
Países da Ásia, da África e do Oriente Médio estão ampliando compras de alimentos da Rússia e formando estoques estratégicos diante de dois fatores que elevam a incerteza no abastecimento global: a instabilidade no estreito de Ormuz e a expectativa de impactos do fenômeno El Niño sobre a produção agrícola.
Segundo o banco estatal russo Rosselkhozbank (RSHB), a combinação entre riscos logísticos e clima mais extremo tem levado importadores a antecipar compras para reduzir vulnerabilidades, especialmente em regiões mais expostas a variações de preços e a interrupções nas rotas de comércio.
O RSHB afirma que, nos primeiros quatro meses de 2026, as exportações agrícolas russas cresceram 4,9 milhões de toneladas, um avanço de 21,8% em relação ao mesmo período do ano anterior. A instituição aponta que a corrida por estoques ocorre por receio de escassez de fertilizantes e de secas em áreas suscetíveis aos efeitos do El Niño.
“Em meio à instabilidade no estreito de Ormuz e às flutuações climáticas previstas relacionadas ao El Niño, muitos países estão acumulando estoques agrícolas por preocupação com a possível escassez de fertilizantes e secas.”
O El Niño é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais no oceano Pacífico equatorial. Essas mudanças podem alterar padrões de chuva e temperatura em diferentes regiões do planeta, provocando secas em alguns locais e enchentes em outros. Para o comércio internacional, isso costuma significar maior volatilidade: quedas de safra, pressão sobre preços e aumento do custo para garantir fornecimento.
Em destaque: previsões meteorológicas indicam que as temperaturas do Pacífico podem subir mais de três graus Celsius acima do normal até setembro ou outubro, o que reforça o alerta para efeitos climáticos intensos.
Entre os principais destinos, a China aparece como um dos motores do avanço das exportações. De acordo com o RSHB, as exportações de alimentos russos para o mercado chinês cresceram mais de um terço entre janeiro e abril de 2026, na comparação anual.
No segmento de proteínas, a Rússia também ampliou de forma expressiva o envio de carne suína e derivados para a China: houve alta de 89% em relação ao ano anterior, chegando a 37 mil toneladas. O banco afirma que esse volume já equivale a quase metade de tudo o que o país exportou para o mercado chinês ao longo do ano anterior.
Alimentos para a China: crescimento superior a um terço no 1º quadrimestre de 2026.
Carne suína e derivados: alta de 89%, totalizando 37 mil toneladas.
No Norte da África, o movimento de recomposição e expansão de estoques também aparece com força. O Egito aumentou as importações de óleo de girassol russo em mais de 25% e elevou em 74% as compras de grão-de-bico seco, conforme dados citados pelo RSHB.
A Argélia, por sua vez, registrou avanço de mais de um quarto nas importações de óleo de soja proveniente da Rússia, indicando maior demanda por itens essenciais para consumo e indústria alimentícia.
País Produto Variação informada Egito Óleo de girassol +25% (mais de 25%) Egito Grão-de-bico seco +74% Argélia Óleo de soja +25% (mais de um quarto)
A instabilidade no estreito de Ormuz eleva o nível de alerta porque a região é considerada um ponto sensível para o comércio internacional. Quando há riscos de interrupções ou aumento de custos logísticos, importadores tendem a antecipar aquisições e diversificar fornecedores para reduzir a exposição a oscilações repentinas.
Para países com alta dependência de importações, a estratégia de formação de estoques pode funcionar como um amortecedor contra choques de oferta, especialmente em momentos em que o clima ameaça safras em diferentes partes do mundo.
O RSHB destaca que os exportadores russos têm ampliado presença em mercados de maior valor agregado por uma combinação de fatores: produção estável, rotas logísticas consolidadas, relações comerciais com importadores na Ásia e na África e qualidade dos produtos.
Na avaliação do Centro de Expertise Industrial do banco, esse conjunto de vantagens facilita a expansão não apenas em volume, mas também em segmentos premium e de alta margem, incluindo destinos como a China e países do mundo árabe.
Estabilidade de oferta: volumes de produção considerados consistentes.
Logística: rotas já estruturadas para exportação.
Relacionamento comercial: integração com importadores na Ásia e África.
Qualidade: posicionamento para atender demandas mais exigentes.
Projeções meteorológicas divulgadas em maio pelo Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo indicaram a possibilidade de as temperaturas do oceano Pacífico subirem mais de três graus Celsius acima do padrão até setembro ou outubro. Se confirmada, a estimativa pode representar um dos eventos mais intensos já registrados, ampliando o potencial de impactos sobre a agricultura e, por consequência, sobre os preços e o abastecimento global de alimentos.
Em um cenário de volatilidade climática e incerteza geopolítica, a tendência de compras antecipadas e reforço de estoques deve continuar no radar de governos e empresas importadoras, principalmente em regiões mais vulneráveis a choques de oferta.
Contexto Global Saúde: mudanças climáticas e gargalos logísticos têm efeito direto sobre a segurança alimentar, com reflexos em preços, disponibilidade de itens básicos e planejamento de políticas públicas em diferentes países.

A Tereos concluiu, em junho, uma operação de grande escala com o embarque de 75 mil toneladas de açúcar VHP (Very High Polarization) em um único navio com destino ao mercado chinês.

O petróleo recua pelo terceiro dia, diante do aumento do tráfego marítimo pelo Estreito de Hormuz e de sinais de um período menos agressivo entre EUA e Irã. O Brent caiu 1,20% para 70,71 dólares por barril e o WTI cedeu 1,25% para 67,72 dólares; o gás natural negociado em Amesterdão (TTF) avançou 0,52%, para 43 dólares por megawatt-hora. Uma fonte não identificada da Administração Trump afirmou que cerca de 10 milhões de barris por dia passam pelo Hormuz, conforme a Bloomberg, sugerindo que as capacidades do Irã para perturbar a circulação podem estar comprometidas. Saul Kavonic, analista da MST Marquee, disse que a pressão de baixa nos preços acompanha o fluxo maior pelo estreito combinado com a liberação de reservas estratégicas e uma demanda menor. A falta de novas agressões entre EUA e Irã também tem contribuído para o recuo. No radar, as negociações entre EUA e Irã devem entrar em um ritmo mais morno, pois a partir de 4 de julho começam as cerimônias fúnebres do ex-líder supremo Ali Khamenei, o que deverá prolongar-se por vários dias.

O texto trata da cota brasileira de exportação de carne bovina para a China, de 1,106 milhão de toneladas, com tarifa de 12% dentro da cota e 55% adicional fora dela (total de 67% acima do limite). Mesmo com o fim de junho, a percepção é de que a cota está perto de ser preenchida, com o governo chinês baseando-se no que chega aos portos ao longo do ano. No cenário de 2026, as cargas enviadas no fim de 2025 e que chegam em 2026 influenciam o equilíbrio; dados até maio indicam 65,4% da cota já preenchidos, e a expectativa é de que importadores chineses retomem compras apenas em outubro, com parte das remessas de 2025 chegando à China apenas no começo de 2027. Diante desse cenário de demanda mais fraca e da perspectiva de fim de cota, frigoríficos brasileiros anunciaram medidas de ajuste. A Frigol, uma das cinco maiores do setor, vai conceder férias coletivas de 18 dias a quase mil funcionários da unidade de Água Azul do Norte (PA) a partir de....

A União Europeia decidiu excluir o Brasil da lista de países habilitados a exportar proteínas animais por não comprovar o uso adequado de antimicrobianos na produção. A formalização pela Comissão Europeia já ocorreu e a medida passa a valer em 3 de setembro. Mesmo assim, governo, indústria e entidades do agronegócio intensificam esforços para reverter a decisão, buscando demonstrar aos europeus que o Brasil possui mecanismos para cumprir as exigências relacionadas ao uso de antimicrobianos.

O Índice de Preços do International Grains Council (IGC) subiu 3,0% em maio ante abril, segundo dados do Ministério da Agricultura e Ambiente (MAA). Entre os principais produtos, o trigo liderou as altas com 3,8%, seguido pelo arroz com 3,7% e pelo milho com 2,0%. Para a safra 2025/26, a previsão aponta produção mundial recorde, enquanto para 2026/27 indica uma queda de 3% na colheita global, devido à menor produção nos países exportadores. No milho, a produção estimada para 2025/26 é de 1.329 milhões de toneladas, com recuo de 2% em 2026/27 por redução da área plantada e da produtividade. O arroz manteve a tendência de alta, puxado pela menor disponibilidade no Vietnã e pela oferta restrita na Tailândia; a variedade Thai 5% Broken teve alta de 8,5%. A soja ficou mais cara, sustentada pelo aumento dos preços de energia e pela valorização dos óleos vegetais nos EUA, com impactos também no Brasil e na Argentina. Já o açúcar subiu 3,4% em maio, devido às previsões de queda na produção por el Niño, especialmente na Índia, Tailândia e Brasil; além disso, a opção de fábricas brasileiras por desviar cana para etanol reduziu a oferta de açúcar para exportação, elevando os preços internacionais. Fonte: Inforpress.