
A disparada no preço do petróleo e a instabilidade no fornecimento global de energia começam a gerar efeitos diretos no agronegócio brasileiro, especialmente no momento mais intenso da colheita da safra de verão. O impacto se concentra em dois pilares essenciais do campo: diesel para operação de máquinas e fertilizantes usados no plantio, ambos altamente dependentes de derivados do petróleo e do gás natural.
Segundo o professor de economia André Diz, do Ibmec, a fase atual da safra exige um uso intensivo de maquinário, elevando a demanda por combustível no campo. Com o diesel mais caro, o custo operacional sobe rapidamente, pressionando o orçamento do produtor e aumentando o risco de interrupções logísticas em algumas regiões.
No calendário agrícola, a colheita da soja ocorre ao mesmo tempo em que produtores iniciam o plantio do milho e organizam a segunda safra. Essa dinâmica faz com que a elevação do petróleo tenha um efeito em cadeia: além de encarecer o diesel das máquinas no campo, o cenário também influencia o preço de insumos que dependem da indústria petroquímica.
“Quando se colhe a soja, os produtores já estão plantando milho e a segunda safra. Quando você vai plantar esse milho, aparecem dois componentes importantes: as máquinas que vão usar esse diesel e o fertilizante utilizado no solo, que também depende do petróleo.”
— André Diz, professor de economia
Outro fator que amplia a preocupação no agro é o risco de restrição no acesso a fertilizantes, sobretudo os nitrogenados, cuja produção depende do processamento de gás natural e petróleo. Especialistas destacam que o Oriente Médio tem participação relevante nessa oferta, o que reforça a sensibilidade do mercado a eventos geopolíticos e a possíveis interrupções em rotas estratégicas.
A possibilidade de fechamento de um estreito estratégico para transporte de energia eleva o grau de incerteza e, na avaliação de analistas, pode gerar um efeito ainda mais adverso sobre a safra do segundo semestre. O temor central é que a combinação de combustíveis caros e insumos escassos reduza o potencial produtivo e aumente custos em toda a cadeia.
O agronegócio foi peça-chave para o crescimento econômico recente do Brasil. O setor registrou alta expressiva e teve peso relevante no desempenho do PIB. No entanto, a perspectiva para este ano se deteriora diante da crise do petróleo e dos riscos geopolíticos que pressionam preços e dificultam o planejamento do produtor.
Economistas avaliam que a persistência de um petróleo em patamares elevados por um período prolongado pode afetar variáveis macroeconômicas. Se o preço do barril permanecer alto por muito tempo, o cenário tende a influenciar expectativas de inflação e juros, com impactos que vão além do campo.
Custos agrícolas sobem com diesel e insumos mais caros;
Frete encarece e pressiona a distribuição de alimentos;
Inflação de alimentos pode acelerar com repasses na cadeia;
Juros podem sofrer pressão caso a alta de preços persista;
Planejamento da segunda safra fica mais arriscado com incerteza de insumos.
O aumento do custo de produção no campo tende a chegar ao consumidor. O encarecimento do frete e dos insumos pode pressionar o preço final dos alimentos nos supermercados, com reflexo direto na inflação. Representantes do setor afirmam que parte desse movimento pode ser praticamente imediato, já que o mercado antecipa riscos e ajusta preços diante de novas expectativas.
A intensidade do repasse, porém, dependerá de fatores como duração do conflito, comportamento do câmbio, custos logísticos e disponibilidade de estoques. Ainda assim, o setor alerta para um ambiente de maior instabilidade, com preços mais voláteis.
Entidades do Rio Grande do Sul relatam dificuldades pontuais no abastecimento de diesel para máquinas agrícolas. O problema, segundo representantes, estaria ligado ao preço elevado, que teria limitado o abastecimento em alguns pontos e aumentado a preocupação com o ritmo da colheita de arroz e soja.
A situação ocorre em um momento sensível do calendário agrícola, quando atrasos operacionais podem gerar perdas, elevar custos e afetar a logística de escoamento. Para produtores, a imprevisibilidade no abastecimento adiciona um risco extra ao trabalho no campo, que já enfrenta desafios climáticos e de mercado.
Autoridades regulatórias informam que acompanham diariamente estoques e entregas do combustível e avaliam medidas para assegurar a continuidade da oferta. Ao mesmo tempo, a estatal responsável por parte relevante do refino nacional afirma que não houve alteração nas entregas de diesel, sustentando que o fluxo segue o planejado e os compromissos comerciais em vigor.
Embora o monitoramento oficial indique normalidade no mercado doméstico, as queixas regionais mostram que o ambiente segue sob pressão. Especialistas ressaltam que, em períodos de forte oscilação de preços, a cadeia pode apresentar gargalos localizados que exigem resposta rápida para evitar impactos maiores na produção.
Fator Efeito no agro Possível efeito no consumidor Diesel mais caro Aumenta custo de máquinas e colheita Frete mais caro e pressão nos preços Risco com fertilizantes Incerteza na segunda safra e custo de plantio Possível alta em alimentos ao longo do ano Conflito prolongado Volatilidade e dificuldade de planejamento Inflação mais persistente e juros sob pressão
Com a safra em andamento e decisões de plantio ocorrendo em paralelo, o setor acompanha com atenção a evolução do cenário internacional. Caso a pressão sobre o petróleo se mantenha, a tendência é de maior custo de produção, risco de gargalos regionais e potencial aumento no preço dos alimentos — um efeito que pode atingir o consumidor ainda neste ciclo agrícola.
```

A colheita do café acelerou nas principais regiões produtoras no início de junho, após um ritmo mais lento até meados de maio devido às chuvas frequentes e à maturação ainda irregular dos frutos. Com a diminuição das chuvas e temperaturas mais baixas, as condições mais secas favoreceram o....

Sumário: Em 12 estados monitorados, representando 96% da área cultivada, os trabalhos já foram concluídos em sete deles. No Maranhão, a colheita atingiu 68% da área, abaixo dos 73% do ano anterior. No Rio Grande do Sul, 78% dos campos foram recolhidos, também aquém dos 92% registrados há um ano.

Em 2026, o Brasil deve ter safra recorde de grãos (cerca de 356 milhões de toneladas), porém a renda do agro deve cair. O Valor Bruto da Produção (VBP) está estimado em aproximadamente R$ 1,38 trilhão, ante R$ 1,44 trilhão em 2025, mesmo com o setor tendo crescido 13% em 2025.

A primeira safra de feijão no Brasil avança, atingindo 73,5% da área cultivada, com grande variação regional. No MATOPIBA, o início de abril trouxe efeitos climáticos distintos: no Piauí, as chuvas recentes aliviam lavouras atrasadas e mantêm o potencial, mas o centro-norte registra queda de produtividade estimada em 31,2% (SISDAGRO); a diminuição prevista de chuvas no sul do estado facilita o avanço da colheita.

O ritmo de colheita do milho ainda fica abaixo do registrado no mesmo período do ano passado, quando 87% da área já estava plantada.