
IGC: Preços globais de trigo, arroz e milho sobem com produção mundial recorde em 2025/26; El Niño influencia açúcar
O Índice de Preços do International Grains Council (IGC) subiu 3,0% em maio ante abril, segundo dados do Ministério da Agricultura e Ambiente (MAA). Entre os principais produtos, o trigo liderou as altas com 3,8%, seguido pelo arroz com 3,7% e pelo milho com 2,0%. Para a safra 2025/26, a previsão aponta produção mundial recorde, enquanto para 2026/27 indica uma queda de 3% na colheita global, devido à menor produção nos países exportadores. No milho, a produção estimada para 2025/26 é de 1.329 milhões de toneladas, com recuo de 2% em 2026/27 por redução da área plantada e da produtividade. O arroz manteve a tendência de alta, puxado pela menor disponibilidade no Vietnã e pela oferta restrita na Tailândia; a variedade Thai 5% Broken teve alta de 8,5%. A soja ficou mais cara, sustentada pelo aumento dos preços de energia e pela valorização dos óleos vegetais nos EUA, com impactos também no Brasil e na Argentina. Já o açúcar subiu 3,4% em maio, devido às previsões de queda na produção por el Niño, especialmente na Índia, Tailândia e Brasil; além disso, a opção de fábricas brasileiras por desviar cana para etanol reduziu a oferta de açúcar para exportação, elevando os preços internacionais. Fonte: Inforpress.
Preços globais de grãos e alimentos sobem em maio, com alta puxada por trigo, arroz e milho
Os preços internacionais de grãos e algumas commodities alimentares registraram alta em maio, conforme dados do Índice de Preços do International Grains Council (IGC) divulgados nesta terça-feira (30) pelo Ministério da Agricultura e Ambiente (MAA). Em comparação com abril, o indicador avançou 3,0%, refletindo um cenário de pressões cambiais, inflação, restrições de oferta e expectativas climáticas em diferentes regiões.
Entre os principais produtos acompanhados, o trigo liderou as altas, com avanço de 3,8%. Na sequência aparecem o arroz (3,7%) e o milho (2,0%). O movimento reforça a sensibilidade do mercado global à combinação entre custos de produção, condições de oferta e oscilações das moedas, fatores que influenciam diretamente os preços pagos em importações e exportações.
Trigo: inflação, dólar e câmbio na Europa impulsionam preços
No caso do trigo, o relatório aponta que a valorização foi influenciada pela inflação e pela variação do dólar nos Estados Unidos, além da desvalorização do euro na Europa. Essa dinâmica tende a alterar a competitividade entre exportadores e importadores, afetando negociações e contratos de compra no mercado internacional.
Para a campanha 2025/26 (ano de produção), a previsão indica uma produção mundial recorde. Ainda assim, as projeções iniciais para 2026/27 sinalizam uma possível mudança de direção: é esperada uma queda de 3% na colheita global, atribuída à menor produção nos principais países exportadores.
A leitura do mercado sugere que, mesmo com perspectivas de recorde no curto prazo, a oferta futura pode ficar mais apertada, o que costuma sustentar preços em patamares elevados.
Milho: valorização acompanha expectativa de recorde e alerta para 2026/27
O milho seguiu a tendência de valorização observada em outros grãos. O documento estima uma produção recorde de 1.329 milhões de toneladas em 2025/26. No entanto, para 2026/27, a expectativa é de queda de 2% na produção mundial, em razão de redução de área plantada e menor produtividade.
A evolução do milho é acompanhada de perto por governos e cadeias produtivas, já que o grão impacta tanto a alimentação humana quanto a produção de rações, com efeitos indiretos sobre custos em setores como proteínas animais e alimentos processados.
Arroz: oferta menor no Vietnã e restrição na Tailândia pressionam preços
O arroz manteve a tendência de alta já observada nos meses anteriores. O principal fator citado é a menor disponibilidade do produto no Vietnã, combinada com oferta restrita na Tailândia, o que elevou a pressão sobre as cotações internacionais.
Entre as variedades, a Thai 5% Broken se destacou como a que mais subiu, com alta de 8,5%. Em geral, quando exportadores relevantes enfrentam limitações de oferta, compradores globais tendem a disputar volumes, reforçando o movimento de preços.
Soja: energia mais cara e óleos vegetais em alta sustentam avanço
A soja também apresentou valorização no mercado mundial. Segundo o relatório, o aumento foi associado à alta dos preços da energia e à valorização dos óleos vegetais nos Estados Unidos. O movimento também foi acompanhado por aumentos nos mercados do Brasil e da Argentina, dois dos maiores atores globais no comércio do grão e de seus derivados.
A soja e seus subprodutos são componentes estratégicos em cadeias como a de óleos comestíveis e rações, o que faz com que oscilações de preços tenham reflexos amplos em diferentes segmentos do abastecimento alimentar.
Açúcar: risco climático e maior produção de etanol no Brasil elevam preços
O preço do açúcar subiu 3,4% em maio na comparação mensal. O relatório destaca que o mercado foi impactado por previsões de quebra de produção associadas ao fenômeno climático El Niño, especialmente em Índia, Tailândia e Brasil.
Outro fator considerado importante foi a decisão de fábricas no Brasil de direcionar mais cana-de-açúcar para a produção de etanol, o que reduz a disponibilidade de açúcar para exportação e contribui para a elevação das cotações internacionais.
Resumo das principais variações de preços em maio
Produto Variação vs. abril Principais fatores citados Trigo 3,8% Inflação, dólar nos EUA e desvalorização do euro Arroz 3,7% Menor disponibilidade no Vietnã e oferta restrita na Tailândia Milho 2,0% Expectativas de produção e perspectivas futuras de área e produtividade Açúcar 3,4% Risco de quebra com El Niño e maior uso de cana para etanol
O que o movimento indica para o mercado
Volatilidade cambial segue como fator decisivo para formação de preços, especialmente em commodities cotadas em dólar.
Oferta restrita em exportadores-chave pode amplificar altas, como observado no arroz.
Risco climático permanece no radar, com potencial de impactar produção e estoques, como no caso do açúcar.
Perspectivas futuras (2026/27) sugerem atenção a possíveis quedas de produção em trigo e milho, mesmo após estimativas de recorde em 2025/26.
Com a combinação de pressões inflacionárias, mudanças na oferta e incertezas climáticas, o mercado internacional de grãos e alimentos permanece sensível a novos ajustes. Para consumidores e cadeias de abastecimento, a tendência reforça a importância de acompanhar indicadores globais, já que oscilações de commodities podem influenciar custos ao longo de toda a cadeia alimentar.



