscos geopolíticos ainda presentes e os preços de energia mantendo-se em patamares elevados, produtos agrícolas como açúcar e milho podem seguir sustentados no curto prazo. O ambiente reforça a volatilidade e aumenta a sensibilidade do mercado a dados de produção, estoques e mudanças no mix industrial.
Para consumidores e cadeias industriais ligadas a alimentos e biocombustíveis, o cenário sugere atenção redobrada às oscilações de preço e aos sinais de oferta, especialmente quando a indústria ajusta rapidamente a produção entre açúcar e etanol.




