A interrupção no fornecimento de fertilizantes associada à escalada de tensões no Golfo e às restrições no transporte marítimo pelo estreito de Ormuz pode provocar queda na produtividade agrícola, aumento de preços e agravamento da insegurança alimentar em diversas regiões do mundo, segundo avaliação de Svein Tore Holsether, presidente-executivo da Yara, uma das maiores empresas de fertilizantes do planeta.
Em declaração, Holsether afirmou que o bloqueio e a instabilidade logística em uma das rotas mais estratégicas do comércio global estão colocando em risco a produção mundial de alimentos. Na prática, a menor disponibilidade de fertilizantes, especialmente os nitrogenados, pode reduzir colheitas e intensificar a disputa por alimentos, com impacto desproporcional sobre países de menor renda.
De acordo com o executivo, até meio milhão de toneladas de fertilizante nitrogenado deixaram de ser produzidas globalmente no momento, devido ao cenário de conflito e aos gargalos associados. Ele estima que a falta do insumo possa resultar em uma perda equivalente a até 10 bilhões de refeições por semana, considerando o efeito do fertilizante sobre o rendimento agrícola.
Holsether alertou que a ausência de aplicação de fertilizante nitrogenado pode reduzir a produtividade de algumas culturas em até 50% já na primeira safra. Em um mercado altamente integrado, a escassez se espalha rapidamente, e os destinos mais afetados tendem a ser regiões que dependem de importação e possuem menor margem de manobra para absorver custos.
O executivo apontou que, por se tratar de um mercado global, o choque na oferta tende a atingir com mais velocidade destinos como:
Ásia e Sudeste Asiático, em especial durante períodos críticos de plantio;
África, onde já existe subfertilização em diversos países;
América Latina, que depende de cadeias de suprimento internacionais para insumos agrícolas.
Em áreas onde a aplicação de fertilizantes já é menor do que o recomendado, como partes da África subsaariana, Holsether indicou que podem ocorrer quedas significativas na produção agrícola, com consequências diretas para abastecimento local e preços.
O impacto da escassez não aparece de forma uniforme porque as épocas de plantio variam entre países e continentes. Enquanto algumas regiões vivem períodos de alta demanda por insumos agrícolas, outras ainda estão iniciando a preparação das lavouras.
Analistas observam que, em partes da Ásia, os agricultores podem até ter fertilizante suficiente para a temporada imediata. No entanto, se a crise se prolongar, a redução do uso do insumo pode resultar em colheitas menores no fim do ano, com reflexos mais evidentes no mercado de alimentos.
“Se a crise se estender, veremos impacto em culturas como o arroz nos próximos meses.”
— Avaliação de especialista em segurança alimentar na região
Além da incerteza sobre fertilizantes, agricultores em diferentes países enfrentam um cenário de aumento simultâneo de custos. Entre os principais fatores de pressão estão energia mais cara, alta do diesel usado em máquinas e encarecimento de outros insumos produtivos. Ao mesmo tempo, os preços recebidos por muitos produtores ainda não teriam se ajustado na mesma proporção, comprimindo margens e elevando o risco de redução de investimentos na próxima safra.
Para o consumidor, a tendência é que os efeitos se manifestem gradualmente nos próximos meses, à medida que as cadeias de produção e distribuição absorvem custos maiores. Em mercados com forte dependência de importações de fertilizantes e de alimentos, a transmissão tende a ser mais rápida.
Estimativas internacionais apontam que cerca de um terço dos fertilizantes do mundo, incluindo ureia, potássio, amônia e fosfatos, normalmente transitam pela região do estreito de Ormuz. Qualquer interrupção prolongada no fluxo marítimo eleva custos logísticos, reduz a previsibilidade de entrega e pode desencadear compras emergenciais por governos e grandes empresas do setor agrícola.
No cenário descrito, o preço dos fertilizantes já acumulou alta significativa desde o início do conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, reforçando um ambiente de volatilidade para produtores rurais e para a indústria de alimentos.
Holsether também chamou atenção para o risco de uma disputa por alimentos entre países ricos e pobres. Na avaliação dele, nações com maior poder de compra tendem a garantir suprimentos em momentos de escassez, o que pode deslocar a oferta de mercados que já vivem fragilidade alimentar.
O alerta se concentra no efeito social: quando preços sobem e a oferta se contrai, populações vulneráveis são as primeiras a sentir a piora na acessibilidade de itens básicos. Esse movimento pode ampliar a fome e a desnutrição, sobretudo em economias em desenvolvimento.
Projeções recentes indicam que a inflação de alimentos pode acelerar em alguns países ao longo do ano, refletindo custos mais altos no campo e a instabilidade de insumos estratégicos. Paralelamente, organizações internacionais avaliam que a combinação de tensões no Oriente Médio, logística pressionada e encarecimento de fertilizantes pode aumentar o número de pessoas em situação de insegurança alimentar.
Estimativas do Programa Mundial de Alimentos sugerem que as consequências combinadas do conflito podem levar milhões de pessoas adicionais à fome aguda em 2026. Na região da Ásia e do Pacífico, a expectativa é de crescimento relevante da insegurança alimentar, com potencial de pressionar governos e ampliar a necessidade de assistência humanitária.
Fator Efeito esperado Quem sente primeiro Escassez de fertilizantes nitrogenados Queda de produtividade e menor volume de alimentos Regiões importadoras e safras em fase de plantio Alta de custos no campo Pressão sobre preços e redução de margens do produtor Agricultores com menor capacidade de repasse Instabilidade logística no Ormuz Atrasos, encarecimento e incerteza no abastecimento Ásia, África e América Latina Disputa por alimentos Maior risco de fome e insegurança alimentar Populações vulneráveis em países em desenvolvimento
Em síntese, o alerta da Yara reforça que fertilizantes não são apenas um insumo agrícola: são um componente central da segurança alimentar global. Com oferta reduzida, preços em alta e logística instável, o risco é de colheitas menores, alimentos mais caros e aumento da vulnerabilidade social em regiões que já enfrentam dificuldades para garantir nutrição adequada.

Resumo: As informações indicam que os EUA pediram à Ucrânia que facilite restrições às importações de potássio originário da Bielorrússia e que Kyiv pressione países europeus a adotarem posição semelhante. A notícia ressalta que o potássio é um nutriente essencial para solos e para elevar a produção agrícola; antes das sanções ocidentais, a Bielorrússia dependia dele para obter receitas em moeda estrangeira. As sanções foram impostas por motivos políticos, incluindo repressão interna e apoio de Moscou à guerra contra a Ucrânia, o que impactou as exportações de potássio da Bielorrússia e suas fontes de divisas. A iniciativa, segundo fontes familiarizadas, busca ampliar o isolamento econômico da Bielorrússia, aumentando a pressão para tornar o comércio mais restrito ou menos viável no curto prazo. Não houve confirmação oficial dos governos envolvidos, e os próximos passos dependem de negociações entre Washington, Kyiv e aliados europeus, com avaliação de impactos econômicos no setor agroindustrial.

Resumo: O preço do bezerro manteve a valorização em 2026, atingindo novo patamar histórico acima de R$ 3.400 por cabeça ao final de abril (Cepea, Mato Grosso do Sul). Na parcial de abril, houve alta de 3,3% em relação a março e 10,9% frente a 2025, com o preço médio nominal até o dia 27 de abril em R$ 3.347,2, o oitavo mês consecutivo de alta e o maior da série. O ágio do bezerro frente ao boi gordo atingiu 39,1% na parcial de abril de 2026, o maior para o período do ano desde 2021, embora ainda abaixo dos recordes históricos de 2021 e 2015. Do lado do mercado, os dados de futuros sinalizam expectativa de queda, o que preocupa o produtor no curto prazo. Em outro tema, a demanda chinesa por carne bovina foi revisada para baixo em mais de 0,5 milhão de toneladas em equivalente carcaça para 2026, levantando a questão se o consumo na China cairá tanto neste ano.
O setor agropecuário brasileiro iniciou 2026 com retração de 9,79% no IPPA/Cepea no 1º trimestre ante o mesmo período de 2025, com a arroba bovina sendo a única exceção, valorizada 5,9%.

Resumo: As chuvas do inverno amazônico dificultam a colheita de açaí nos municípios ribeirinhos, levando a uma redução de cerca de 40% na oferta em Macapá e impactando produtores, batedores e consumidores. O tempo chuvoso dificulta o acesso às áreas de colheita e o transporte do fruto até a capital, chegando a reduzir a produção pela metade em dias de chuva (ex.: 180 latas frente a 400–500 em tempo bom). Em Macapá, muitas batedeiras estão sem funcionar por falta de produto; o litro varia entre R$ 20 e R$ 30. A oscilação diária de preços é evidente, com variações entre R$ 18, R$ 25 e até R$ 30, o que preocupa quem depende do fruto para sobrevivência. Adrison Pacheco Pereira comenta que é preciso pagar melhor para conseguir trazer o açaí; Antônio Alves dos Santos destaca o desemprego entre batedores; Andréa de Ataíde confirma o aumento para cerca de R$ 26 por litro; e Rony Gonçalves observa a oscilação diária de preços. A associação de batedores e produtores alerta para a necessidade de soluções para manter a atividade.

O Instituto Desenvolve Pecuária e o Sicadergs lançam a campanha de valorização da carne gaúcha, com o Fundo de Promoção da Carne Gaúcha, apresentado na Abertura da Colheita do Arroz. A presidente Antonia Scalzilli ressalta que a carne do RS possui valor agregado por ser oriunda de raças britânicas, do bioma Pampa e por responsabilidade ambiental e sanitária, devendo ser vendida como uma experiência de churrasco, não como commodity. O Fundocarne é privado e gerido por pecuaristas e indústrias, com recursos destinados a projetos de promoção. A meta é promover a carne gaúcha no RS e em outros mercados brasileiros, destacando seus diferenciais em relação ao restante do país. O presidente-executivo do Sicadergs, Ronei Lauxen, afirma que o objetivo é unir o setor, retomar o protagonismo da pecuária gaúcha e ampliar as exportações, incluindo a busca por novos mercados. Há ainda a aspiração de aumentar a produtividade industrial e discutir soluções para melhorar o ambiente de negócios. Fonte: Correio do Povo.