
El Niño e instabilidade no Estreito de Ormuz impulsionam importações russas de alimentos pela Ásia, África e Oriente Médio
Países da Ásia, África e Oriente Médio estão ampliando as importações de alimentos russos em função da instabilidade no estreito de Ormuz e das preocupações com o El Niño. Segundo o Rosselkhozbank (RSHB), entre janeiro e abril de 2026 as exportações agrícolas da Rússia subiram 4,9 milhões de toneladas, ou 21,8%, em relação ao mesmo período de 2025, com alguns países acumulando estoques ante a possível escassez de fertilizantes e secas previstas pela variação climática. As exportações russas para a China cresceram mais de um terço no mesmo intervalo.
Importações de alimentos russos crescem na Ásia, África e Oriente Médio com temor de El Niño e instabilidade no estreito de Ormuz
Países da Ásia, da África e do Oriente Médio estão ampliando compras de alimentos da Rússia e formando estoques estratégicos diante de dois fatores que elevam a incerteza no abastecimento global: a instabilidade no estreito de Ormuz e a expectativa de impactos do fenômeno El Niño sobre a produção agrícola.
Estoques preventivos e preocupação com fertilizantes
Segundo o banco estatal russo Rosselkhozbank (RSHB), a combinação entre riscos logísticos e clima mais extremo tem levado importadores a antecipar compras para reduzir vulnerabilidades, especialmente em regiões mais expostas a variações de preços e a interrupções nas rotas de comércio.
O RSHB afirma que, nos primeiros quatro meses de 2026, as exportações agrícolas russas cresceram 4,9 milhões de toneladas, um avanço de 21,8% em relação ao mesmo período do ano anterior. A instituição aponta que a corrida por estoques ocorre por receio de escassez de fertilizantes e de secas em áreas suscetíveis aos efeitos do El Niño.
“Em meio à instabilidade no estreito de Ormuz e às flutuações climáticas previstas relacionadas ao El Niño, muitos países estão acumulando estoques agrícolas por preocupação com a possível escassez de fertilizantes e secas.”
O que é El Niño e por que preocupa o mercado de alimentos
O El Niño é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais no oceano Pacífico equatorial. Essas mudanças podem alterar padrões de chuva e temperatura em diferentes regiões do planeta, provocando secas em alguns locais e enchentes em outros. Para o comércio internacional, isso costuma significar maior volatilidade: quedas de safra, pressão sobre preços e aumento do custo para garantir fornecimento.
Em destaque: previsões meteorológicas indicam que as temperaturas do Pacífico podem subir mais de três graus Celsius acima do normal até setembro ou outubro, o que reforça o alerta para efeitos climáticos intensos.
China puxa aumento nas compras e recebe mais carne suína
Entre os principais destinos, a China aparece como um dos motores do avanço das exportações. De acordo com o RSHB, as exportações de alimentos russos para o mercado chinês cresceram mais de um terço entre janeiro e abril de 2026, na comparação anual.
No segmento de proteínas, a Rússia também ampliou de forma expressiva o envio de carne suína e derivados para a China: houve alta de 89% em relação ao ano anterior, chegando a 37 mil toneladas. O banco afirma que esse volume já equivale a quase metade de tudo o que o país exportou para o mercado chinês ao longo do ano anterior.
Alimentos para a China: crescimento superior a um terço no 1º quadrimestre de 2026.
Carne suína e derivados: alta de 89%, totalizando 37 mil toneladas.
Egito e Argélia ampliam importações de óleos e leguminosas
No Norte da África, o movimento de recomposição e expansão de estoques também aparece com força. O Egito aumentou as importações de óleo de girassol russo em mais de 25% e elevou em 74% as compras de grão-de-bico seco, conforme dados citados pelo RSHB.
A Argélia, por sua vez, registrou avanço de mais de um quarto nas importações de óleo de soja proveniente da Rússia, indicando maior demanda por itens essenciais para consumo e indústria alimentícia.
País Produto Variação informada Egito Óleo de girassol +25% (mais de 25%) Egito Grão-de-bico seco +74% Argélia Óleo de soja +25% (mais de um quarto)
Por que o estreito de Ormuz entra na conta do abastecimento
A instabilidade no estreito de Ormuz eleva o nível de alerta porque a região é considerada um ponto sensível para o comércio internacional. Quando há riscos de interrupções ou aumento de custos logísticos, importadores tendem a antecipar aquisições e diversificar fornecedores para reduzir a exposição a oscilações repentinas.
Para países com alta dependência de importações, a estratégia de formação de estoques pode funcionar como um amortecedor contra choques de oferta, especialmente em momentos em que o clima ameaça safras em diferentes partes do mundo.
Vantagens competitivas da Rússia no mercado de alimentos
O RSHB destaca que os exportadores russos têm ampliado presença em mercados de maior valor agregado por uma combinação de fatores: produção estável, rotas logísticas consolidadas, relações comerciais com importadores na Ásia e na África e qualidade dos produtos.
Na avaliação do Centro de Expertise Industrial do banco, esse conjunto de vantagens facilita a expansão não apenas em volume, mas também em segmentos premium e de alta margem, incluindo destinos como a China e países do mundo árabe.
Estabilidade de oferta: volumes de produção considerados consistentes.
Logística: rotas já estruturadas para exportação.
Relacionamento comercial: integração com importadores na Ásia e África.
Qualidade: posicionamento para atender demandas mais exigentes.
Previsões de aquecimento do Pacífico reforçam risco de evento intenso
Projeções meteorológicas divulgadas em maio pelo Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo indicaram a possibilidade de as temperaturas do oceano Pacífico subirem mais de três graus Celsius acima do padrão até setembro ou outubro. Se confirmada, a estimativa pode representar um dos eventos mais intensos já registrados, ampliando o potencial de impactos sobre a agricultura e, por consequência, sobre os preços e o abastecimento global de alimentos.
Em um cenário de volatilidade climática e incerteza geopolítica, a tendência de compras antecipadas e reforço de estoques deve continuar no radar de governos e empresas importadoras, principalmente em regiões mais vulneráveis a choques de oferta.
Contexto Global Saúde: mudanças climáticas e gargalos logísticos têm efeito direto sobre a segurança alimentar, com reflexos em preços, disponibilidade de itens básicos e planejamento de políticas públicas em diferentes países.



