
Contratos de açúcar branco atingem maior nível em cerca de nove meses e meio; açúcar bruto também sobe com atenção voltada ao vencimento de julho.
Os contratos futuros de açúcar registraram forte alta nesta segunda-feira, impulsionados por uma combinação de preocupações climáticas e incertezas sobre a oferta global. O movimento foi liderado pelo açúcar branco, que alcançou a maior cotação em aproximadamente nove meses e meio, em meio a temores de impacto nas safras da União Europeia e a riscos adicionais associados ao El Niño na Ásia.
No fechamento do pregão, o contrato de açúcar branco avançou US$ 9,60 (alta de 2,1%), encerrando a US$ 473,60 por tonelada. Ao longo do dia, o papel chegou a tocar a máxima de US$ 481,90, nível considerado o mais elevado do período recente e reflexo direto do aumento de aversão ao risco entre participantes do mercado.
Corretoras destacaram que uma onda de calor na União Europeia tem elevado a preocupação com as lavouras no principal polo produtor de açúcar branco, adicionando pressão de alta aos preços.
Além do quadro europeu, o mercado também incorporou a perspectiva de que as condições do El Niño possam reduzir a produção em partes da Ásia, com atenção especial a países com peso relevante no equilíbrio entre oferta e demanda, como Índia e Tailândia. A expectativa de menor disponibilidade nesses produtores tende a sustentar prêmios e elevar a sensibilidade do mercado a novas atualizações climáticas.
O açúcar bruto acompanhou o movimento e fechou em alta de 0,31 centavos (avanço de 2,2%), a 14,29 centavos por libra. Durante a sessão, o contrato chegou a uma máxima de três semanas, de 14,32 centavos, antes de perder parte do fôlego e encerrar próximo do pico do dia.
No curto prazo, operadores indicam que o principal tema do mercado deve ser o vencimento do contrato de julho do açúcar bruto, previsto para a terça-feira. A leitura é de que o comportamento do mercado diante desse vencimento pode afetar a volatilidade e a formação de preço, sobretudo em um ambiente de oferta percebida como mais apertada.
Segundo avaliações do setor, o volume de contratos em aberto vem recuando de forma constante. Ainda assim, a expectativa é de que a entrega continue em patamar significativamente acima do observado no contrato de julho do ano seguinte, quando teria sido oferecido um volume bem menor. Esse contraste ajuda a explicar por que o mercado mantém atenção elevada sobre o fluxo físico e as condições de entrega no ciclo atual.
Produto Fechamento Variação Destaque do dia Açúcar branco US$ 473,60 por tonelada + US$ 9,60 (+2,1%) Máxima de cerca de nove meses e meio (US$ 481,90) Açúcar bruto 14,29 centavos por libra + 0,31 centavos (+2,2%) Máxima de três semanas (14,32 centavos)
O avanço das cotações reforça como fatores climáticos podem alterar rapidamente as expectativas de produção e oferta global. Ondas de calor tendem a aumentar o estresse nas culturas e a reduzir produtividade, enquanto eventos como o El Niño podem modificar regimes de chuva e temperatura em regiões-chave, afetando o volume colhido e o ritmo de exportações.
União Europeia: calor intenso eleva o risco de perdas e sustenta o açúcar branco.
Índia e Tailândia: cenário climático pode limitar a produção e apertar a disponibilidade regional.
Mercado futuro: incertezas elevam a volatilidade e tornam vencimentos próximos ainda mais sensíveis.
Para o mercado, a combinação de risco climático e atenção ao vencimento tende a manter o açúcar no radar de investidores e da indústria, com os preços reagindo a qualquer sinal de mudança nas perspectivas de safra, estoques e capacidade de entrega.

A Tereos concluiu, em junho, uma operação de grande escala com o embarque de 75 mil toneladas de açúcar VHP (Very High Polarization) em um único navio com destino ao mercado chinês.

O petróleo recua pelo terceiro dia, diante do aumento do tráfego marítimo pelo Estreito de Hormuz e de sinais de um período menos agressivo entre EUA e Irã. O Brent caiu 1,20% para 70,71 dólares por barril e o WTI cedeu 1,25% para 67,72 dólares; o gás natural negociado em Amesterdão (TTF) avançou 0,52%, para 43 dólares por megawatt-hora. Uma fonte não identificada da Administração Trump afirmou que cerca de 10 milhões de barris por dia passam pelo Hormuz, conforme a Bloomberg, sugerindo que as capacidades do Irã para perturbar a circulação podem estar comprometidas. Saul Kavonic, analista da MST Marquee, disse que a pressão de baixa nos preços acompanha o fluxo maior pelo estreito combinado com a liberação de reservas estratégicas e uma demanda menor. A falta de novas agressões entre EUA e Irã também tem contribuído para o recuo. No radar, as negociações entre EUA e Irã devem entrar em um ritmo mais morno, pois a partir de 4 de julho começam as cerimônias fúnebres do ex-líder supremo Ali Khamenei, o que deverá prolongar-se por vários dias.

O texto trata da cota brasileira de exportação de carne bovina para a China, de 1,106 milhão de toneladas, com tarifa de 12% dentro da cota e 55% adicional fora dela (total de 67% acima do limite). Mesmo com o fim de junho, a percepção é de que a cota está perto de ser preenchida, com o governo chinês baseando-se no que chega aos portos ao longo do ano. No cenário de 2026, as cargas enviadas no fim de 2025 e que chegam em 2026 influenciam o equilíbrio; dados até maio indicam 65,4% da cota já preenchidos, e a expectativa é de que importadores chineses retomem compras apenas em outubro, com parte das remessas de 2025 chegando à China apenas no começo de 2027. Diante desse cenário de demanda mais fraca e da perspectiva de fim de cota, frigoríficos brasileiros anunciaram medidas de ajuste. A Frigol, uma das cinco maiores do setor, vai conceder férias coletivas de 18 dias a quase mil funcionários da unidade de Água Azul do Norte (PA) a partir de....

A União Europeia decidiu excluir o Brasil da lista de países habilitados a exportar proteínas animais por não comprovar o uso adequado de antimicrobianos na produção. A formalização pela Comissão Europeia já ocorreu e a medida passa a valer em 3 de setembro. Mesmo assim, governo, indústria e entidades do agronegócio intensificam esforços para reverter a decisão, buscando demonstrar aos europeus que o Brasil possui mecanismos para cumprir as exigências relacionadas ao uso de antimicrobianos.

O Índice de Preços do International Grains Council (IGC) subiu 3,0% em maio ante abril, segundo dados do Ministério da Agricultura e Ambiente (MAA). Entre os principais produtos, o trigo liderou as altas com 3,8%, seguido pelo arroz com 3,7% e pelo milho com 2,0%. Para a safra 2025/26, a previsão aponta produção mundial recorde, enquanto para 2026/27 indica uma queda de 3% na colheita global, devido à menor produção nos países exportadores. No milho, a produção estimada para 2025/26 é de 1.329 milhões de toneladas, com recuo de 2% em 2026/27 por redução da área plantada e da produtividade. O arroz manteve a tendência de alta, puxado pela menor disponibilidade no Vietnã e pela oferta restrita na Tailândia; a variedade Thai 5% Broken teve alta de 8,5%. A soja ficou mais cara, sustentada pelo aumento dos preços de energia e pela valorização dos óleos vegetais nos EUA, com impactos também no Brasil e na Argentina. Já o açúcar subiu 3,4% em maio, devido às previsões de queda na produção por el Niño, especialmente na Índia, Tailândia e Brasil; além disso, a opção de fábricas brasileiras por desviar cana para etanol reduziu a oferta de açúcar para exportação, elevando os preços internacionais. Fonte: Inforpress.