
Os futuros do milho encerraram a sessão de terça-feira em baixa na maioria dos contratos, com perdas entre 1 e 3 centavos. O movimento refletiu um ambiente de maior cautela nos mercados, marcado pela forte oscilação do petróleo bruto e pela leitura do relatório mensal WASDE, do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), que trouxe poucas mudanças para o balanço norte-americano do cereal.
No mercado físico, o indicador médio nacional do CmdtyView recuou 1 1/4 centavos, para US$ 4,09 3/4. A queda, embora moderada, ocorreu em um dia de elevada atenção ao cenário geopolítico e aos desdobramentos sobre energia e logística internacional, fatores que influenciam custos, apetite ao risco e expectativas de demanda.
O petróleo bruto caiu US$ 8,38 no dia, em meio a informações de que os Estados Unidos começaram a escoltar navios pelo Estreito de Ormuz, uma das principais rotas marítimas para o transporte global de energia. Ainda assim, o contrato recuperou cerca de US$ 8 a partir da mínima, após relatos de que o Irã estaria posicionando minas na hidrovia.
Para o mercado de grãos, a volatilidade do petróleo costuma repercutir por múltiplos canais: custos de transporte e de insumos, percepção de risco global e, principalmente, as projeções para a cadeia de biocombustíveis, com impacto indireto sobre a demanda por milho quando a produção de etanol é mais competitiva.
Contexto-chave: mudanças abruptas no preço do petróleo tendem a alterar o humor do mercado e, em certos momentos, podem ampliar a volatilidade nos contratos agrícolas.
O mercado também aguarda a divulgação do relatório da EIA (Administração de Informação de Energia dos EUA) nesta quarta-feira. De acordo com a leitura predominante entre participantes do mercado, a expectativa é que a produção de etanol apresente recuperação em relação à semana anterior.
O dado é acompanhado de perto por indicar o ritmo da indústria e, consequentemente, a capacidade de absorção do milho destinado ao biocombustível. Em momentos de incerteza macroeconômica e geopolítica, o desempenho do etanol pode atuar como um dos principais termômetros de demanda no curto prazo.
Se a produção subir, o mercado pode interpretar como sinal de consumo industrial mais firme.
Se o ritmo decepcionar, cresce o risco de pressão adicional sobre os preços do cereal.
O relatório WASDE divulgado pelo USDA nesta manhã não indicou alterações no balanço de milho dos Estados Unidos. O documento manteve a execução em 2.127 bbu, reforçando a avaliação de que, ao menos por ora, não houve ajustes relevantes no quadro de oferta e demanda do país.
A ausência de mudanças significativas tende a deslocar o foco do mercado para outros vetores de formação de preços, como o ritmo de exportações, a demanda interna (incluindo etanol) e, principalmente, as condições globais de oferta, em que alguns ajustes foram observados.
Na frente internacional, o World Agricultural Outlook Board trouxe mudanças compensatórias na produção sul-americana: a estimativa para a Argentina foi reduzida em 1 milhão de toneladas, para 52 milhões de toneladas, enquanto a projeção para o Brasil foi elevada em 1 milhão de toneladas, para 132 milhões de toneladas.
Mesmo com o ajuste entre os dois principais produtores da região, o relatório apontou aumento nos estoques finais mundiais, que avançaram 3,76 milhões de toneladas, chegando a 292,75 milhões de toneladas. O número sugere um ambiente de oferta global mais confortável, fator que pode limitar movimentos de alta no curto prazo caso a demanda não acompanhe.
Segundo o levantamento, o crescimento dos estoques ocorreu em meio a:
Alta dos estoques do Brasil em 0,78 MMT.
Queda da demanda para o atual ano comercial em 0,5 MMT.
Além disso, o relatório trouxe revisão para a Ucrânia, com aumento de 1,7 milhão de toneladas na produção. Na mesma linha, os estoques do país subiram 1,3 milhão de toneladas, reforçando a leitura de maior disponibilidade no cenário global.
Em resumo: o USDA manteve o balanço dos EUA, mas o quadro global ficou mais pesado do lado da oferta, com estoques finais mundiais em alta e ajustes relevantes em produtores como Brasil, Argentina e Ucrânia.
No encerramento da sessão, os contratos do milho registraram baixas leves, com destaque para os vencimentos mais negociados. A seguir, a síntese do fechamento:
Vencimento Fechamento Variação no dia Março/26 US$ 4,36 1/4 queda de 1 1/4 centavos Maio/26 US$ 4,52 1/4 queda de 1 1/2 centavos Julho/26 US$ 4,63 1/4 queda de 2 1/4 centavos Mercado físico (indicador) US$ 4,09 3/4 queda de 1 1/4 centavos
Com o balanço dos EUA sem alterações no WASDE e com estoques globais projetados em alta, a atenção se volta para a confirmação dos dados de etanol e para a evolução do cenário geopolítico, especialmente em rotas estratégicas de energia. Para os próximos pregões, traders tendem a monitorar:
Relatório da EIA e o ritmo da produção de etanol;
Oscilações do petróleo e seus efeitos indiretos sobre commodities agrícolas;
Revisões de oferta global e sinais de demanda, após o aumento dos estoques finais mundiais;
Desdobramentos no Estreito de Ormuz, com potencial de elevar a volatilidade de curto prazo.
Em um ambiente de incerteza, a combinação de dados de energia, projeções do USDA e tensões geopolíticas segue como o principal motor para a formação de preços, mantendo o mercado sensível a manchetes e revisões de expectativa.

O dólar caiu 0,10% frente ao real, cotado a R$ 5,1721. O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, recuou 0,70%, aos 168.619 pontos. Fonte: g1, 10/6/26.

Resumo: Em 9 de junho de 2026, o mercado mundial de café apresentou flutuações mistas. O Robusta na bolsa de Londres reverteu a tendência, com os contratos de julho e setembro de 2026 subindo para US$ 3.333/ton (+0,51%) e US$ 3.260/ton (+0,84%), respectivamente. O Arábica na NYSE/ICE caiu, com o contrato de julho de 2026 em 245,9 centavos de dólar por libra (-0,24%) e o de setembro em 241,65 centavos de dólar por libra (-0,19%). No Brasil, a bolsa local registrou movimentos opostos: julho de 2026 a 305,3 centavos/lb (-8,75), e setembro de 2026 a 296,95 centavos/lb (+4,65). Segundo a Reuters, o Arábica permanece no menor nível em 19 meses, enquanto o Robusta recupera após uma queda na semana anterior, com a colheita brasileira pressionando os preços. A desvalorização do real frente ao dólar também ajudou a ampliar a oferta, incentivando vendas para exportação. No Vietnã, as exportações dos primeiros quatro meses de 2026 chegaram a cerca de 791.090 toneladas, +9,4% em volume, mas o valor caiu 10,5% para US$ 3,7 bilhões, refletindo a fraqueza de preços globais. Enquanto isso, a demanda na Indonésia cresce à medida que cafeicultores aguardam uma colheita abundante em julho, em meio a estoques limitados no Vietnã. Fonte: Reuters e dados de mercados.

As cotações globais de café seguem em queda, com Arábica atingindo o menor nível em 19 meses e Robusta o mais baixo em 7 semanas, impulsionadas por contratos futuros mornos no curto prazo. Na bolsa de Londres, Robusta julho/2026 caiu para US$ 3.352 por tonelada (-0,56%), e setembro/2026 para US$ 3.270/t (-0,24%). Na NY, Arábica julho/2026 caiu para 247,15 cents por libra (-2,35%), e setembro/2026 para 242,4 cents (-2,10%).

Resumo: Em 4 de junho, os preços da soja recuaram: a soja (incluindo o variant seeds) caiu cerca de 2,1% para US$ 415/tonelada e a soja seca recuou 2,21% para US$ 345,8/t; o óleo de soja teve a maior pressão, com queda de 3% para US$ 1.682/t. O índice MXV de produtos agrícolas fechou em 1.423 pontos. A queda é atribuída à liquidação de posições compradas por fundos de investimento. Além disso, a queda foi ampliada pela fraqueza do petróleo, que pressionou o setor de biocombustíveis e o óleo de soja.

O ouro operou em queda nesta terça-feira, negociado em torno de 4.698,41 dólares por onça, pressionado pela escalada dos preços da energia e pelos conflitos no Médio Oriente. O metal segue mais como indicador de risco macroeconómico do que refúgio seguro, oscilando entre petróleo, inflação, o dólar e as expectativas sobre a política monetária da Fed. As declarações de Donald Trump sobre o Irã — chamando a contraproposta de “um pedaço de lixo” e afirmando que o acordo está em “suporte de vida” — aumentam a incerteza. O mercado projeta, contudo, a possibilidade de aperto da Fed até o fim do ano, com a probabilidade de uma subida de 25 pontos-base ainda na mesa. Economistas esperam que a inflação norte-americana de Abril tenha acelerado de 3,3% para 3,7%.