
O avanço da colheita de grãos no Brasil continua em curso, mas em um ritmo inferior ao registrado no mesmo período do ano passado. Apesar do progresso em diversas áreas produtoras, o calendário de campo ainda mostra atraso quando comparado a 12 meses atrás, quando os trabalhos já alcançavam 87% da área plantada.
Neste momento, a colheita está mais concentrada em regiões com calendário agrícola mais tardio, com destaque para o Matopiba — que reúne áreas produtoras de Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia — e também para o Rio Grande do Sul. A combinação de fatores climáticos e operacionais tem influenciado tanto o ritmo das máquinas quanto a qualidade do produto que chega aos armazéns.
No Matopiba, a principal preocupação é o excesso de umidade nos grãos, condição que tem provocado problemas de qualidade em parte das lavouras. A situação, além de elevar o risco de perdas, também dificulta o andamento da colheita e impacta a recepção da produção em unidades de armazenamento, que tendem a operar com restrições quando o produto chega fora dos padrões ideais.
A presença de grãos úmidos aumenta a necessidade de cuidados adicionais no pós-colheita, como a secagem, o que pode gerar gargalos logísticos e ampliar custos. Em períodos de alta umidade, é comum que produtores tenham de ajustar janelas de trabalho e aguardar melhores condições para colher com segurança e eficiência.
Enquanto algumas áreas lidam com umidade excessiva, o cenário no Paraná exige atenção por outro motivo: lavouras de milho da segunda safra seguem sob alerta devido à baixa umidade do solo, agravada por temperaturas acima da média. Esse conjunto de fatores pode limitar o desenvolvimento das plantas, especialmente em momentos críticos do ciclo.
A situação é considerada mais sensível no oeste paranaense, onde muitas lavouras já entraram na fase reprodutiva. Nesse estágio, a demanda por água tende a aumentar e a irregularidade das chuvas pode resultar em queda de potencial produtivo. Por isso, produtores já começam a calcular possíveis perdas nas áreas mais afetadas pela estiagem.
Ponto de atenção: na fase reprodutiva, a falta de chuva pode comprometer diretamente o enchimento de grãos e a produtividade final do milho safrinha.
O Paraná tem papel estratégico no abastecimento nacional: é o segundo maior produtor de milho do país. Nas últimas semanas, o mercado acompanhou revisões nas estimativas de safra, refletindo a preocupação com as condições climáticas e seus impactos no potencial de produção.
O quadro de piora na umidade não se restringe ao oeste do Paraná. Outras áreas do centro-sul do país começam a sentir maior pressão devido à falta de chuva, como o norte do Paraná, o sul de Mato Grosso do Sul e o sul de São Paulo. Nesses locais, o déficit hídrico pode se intensificar se as precipitações não se regularizarem nas próximas semanas.
Apesar das dificuldades pontuais, há regiões em que o ambiente para o milho é mais positivo. Em diversas áreas produtoras do centro-sul, as chuvas têm sido mais frequentes e o milho safrinha 2026 apresenta bom desenvolvimento. A melhora na regularidade das precipitações tende a sustentar o crescimento vegetativo e reduzir o estresse das plantas.
Ainda assim, especialistas alertam que o cereal precisa de precipitações regulares até maio para garantir bons níveis de produtividade. A etapa que se aproxima é determinante para consolidar o potencial produtivo e reduzir perdas associadas ao calor e à falta de água.
Colheita mais lenta do que no mesmo período do ano anterior.
Matopiba com umidade excessiva, risco de qualidade e entraves na colheita e armazenagem.
Paraná com seca e calor afetando o milho da segunda safra, especialmente no oeste.
Pressão por falta de chuva em áreas do norte do Paraná, sul de MS e sul de SP.
Em parte do centro-sul, o desenvolvimento do milho é positivo, mas depende de chuvas até maio.
Região Cultura/Etapa Condição climática Impacto observado Matopiba Colheita em áreas tardias Excesso de umidade Risco de perda de qualidade e lentidão na colheita/armazenagem Rio Grande do Sul Colheita em calendário tardio Concentração de trabalhos Movimento maior de colheita nesta etapa Oeste do Paraná Milho safrinha em fase reprodutiva Baixa umidade + calor acima da média Produtores avaliam perdas potenciais Norte do PR / Sul de MS / Sul de SP Milho safrinha Piora na umidade Maior pressão por falta de chuva Demais áreas do centro-sul Milho safrinha 2026 Chuvas mais frequentes Bom desenvolvimento, com necessidade de regularidade até maio
O desempenho da safra nas próximas semanas deve depender do equilíbrio entre janelas de colheita em regiões tardias e a evolução das condições climáticas nas áreas de milho safrinha. Para o produtor, o foco permanece em reduzir perdas por qualidade no caso de grãos úmidos e em mitigar os efeitos da estiagem onde a chuva segue irregular.
Do ponto de vista de abastecimento, o Brasil acompanha com atenção a evolução da produtividade, sobretudo em estados com peso relevante na oferta. O comportamento do clima até maio será determinante para confirmar o potencial do milho safrinha 2026 e reduzir a volatilidade nas projeções de produção.
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A colheita do café acelerou nas principais regiões produtoras no início de junho, após um ritmo mais lento até meados de maio devido às chuvas frequentes e à maturação ainda irregular dos frutos. Com a diminuição das chuvas e temperaturas mais baixas, as condições mais secas favoreceram o....

Sumário: Em 12 estados monitorados, representando 96% da área cultivada, os trabalhos já foram concluídos em sete deles. No Maranhão, a colheita atingiu 68% da área, abaixo dos 73% do ano anterior. No Rio Grande do Sul, 78% dos campos foram recolhidos, também aquém dos 92% registrados há um ano.

Em 2026, o Brasil deve ter safra recorde de grãos (cerca de 356 milhões de toneladas), porém a renda do agro deve cair. O Valor Bruto da Produção (VBP) está estimado em aproximadamente R$ 1,38 trilhão, ante R$ 1,44 trilhão em 2025, mesmo com o setor tendo crescido 13% em 2025.

A primeira safra de feijão no Brasil avança, atingindo 73,5% da área cultivada, com grande variação regional. No MATOPIBA, o início de abril trouxe efeitos climáticos distintos: no Piauí, as chuvas recentes aliviam lavouras atrasadas e mantêm o potencial, mas o centro-norte registra queda de produtividade estimada em 31,2% (SISDAGRO); a diminuição prevista de chuvas no sul do estado facilita o avanço da colheita.

Resumo: A colheita da soja no Paraná atingiu 82% da área da safra 2025/26, avanço de 12 p.p. na semana, mas ainda abaixo do ritmo de 90% registrado no mesmo período da safra anterior. Mais de 90% das lavouras já maturaram, com a colheita em fase avançada ou concluída na maioria das regiões, apesar de paradas pontuais provocadas pelas chuvas. A produtividade apresenta alta variabilidade, influenciada pela distribuição irregular de chuvas e estiagens em fases críticas, especialmente em plantios tardios. No milho de primeira safra, a colheita alcançou 87% da área, com produtividades satisfatórias, ainda que haja variações regionais. O plantio da segunda safra de milho atingiu 90% da área, frente a 83% na semana anterior. O boletim aponta desenvolvimento inicial heterogêneo, com estresse hídrico, falhas de germinação, estandes irregulares e pragas, especialmente lagartas; cerca de 90% da safra está em boa condição, 9% em média e 1% ruim. Chuvas recentes ajudaram na recuperação de parte das áreas, mas persiste cautela quanto ao potencial produtivo da segunda safra, que representa a maior parcela da produção estadual.