
O mercado de reposição segue aquecido e o preço do bezerro mantém trajetória de alta em 2026, renovando máximas nominais ao longo de abril e encerrando o mês em um novo patamar histórico, acima de R$ 3.400 por cabeça, de acordo com indicadores do Cepea para Mato Grosso do Sul.
O movimento de valorização confirma um cenário de firmeza que vem se consolidando desde o segundo semestre do ano anterior, com o bezerro se mantendo descolado dos valores nominais observados no mesmo período de anos anteriores. Na prática, o mercado registra um nível de preços inédito para a categoria, reforçando o impacto da oferta restrita e da disputa por animais para recria e engorda.
Na parcial de abril até o dia 27, o preço do bezerro acumulou alta de 3,3% em relação ao valor que encerrou março. Na comparação com o fechamento de 2025, o avanço foi de 10,9%. Além do novo pico nominal no fim do mês, o indicador aponta que a média de preços também atingiu o maior nível da série histórica em termos nominais.
O preço médio nominal do bezerro na parcial de abril de 2026, considerando dados até o dia 27, foi de R$ 3.347,2 por cabeça. Esse resultado marcou o oitavo mês consecutivo de valorização e superou o recorde anterior, registrado no mês imediatamente anterior, quando a média nominal havia ficado em R$ 3.264,5.
Com oito meses seguidos de alta, o mercado consolida um ciclo de valorização que pressiona custos de reposição e muda estratégias de compra e venda na pecuária de corte.
O patamar observado em abril de 2026 também se destaca quando comparado ao histórico do mês. O valor parcial de abril de 2026 ficou 18,6% acima da média nominal registrada em abril de 2025, que foi de R$ 2.821,7 por cabeça. Além disso, o preço de 2026 ficou 6,5% superior ao recorde anterior para o período do ano, observado em 2021, quando abril apresentou média de R$ 3.140,5.
O desempenho reforça que a valorização em 2026 não é apenas um ajuste pontual, mas uma movimentação consistente que vem elevando o custo de entrada para produtores que dependem de reposição. Para operações de recria e engorda, o avanço do bezerro tende a exigir maior disciplina de margem e atenção ao comportamento do boi gordo, especialmente em momentos de oscilação nas expectativas de preço.
Indicador Resultado Patamar máximo nominal no fim de abril Acima de R$ 3.400 por cabeça Variação em relação ao fechamento de março +3,3% Variação em relação ao fechamento de 2025 +10,9% Média nominal (até o dia 27) R$ 3.347,2 por cabeça Comparação com abril de 2025 +18,6% Comparação com recorde de abril de 2021 +6,5%
Mesmo com a forte valorização da reposição, o ágio do bezerro frente ao boi gordo subiu em abril de 2026 quando comparado ao mesmo período de anos anteriores. Ainda assim, o indicador permanece abaixo das máximas históricas para um mês de abril, registradas em 2021 e também em 2015.
Na parcial de abril de 2026, o ágio do bezerro sobre o boi gordo foi de 39,1%, o maior para o período do ano desde 2021. O dado sinaliza que a reposição tem se valorizado de forma mais intensa do que o boi gordo, elevando o custo de produção e exigindo maior atenção ao planejamento de compra por parte do pecuarista.
Apesar da firmeza no mercado físico da reposição, o ambiente de negócios ganha um componente adicional de incerteza com os sinais vindos do mercado futuro do boi gordo. As cotações futuras têm mostrado um comportamento descolado do mercado físico, indicando uma expectativa que pode preocupar o produtor, especialmente pela intensidade do movimento de queda projetado, com maior impacto no curto prazo.
Esse descompasso entre reposição em alta e expectativa de boi gordo mais fraco tende a pressionar as margens, principalmente para operações que compram bezerro no pico e dependem de uma venda futura em patamares de preço que podem não se confirmar. Em momentos como esse, decisões de hedge, alongamento de escala e gestão de risco passam a ganhar ainda mais relevância.
No cenário internacional, um ponto de atenção adicional para a pecuária é a revisão para baixo da demanda chinesa por carne bovina. As estimativas foram ajustadas com redução superior a 0,50 milhão de toneladas em equivalente carcaça para 2026.
O ajuste levanta questionamentos importantes para o mercado: o consumo de carne bovina na China pode cair de forma tão significativa em 2026? Caso a demanda efetivamente desacelere, o efeito pode se refletir em preços, fluxo de exportações e no equilíbrio entre mercado interno e externo, influenciando diretamente a formação de preços do boi gordo e, por consequência, a dinâmica de reposição.
Continuidade da alta do bezerro e possíveis limites impostos pela rentabilidade da engorda.
Evolução do ágio do bezerro frente ao boi gordo e seus impactos na reposição.
Sinais do mercado futuro e o grau de convergência com o mercado físico.
Exportações e o efeito de revisões de demanda, especialmente da China.

Resumo: As informações indicam que os EUA pediram à Ucrânia que facilite restrições às importações de potássio originário da Bielorrússia e que Kyiv pressione países europeus a adotarem posição semelhante. A notícia ressalta que o potássio é um nutriente essencial para solos e para elevar a produção agrícola; antes das sanções ocidentais, a Bielorrússia dependia dele para obter receitas em moeda estrangeira. As sanções foram impostas por motivos políticos, incluindo repressão interna e apoio de Moscou à guerra contra a Ucrânia, o que impactou as exportações de potássio da Bielorrússia e suas fontes de divisas. A iniciativa, segundo fontes familiarizadas, busca ampliar o isolamento econômico da Bielorrússia, aumentando a pressão para tornar o comércio mais restrito ou menos viável no curto prazo. Não houve confirmação oficial dos governos envolvidos, e os próximos passos dependem de negociações entre Washington, Kyiv e aliados europeus, com avaliação de impactos econômicos no setor agroindustrial.
Resumo: A escassez de fertilizantes causada pelo conflito com o Irã e pelo bloqueio do estreito de Ormuz pode reduzir a produção global de alimentos e elevar os preços. O CEO da Yara, Svein Tore Holsether, afirmou à BBC que até meio milhão de toneladas de fertilizante nitrogenado não estão sendo produzidas, o que pode equivaler a até 10 bilhões de refeições a menos por semana. Não aplicar fertilizante nitrogenado pode reduzir a produtividade de algumas culturas em até 50% já na primeira safra, com impactos mais imediatos na Ásia, Sudeste Asiático, África e América Latina. Regiões como a África Subsaariana podem sofrer efeitos ainda maiores, e o tempo de plantio varia globalmente. A ONU/Programa Mundial de Alimentos estima que as consequências do conflito podem levar 45 milhões de pessoas a mais à fome em 2026, com a insegurança alimentar na Ásia-Pacífico aumentando cerca de 24%. No Reino Unido, a inflação de alimentos pode chegar a 10% em dezembro, com sinais de custos mais altos para produtores já aparecendo.
O setor agropecuário brasileiro iniciou 2026 com retração de 9,79% no IPPA/Cepea no 1º trimestre ante o mesmo período de 2025, com a arroba bovina sendo a única exceção, valorizada 5,9%.

Resumo: As chuvas do inverno amazônico dificultam a colheita de açaí nos municípios ribeirinhos, levando a uma redução de cerca de 40% na oferta em Macapá e impactando produtores, batedores e consumidores. O tempo chuvoso dificulta o acesso às áreas de colheita e o transporte do fruto até a capital, chegando a reduzir a produção pela metade em dias de chuva (ex.: 180 latas frente a 400–500 em tempo bom). Em Macapá, muitas batedeiras estão sem funcionar por falta de produto; o litro varia entre R$ 20 e R$ 30. A oscilação diária de preços é evidente, com variações entre R$ 18, R$ 25 e até R$ 30, o que preocupa quem depende do fruto para sobrevivência. Adrison Pacheco Pereira comenta que é preciso pagar melhor para conseguir trazer o açaí; Antônio Alves dos Santos destaca o desemprego entre batedores; Andréa de Ataíde confirma o aumento para cerca de R$ 26 por litro; e Rony Gonçalves observa a oscilação diária de preços. A associação de batedores e produtores alerta para a necessidade de soluções para manter a atividade.

O Instituto Desenvolve Pecuária e o Sicadergs lançam a campanha de valorização da carne gaúcha, com o Fundo de Promoção da Carne Gaúcha, apresentado na Abertura da Colheita do Arroz. A presidente Antonia Scalzilli ressalta que a carne do RS possui valor agregado por ser oriunda de raças britânicas, do bioma Pampa e por responsabilidade ambiental e sanitária, devendo ser vendida como uma experiência de churrasco, não como commodity. O Fundocarne é privado e gerido por pecuaristas e indústrias, com recursos destinados a projetos de promoção. A meta é promover a carne gaúcha no RS e em outros mercados brasileiros, destacando seus diferenciais em relação ao restante do país. O presidente-executivo do Sicadergs, Ronei Lauxen, afirma que o objetivo é unir o setor, retomar o protagonismo da pecuária gaúcha e ampliar as exportações, incluindo a busca por novos mercados. Há ainda a aspiração de aumentar a produtividade industrial e discutir soluções para melhorar o ambiente de negócios. Fonte: Correio do Povo.