
A escassez de animais para abate se intensificou nos Estados Unidos e levou os preços da carne bovina a um novo recorde. O país enfrenta o menor rebanho bovino em 75 anos, e o ressurgimento de um parasita do gado deve prolongar o quadro de oferta restrita por mais tempo do que se esperava.
Dados do Departamento de Estatísticas do Trabalho dos EUA mostram que, em maio, os consumidores pagaram em média US$ 7,064 por libra (cerca de 450 gramas) de carne moída, valor 13% superior ao registrado no mesmo período do ano anterior.
Embora os mercados de Brasil e Estados Unidos tenham diferenças importantes, os dois países atravessam um ciclo de baixa da pecuária, quando a oferta de animais prontos para abate diminui de forma expressiva. Esse movimento ajuda a explicar a alta dos preços da carne bovina em ambos.
Ainda assim, analistas avaliam que a situação é mais preocupante nos EUA, dado o nível mais apertado de oferta. Estimativas do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos indicam que o estoque americano de gado bovino deve ficar em 86,7 milhões de cabeças em 2026.
No Brasil, o plantel diminuiu 8,3% nos últimos três anos, mas o país segue com 178,2 milhões de cabeças, cerca de o dobro do rebanho americano.
A recomposição do rebanho nos Estados Unidos ocorre lentamente após anos de seca e de custos de produção elevados. Esses fatores reduziram a capacidade de retenção de matrizes e dificultaram a recuperação da oferta de animais ao longo do tempo.
Clima é o principal risco: cerca de 80% do gado americano está em áreas afetadas pela seca, o que pressiona a disponibilidade de pasto e eleva custos de alimentação.
Além do clima, pecuaristas americanos enfrentam um novo fator de estresse: a mosca-varejeira-do-novo-mundo, detectada em bezerros no Texas. O registro marcou o primeiro surto em animais de criação em cinco décadas, elevando a atenção do setor e de autoridades sanitárias.
Especialistas ressaltam que a praga não é considerada uma ameaça à segurança alimentar. O impacto maior recai sobre a logística e a economia do setor: a presença do parasita pode interromper o transporte de animais, gerar quarentenas e impor controles de movimentação, reduzindo ainda mais a oferta em um mercado já apertado.
Mais inspeções e exigências para transporte interestadual de gado;
Risco de quarentenas e bloqueios logísticos em áreas com detecção do parasita;
Pressão sobre margens de produtores e da indústria de carne bovina;
Oferta ainda menor de animais prontos para abate no curto prazo.
Alguns estados americanos, como Oklahoma, Geórgia e Missouri, passaram a exigir licenças e inspeções para determinados carregamentos de gado, reforçando o controle sanitário. No mesmo contexto, o Canadá bloqueou carregamentos que estiveram no Texas nas últimas semanas.
Do lado americano, houve suspensão das exportações de gado e outros animais para o México e manutenção da suspensão das importações de animais vivos mexicanos. A interrupção do comércio com o México restringe a entrada de animais que, historicamente, adicionavam cerca de 1 milhão de cabeças por ano ao mercado dos EUA.
A alta da carne bovina afeta diretamente o orçamento das famílias e pode alterar padrões de consumo, com migração para proteínas mais baratas e mudanças na qualidade da dieta. Em termos de saúde pública, especialistas costumam observar que choques de preços em alimentos básicos podem ampliar desigualdades e reduzir o acesso a opções nutricionalmente adequadas, especialmente em populações mais vulneráveis.
No caso do parasita, o risco citado por analistas e autoridades é sobretudo operacional e econômico, uma vez que medidas de contenção podem reduzir a disponibilidade de gado e alimentar a escalada de preços.
Indicadores recentes do setor apontam que o número de animais em confinamento em abril cresceu 6% em relação ao ano anterior, segundo dados do USDA. Ainda assim, o aumento não elimina as limitações impostas por seca, custos de alimentação e entraves logísticos, o que mantém o mercado sob pressão.
Fatores que elevam o preço da carne bovina nos EUA Efeito no mercado Menor rebanho em 75 anos Oferta restrita e disputa por animais para abate Seca ampla Menos pasto, maior custo de alimentação e lenta recomposição Parasita e medidas sanitárias Quarentenas, inspeções e travas na movimentação de gado Restrições com o México Menos entrada de animais e pressão adicional na oferta
Com a combinação de estoque reduzido, clima adverso e barreiras sanitárias e comerciais, a expectativa do mercado é de que os preços permaneçam elevados e voláteis, enquanto a cadeia busca recompor o rebanho e estabilizar a oferta.
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A Tereos concluiu, em junho, uma operação de grande escala com o embarque de 75 mil toneladas de açúcar VHP (Very High Polarization) em um único navio com destino ao mercado chinês.

O petróleo recua pelo terceiro dia, diante do aumento do tráfego marítimo pelo Estreito de Hormuz e de sinais de um período menos agressivo entre EUA e Irã. O Brent caiu 1,20% para 70,71 dólares por barril e o WTI cedeu 1,25% para 67,72 dólares; o gás natural negociado em Amesterdão (TTF) avançou 0,52%, para 43 dólares por megawatt-hora. Uma fonte não identificada da Administração Trump afirmou que cerca de 10 milhões de barris por dia passam pelo Hormuz, conforme a Bloomberg, sugerindo que as capacidades do Irã para perturbar a circulação podem estar comprometidas. Saul Kavonic, analista da MST Marquee, disse que a pressão de baixa nos preços acompanha o fluxo maior pelo estreito combinado com a liberação de reservas estratégicas e uma demanda menor. A falta de novas agressões entre EUA e Irã também tem contribuído para o recuo. No radar, as negociações entre EUA e Irã devem entrar em um ritmo mais morno, pois a partir de 4 de julho começam as cerimônias fúnebres do ex-líder supremo Ali Khamenei, o que deverá prolongar-se por vários dias.

O texto trata da cota brasileira de exportação de carne bovina para a China, de 1,106 milhão de toneladas, com tarifa de 12% dentro da cota e 55% adicional fora dela (total de 67% acima do limite). Mesmo com o fim de junho, a percepção é de que a cota está perto de ser preenchida, com o governo chinês baseando-se no que chega aos portos ao longo do ano. No cenário de 2026, as cargas enviadas no fim de 2025 e que chegam em 2026 influenciam o equilíbrio; dados até maio indicam 65,4% da cota já preenchidos, e a expectativa é de que importadores chineses retomem compras apenas em outubro, com parte das remessas de 2025 chegando à China apenas no começo de 2027. Diante desse cenário de demanda mais fraca e da perspectiva de fim de cota, frigoríficos brasileiros anunciaram medidas de ajuste. A Frigol, uma das cinco maiores do setor, vai conceder férias coletivas de 18 dias a quase mil funcionários da unidade de Água Azul do Norte (PA) a partir de....

A União Europeia decidiu excluir o Brasil da lista de países habilitados a exportar proteínas animais por não comprovar o uso adequado de antimicrobianos na produção. A formalização pela Comissão Europeia já ocorreu e a medida passa a valer em 3 de setembro. Mesmo assim, governo, indústria e entidades do agronegócio intensificam esforços para reverter a decisão, buscando demonstrar aos europeus que o Brasil possui mecanismos para cumprir as exigências relacionadas ao uso de antimicrobianos.

O Índice de Preços do International Grains Council (IGC) subiu 3,0% em maio ante abril, segundo dados do Ministério da Agricultura e Ambiente (MAA). Entre os principais produtos, o trigo liderou as altas com 3,8%, seguido pelo arroz com 3,7% e pelo milho com 2,0%. Para a safra 2025/26, a previsão aponta produção mundial recorde, enquanto para 2026/27 indica uma queda de 3% na colheita global, devido à menor produção nos países exportadores. No milho, a produção estimada para 2025/26 é de 1.329 milhões de toneladas, com recuo de 2% em 2026/27 por redução da área plantada e da produtividade. O arroz manteve a tendência de alta, puxado pela menor disponibilidade no Vietnã e pela oferta restrita na Tailândia; a variedade Thai 5% Broken teve alta de 8,5%. A soja ficou mais cara, sustentada pelo aumento dos preços de energia e pela valorização dos óleos vegetais nos EUA, com impactos também no Brasil e na Argentina. Já o açúcar subiu 3,4% em maio, devido às previsões de queda na produção por el Niño, especialmente na Índia, Tailândia e Brasil; além disso, a opção de fábricas brasileiras por desviar cana para etanol reduziu a oferta de açúcar para exportação, elevando os preços internacionais. Fonte: Inforpress.