
Redução das chuvas favorece maturação dos grãos e avanço no campo, enquanto produtores monitoram a qualidade e aproveitam preços para negociar primeiros lotes.
A colheita do café ganhou ritmo nas principais regiões produtoras do Brasil neste início de junho, impulsionada por condições climáticas mais secas. Após um período de avanço mais lento até meados de maio — marcado por chuvas frequentes e maturação irregular dos frutos — o cenário mudou e passou a favorecer os trabalhos nas lavouras, contribuindo para maior eficiência no campo e melhor evolução dos grãos.
Pesquisadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) indicam que, mesmo com temperaturas mais baixas, a diminuição das chuvas teve papel decisivo ao permitir tanto o avanço da maturação quanto o aumento do ritmo da colheita. Com a melhora das condições, produtores conseguiram intensificar as atividades, reduzindo interrupções e elevando a previsibilidade das operações.
Em termos práticos, o tempo firme tem permitido maior continuidade das frentes de trabalho e favorecido a logística nas propriedades, já que o excesso de umidade pode comprometer o andamento da colheita e elevar os riscos de perda de qualidade. Nesse contexto, a evolução do clima se tornou um fator-chave para a entrada mais consistente das equipes e máquinas nas lavouras.
Destaque: Segundo o Cepea, a redução das chuvas ajudou a acelerar a colheita e a melhorar a evolução da maturação dos grãos, apesar do frio.
Com a colheita avançando, os cafeicultores acompanham com atenção os primeiros sinais de qualidade da produção já retirada do campo. Uma das preocupações citadas pelo Cepea é a peneira dos grãos, indicador importante para a classificação do café, que pode influenciar a valorização do produto ao longo da comercialização.
De acordo com os pesquisadores, há relatos de que a peneira estaria abaixo da observada na safra passada, com destaque para áreas do Sul de Minas Gerais e da Mogiana Paulista. Essas regiões estão entre as mais relevantes do país e costumam ter peso significativo no desempenho do mercado, tanto em volume quanto em padrões de qualidade.
Ainda assim, o próprio Cepea reforça que ainda é cedo para um diagnóstico definitivo sobre a qualidade da safra. A temporada está em fase inicial e apenas uma parcela pequena do café colhido foi beneficiada até o momento — etapa essencial para confirmar parâmetros como rendimento, peneira e características físicas do lote.
O que está sendo observado agora
Avanço da colheita com menor incidência de chuvas.
Evolução da maturação dos grãos, mesmo com temperaturas mais baixas.
Monitoramento da peneira, com atenção especial em Sul de Minas e Mogiana.
Avaliação ainda preliminar, porque o beneficiamento segue limitado nesta fase.
Paralelamente ao avanço da colheita, muitos produtores têm aproveitado os preços praticados no mercado para negociar os primeiros lotes da safra. Segundo o Cepea, além de representarem uma oportunidade de comercialização em patamares considerados atrativos, essas vendas ajudam a reforçar o caixa das propriedades, o que tende a sustentar um bom ritmo de negócios nas próximas semanas.
Esse movimento é comum em períodos de início de colheita, quando o produtor busca equilibrar o fluxo de caixa com os custos da própria operação, como mão de obra, transporte e processos pós-colheita. A decisão de vender parte da produção também pode funcionar como estratégia de gestão, especialmente quando os preços são avaliados como favoráveis no curto prazo.
Fator Impacto na colheita e no mercado Clima mais seco Aumenta o ritmo de colheita e melhora a continuidade das operações no campo. Temperaturas mais baixas Exigem atenção, mas não impediram o avanço; a maturação segue evoluindo com a redução das chuvas. Peneira abaixo do ano anterior Gera cautela na avaliação de qualidade, sobretudo em regiões tradicionais produtoras. Preços em patamares atrativos Estimula a negociação dos primeiros lotes e fortalece o caixa das propriedades.
Para o mercado, a combinação entre colheita mais acelerada e vendas iniciais pode manter a movimentação comercial aquecida, principalmente se as condições climáticas continuarem favorecendo o trabalho nas lavouras. Ao mesmo tempo, a confirmação da qualidade — especialmente no que diz respeito à peneira — deve ganhar mais clareza conforme o beneficiamento avance e mais lotes forem avaliados.
O início de junho marca uma fase em que o setor busca alinhar produtividade, qualidade e comercialização. Com o tempo mais seco, a tendência é de manutenção do ritmo no campo, enquanto produtores e compradores aguardam sinais mais consistentes sobre o padrão dos grãos. Na prática, o desempenho da safra deve ser acompanhado com atenção nas próximas semanas, especialmente nas regiões onde a peneira já desperta preocupação.
Até lá, a avaliação segue cautelosa: com a temporada ainda no começo, o quadro pode evoluir à medida que a colheita e o beneficiamento avancem. O que já se observa, porém, é que o clima recente abriu uma janela favorável para acelerar a retirada do café das lavouras, ao mesmo tempo em que o mercado oferece estímulos para as primeiras negociações da safra.

Sumário: Em 12 estados monitorados, representando 96% da área cultivada, os trabalhos já foram concluídos em sete deles. No Maranhão, a colheita atingiu 68% da área, abaixo dos 73% do ano anterior. No Rio Grande do Sul, 78% dos campos foram recolhidos, também aquém dos 92% registrados há um ano.

Em 2026, o Brasil deve ter safra recorde de grãos (cerca de 356 milhões de toneladas), porém a renda do agro deve cair. O Valor Bruto da Produção (VBP) está estimado em aproximadamente R$ 1,38 trilhão, ante R$ 1,44 trilhão em 2025, mesmo com o setor tendo crescido 13% em 2025.

A primeira safra de feijão no Brasil avança, atingindo 73,5% da área cultivada, com grande variação regional. No MATOPIBA, o início de abril trouxe efeitos climáticos distintos: no Piauí, as chuvas recentes aliviam lavouras atrasadas e mantêm o potencial, mas o centro-norte registra queda de produtividade estimada em 31,2% (SISDAGRO); a diminuição prevista de chuvas no sul do estado facilita o avanço da colheita.

O ritmo de colheita do milho ainda fica abaixo do registrado no mesmo período do ano passado, quando 87% da área já estava plantada.

Resumo: A colheita da soja no Paraná atingiu 82% da área da safra 2025/26, avanço de 12 p.p. na semana, mas ainda abaixo do ritmo de 90% registrado no mesmo período da safra anterior. Mais de 90% das lavouras já maturaram, com a colheita em fase avançada ou concluída na maioria das regiões, apesar de paradas pontuais provocadas pelas chuvas. A produtividade apresenta alta variabilidade, influenciada pela distribuição irregular de chuvas e estiagens em fases críticas, especialmente em plantios tardios. No milho de primeira safra, a colheita alcançou 87% da área, com produtividades satisfatórias, ainda que haja variações regionais. O plantio da segunda safra de milho atingiu 90% da área, frente a 83% na semana anterior. O boletim aponta desenvolvimento inicial heterogêneo, com estresse hídrico, falhas de germinação, estandes irregulares e pragas, especialmente lagartas; cerca de 90% da safra está em boa condição, 9% em média e 1% ruim. Chuvas recentes ajudaram na recuperação de parte das áreas, mas persiste cautela quanto ao potencial produtivo da segunda safra, que representa a maior parcela da produção estadual.