
Movimento marítimo mais intenso na rota estratégica e expectativa de trégua diplomática pressionam cotações do Brent e do WTI; gás natural sobe em Amsterdã.
Os preços do petróleo voltaram a cair e registram o terceiro dia consecutivo de recuo, em meio a sinais de normalização gradual do tráfego marítimo no Estreito de Ormuz e a perspectivas de um período sem novas agressões entre os Estados Unidos e o Irã. A combinação desses fatores reduziu o prêmio de risco associado a um eventual bloqueio na região, considerada uma das rotas mais sensíveis para o abastecimento global de energia.
Na manhã desta quarta-feira, o barril do Brent, referência internacional negociada na Europa, recuava 1,20%, cotado a 70,71 dólares. Já o West Texas Intermediate (WTI), referência americana, caía 1,25%, para 67,72 dólares por barril.
Em direção oposta, os contratos futuros de gás natural negociados em Amsterdã, no hub TTF, avançavam 0,52%, para 43 dólares por megawatt-hora, indicando dinâmica própria no mercado europeu de gás, que nem sempre acompanha o mesmo ritmo do petróleo.
Um dos principais catalisadores para a queda das cotações é o aumento gradual do volume que atravessa o Estreito de Ormuz. Segundo uma fonte oficial do governo norte-americano, citada por agência financeira, cerca de 10 milhões de barris de petróleo por dia estariam atualmente passando pela região.
O crescimento do fluxo é interpretado por parte do mercado como um indício de que a capacidade do Irã de interferir na circulação pelo estreito pode estar comprometida, diminuindo a percepção de risco imediato de interrupções logísticas na rota.
Por que Ormuz importa?
O Estreito de Ormuz é uma passagem marítima estratégica para o comércio internacional de energia. Qualquer ameaça ao tráfego pode elevar o preço do petróleo ao ampliar o temor de desabastecimento e encarecer fretes e seguros.
Analistas apontam que a pressão baixista não se limita ao ambiente geopolítico. A queda também ocorre em um contexto em que o fluxo de petróleo que consegue circular pela região coincide com a liberação de reservas estratégicas e com uma redução da demanda, fatores que aumentam a sensação de oferta mais confortável no curto prazo.
Saul Kavonic, analista da MST Marquee, avalia que os preços seguem em trajetória de baixa justamente porque a continuidade do tráfego em Ormuz ocorre em paralelo a esses elementos, reduzindo a necessidade de precificação de um cenário extremo.
Tráfego em Ormuz mais robusto que o esperado diminui o prêmio de risco.
Liberação de reservas amplia a oferta disponível e suaviza choques de curto prazo.
Procura em queda reduz pressão sobre estoques e sobre cotações.
Outro componente relevante é a ausência de novas agressões recentes entre americanos e iranianos. Para o mercado, a falta de escalada imediata contribui para a redução de volatilidade e para um reposicionamento de investidores que vinham precificando cenários de maior tensão.
As negociações entre os EUA e o Irã, segundo as informações disponíveis, podem entrar em breve em um período considerado mais “morno”. Isso porque, a partir de 4 de julho, estão previstas cerimônias fúnebres do antigo supremo líder Ali Khamenei, com duração de vários dias, o que tende a reduzir o ritmo de tratativas no curto prazo.
Leitura do mercado: quando há sinais de menor conflito e manutenção do fluxo de petróleo, o preço tende a cair por diminuir o risco de interrupções repentinas. Ainda assim, operadores seguem atentos a qualquer mudança no cenário regional.
Ativo Variação Preço Brent Queda de 1,20% 70,71 dólares por barril WTI Queda de 1,25% 67,72 dólares por barril Gás natural (TTF) Alta de 0,52% 43 dólares por megawatt-hora
Apesar da tendência de baixa no curto prazo, o mercado continua monitorando a região do Golfo e os desdobramentos diplomáticos. Qualquer alteração no volume de tráfego no Estreito de Ormuz, ou sinais de retomada de confrontos, pode reintroduzir volatilidade e elevar novamente os preços.
Continuidade do fluxo marítimo em Ormuz e eventuais restrições operacionais.
Sinais políticos sobre o relacionamento entre EUA e Irã durante o período de cerimônias.
Dados de demanda e decisões relacionadas a estoques e reservas, que influenciam a oferta no mercado.
Por ora, a combinação de risco geopolítico mais contido, oferta reforçada e demanda mais fraca sustenta a pressão sobre o petróleo, enquanto o gás natural europeu segue oscilando conforme a dinâmica regional e expectativas de consumo e reposição de estoques.

A Tereos concluiu, em junho, uma operação de grande escala com o embarque de 75 mil toneladas de açúcar VHP (Very High Polarization) em um único navio com destino ao mercado chinês.

O texto trata da cota brasileira de exportação de carne bovina para a China, de 1,106 milhão de toneladas, com tarifa de 12% dentro da cota e 55% adicional fora dela (total de 67% acima do limite). Mesmo com o fim de junho, a percepção é de que a cota está perto de ser preenchida, com o governo chinês baseando-se no que chega aos portos ao longo do ano. No cenário de 2026, as cargas enviadas no fim de 2025 e que chegam em 2026 influenciam o equilíbrio; dados até maio indicam 65,4% da cota já preenchidos, e a expectativa é de que importadores chineses retomem compras apenas em outubro, com parte das remessas de 2025 chegando à China apenas no começo de 2027. Diante desse cenário de demanda mais fraca e da perspectiva de fim de cota, frigoríficos brasileiros anunciaram medidas de ajuste. A Frigol, uma das cinco maiores do setor, vai conceder férias coletivas de 18 dias a quase mil funcionários da unidade de Água Azul do Norte (PA) a partir de....

A União Europeia decidiu excluir o Brasil da lista de países habilitados a exportar proteínas animais por não comprovar o uso adequado de antimicrobianos na produção. A formalização pela Comissão Europeia já ocorreu e a medida passa a valer em 3 de setembro. Mesmo assim, governo, indústria e entidades do agronegócio intensificam esforços para reverter a decisão, buscando demonstrar aos europeus que o Brasil possui mecanismos para cumprir as exigências relacionadas ao uso de antimicrobianos.

O Índice de Preços do International Grains Council (IGC) subiu 3,0% em maio ante abril, segundo dados do Ministério da Agricultura e Ambiente (MAA). Entre os principais produtos, o trigo liderou as altas com 3,8%, seguido pelo arroz com 3,7% e pelo milho com 2,0%. Para a safra 2025/26, a previsão aponta produção mundial recorde, enquanto para 2026/27 indica uma queda de 3% na colheita global, devido à menor produção nos países exportadores. No milho, a produção estimada para 2025/26 é de 1.329 milhões de toneladas, com recuo de 2% em 2026/27 por redução da área plantada e da produtividade. O arroz manteve a tendência de alta, puxado pela menor disponibilidade no Vietnã e pela oferta restrita na Tailândia; a variedade Thai 5% Broken teve alta de 8,5%. A soja ficou mais cara, sustentada pelo aumento dos preços de energia e pela valorização dos óleos vegetais nos EUA, com impactos também no Brasil e na Argentina. Já o açúcar subiu 3,4% em maio, devido às previsões de queda na produção por el Niño, especialmente na Índia, Tailândia e Brasil; além disso, a opção de fábricas brasileiras por desviar cana para etanol reduziu a oferta de açúcar para exportação, elevando os preços internacionais. Fonte: Inforpress.

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