
A sinalização de encerramento da guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, anunciada pelo presidente Donald Trump, trouxe um efeito imediato aos mercados globais nesta segunda-feira (15): produtos e insumos ligados ao agronegócio iniciaram o dia em queda, após semanas de alta desde o fim de fevereiro, quando a escalada militar ganhou força.
A expectativa de investidores e agentes do setor produtivo é de que o fim das hostilidades melhore o fluxo de comércio e reduza parte dos custos logísticos. No entanto, o alívio pode ser desigual. Enquanto a normalização de commodities agrícolas pode ocorrer com mais rapidez, fertilizantes devem enfrentar um caminho mais lento até voltarem a patamares de oferta e preços considerados regulares.
A retração observada na abertura do dia já vinha sendo influenciada por dados recentes de oferta e demanda divulgados pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos. Mesmo assim, o pregão terminou com recuperação: milho se reverteu e fechou em alta, e quase todas as principais commodities acompanharam o movimento, com exceção do açúcar.
Entre os insumos, a ureia manteve a tendência de queda observada nas últimas semanas no mercado norte-americano, sinalizando que parte da pressão pode estar se dissipando — embora isso não signifique, necessariamente, uma redução rápida e generalizada no custo final dos fertilizantes para outros países.
O ponto central de preocupação do setor é que a normalização do comércio de fertilizantes não deve ocorrer no mesmo ritmo que a de outras commodities. O conflito afetou rotas estratégicas e a disponibilidade de matérias-primas essenciais para a formulação desses produtos.
O fechamento do estreito de Hormuz impactou não apenas a entrega de insumos básicos usados na produção de fertilizantes em diferentes países, como também interrompeu o fornecimento de produto pronto por nações do Oriente Médio, que estão entre os grandes exportadores globais.
Resumo do impacto: mesmo com o anúncio de fim de guerra, a cadeia de fertilizantes segue vulnerável a atrasos logísticos, custos de seguro e incertezas sobre a segurança das rotas marítimas.
Especialistas do mercado avaliam que o trânsito de navios pode voltar de forma gradual, pois empresas de transporte tendem a manter prêmios de risco mais altos até que haja confiança plena na estabilidade regional. Com isso, a redução de fretes e seguros pode não ser imediata, limitando uma queda rápida nos preços finais dos fertilizantes.
O anúncio de Trump ocorre em um contexto de pressão interna nos Estados Unidos. Segundo a análise de mercado, o presidente teria motivos adicionais para buscar o desfecho do conflito, em especial pela preocupação com inflação e perda de apoio em regiões tradicionalmente alinhadas ao Partido Republicano.
A inflação, que Trump afirmou querer combater desde o início do mandato, registrou em maio a maior alta dos últimos anos. Ao mesmo tempo, tarifas e guerra teriam contribuído para a queda de apoio no meio rural: a aprovação recuou para 50% e a rejeição subiu para 48%, em comparação com os níveis observados um ano antes.
O cenário se agrava com a combinação entre desestruturação do sistema rural, redução de margens de lucro e queda global de preços de commodities. Nesse ambiente, o setor agrícola norte-americano passou a conviver com maior incidência de insolvência.
No primeiro ano do segundo mandato de Trump, as falências no setor rural aumentaram 46% e o movimento continuou em 2026. Os pedidos registrados em abril — dado mais recente citado — superam em 130% os do mesmo período do ano anterior, ficando abaixo apenas dos picos de 2019 e 2020, quando o país já havia enfrentado turbulências relevantes no campo.
Para o Brasil, o possível fim do conflito traz uma janela de oportunidade. Produtores brasileiros ainda têm grande volume de fertilizante para comprar visando a safra de soja do segundo semestre, e qualquer alívio em preço e disponibilidade pode impactar diretamente o planejamento de custos e o risco de produtividade.
Apesar disso, o país já sentiu efeitos concretos da instabilidade no Oriente Médio. As importações brasileiras de fertilizantes originados na região caíram para 1 milhão de toneladas no ano, uma retração de 33% em comparação com os cinco primeiros meses de 2025.
Além dos insumos, houve impacto nas vendas externas do agronegócio brasileiro para a região:
Exportações de carne: queda de 5%
Exportações de cereais: queda de 21%
Exportações de soja: queda de 43%
O Irã, apontado como o país mais afetado pelo conflito, é um ator relevante nas relações comerciais do agronegócio brasileiro, o que amplia os reflexos econômicos para além do mercado de fertilizantes.
Indicador Variação Observação Importações de fertilizantes do Oriente Médio -33% Total de 1 milhão de toneladas no ano Exportações de carne -5% Queda para a região Exportações de cereais -21% Queda para a região Exportações de soja -43% Queda para a região
O mercado passa a monitorar, agora, a velocidade real de retomada das rotas comerciais e a evolução dos custos de transporte e seguros. A avaliação predominante é que a oferta global de commodities agrícolas pode reagir antes, enquanto fertilizantes devem seguir sensíveis a qualquer incerteza ligada à segurança marítima e à regularidade de fornecimento do Oriente Médio.
Mesmo com a pressa de Washington em encerrar o conflito, analistas destacam que o comportamento de Israel ainda é considerado incerto, fator que pode influenciar a confiança do setor logístico e, por consequência, o ritmo de queda de custos para a cadeia do agronegócio.
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A Tereos concluiu, em junho, uma operação de grande escala com o embarque de 75 mil toneladas de açúcar VHP (Very High Polarization) em um único navio com destino ao mercado chinês.

O petróleo recua pelo terceiro dia, diante do aumento do tráfego marítimo pelo Estreito de Hormuz e de sinais de um período menos agressivo entre EUA e Irã. O Brent caiu 1,20% para 70,71 dólares por barril e o WTI cedeu 1,25% para 67,72 dólares; o gás natural negociado em Amesterdão (TTF) avançou 0,52%, para 43 dólares por megawatt-hora. Uma fonte não identificada da Administração Trump afirmou que cerca de 10 milhões de barris por dia passam pelo Hormuz, conforme a Bloomberg, sugerindo que as capacidades do Irã para perturbar a circulação podem estar comprometidas. Saul Kavonic, analista da MST Marquee, disse que a pressão de baixa nos preços acompanha o fluxo maior pelo estreito combinado com a liberação de reservas estratégicas e uma demanda menor. A falta de novas agressões entre EUA e Irã também tem contribuído para o recuo. No radar, as negociações entre EUA e Irã devem entrar em um ritmo mais morno, pois a partir de 4 de julho começam as cerimônias fúnebres do ex-líder supremo Ali Khamenei, o que deverá prolongar-se por vários dias.

O texto trata da cota brasileira de exportação de carne bovina para a China, de 1,106 milhão de toneladas, com tarifa de 12% dentro da cota e 55% adicional fora dela (total de 67% acima do limite). Mesmo com o fim de junho, a percepção é de que a cota está perto de ser preenchida, com o governo chinês baseando-se no que chega aos portos ao longo do ano. No cenário de 2026, as cargas enviadas no fim de 2025 e que chegam em 2026 influenciam o equilíbrio; dados até maio indicam 65,4% da cota já preenchidos, e a expectativa é de que importadores chineses retomem compras apenas em outubro, com parte das remessas de 2025 chegando à China apenas no começo de 2027. Diante desse cenário de demanda mais fraca e da perspectiva de fim de cota, frigoríficos brasileiros anunciaram medidas de ajuste. A Frigol, uma das cinco maiores do setor, vai conceder férias coletivas de 18 dias a quase mil funcionários da unidade de Água Azul do Norte (PA) a partir de....

A União Europeia decidiu excluir o Brasil da lista de países habilitados a exportar proteínas animais por não comprovar o uso adequado de antimicrobianos na produção. A formalização pela Comissão Europeia já ocorreu e a medida passa a valer em 3 de setembro. Mesmo assim, governo, indústria e entidades do agronegócio intensificam esforços para reverter a decisão, buscando demonstrar aos europeus que o Brasil possui mecanismos para cumprir as exigências relacionadas ao uso de antimicrobianos.

O Índice de Preços do International Grains Council (IGC) subiu 3,0% em maio ante abril, segundo dados do Ministério da Agricultura e Ambiente (MAA). Entre os principais produtos, o trigo liderou as altas com 3,8%, seguido pelo arroz com 3,7% e pelo milho com 2,0%. Para a safra 2025/26, a previsão aponta produção mundial recorde, enquanto para 2026/27 indica uma queda de 3% na colheita global, devido à menor produção nos países exportadores. No milho, a produção estimada para 2025/26 é de 1.329 milhões de toneladas, com recuo de 2% em 2026/27 por redução da área plantada e da produtividade. O arroz manteve a tendência de alta, puxado pela menor disponibilidade no Vietnã e pela oferta restrita na Tailândia; a variedade Thai 5% Broken teve alta de 8,5%. A soja ficou mais cara, sustentada pelo aumento dos preços de energia e pela valorização dos óleos vegetais nos EUA, com impactos também no Brasil e na Argentina. Já o açúcar subiu 3,4% em maio, devido às previsões de queda na produção por el Niño, especialmente na Índia, Tailândia e Brasil; além disso, a opção de fábricas brasileiras por desviar cana para etanol reduziu a oferta de açúcar para exportação, elevando os preços internacionais. Fonte: Inforpress.