
O Brasil deverá concentrar a maior parcela da cota de exportação de carne bovina prevista no acordo comercial entre Mercosul e União Europeia. A divisão do volume entre os países do bloco sul-americano segue um entendimento setorial que estabelece a repartição proporcional da cota, com base no peso relativo das exportações de cada nação no mercado internacional.
Pelo arranjo, o Brasil ficaria com 42,5% do total destinado ao Mercosul. Em seguida aparecem Argentina (29,5%), Uruguai (21%) e Paraguai (7%). A lógica é alinhar a distribuição à participação histórica e à capacidade exportadora de cada país, evitando disputas internas quando a cota passar a valer.
O critério do entendimento é a proporcionalidade: a cota europeia seria distribuída conforme o peso das exportações de carne bovina de cada país do Mercosul no comércio global.
A divisão foi definida em um acordo empresarial firmado em 2004, antes mesmo da conclusão das negociações comerciais entre Mercosul e União Europeia. O entendimento foi construído entre associações representativas da cadeia da carne e do setor agropecuário dos países do bloco, com o objetivo de criar uma referência comum para a futura operacionalização do acesso ao mercado europeu.
Entre os signatários, estão entidades do Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, incluindo associações de exportadores, confederações do agro e câmaras industriais ligadas à produção e ao processamento de carne bovina.
País Participação na cota do Mercosul Brasil 42,5% Argentina 29,5% Uruguai 21% Paraguai 7%
O acordo Mercosul–União Europeia prevê uma cota anual de 99 mil toneladas de carne bovina com tarifa reduzida para o bloco sul-americano. O volume é dividido em dois grupos de produto:
55 mil toneladas de carne bovina fresca ou refrigerada;
44 mil toneladas de carne bovina congelada.
Em ambos os casos, o mecanismo prevê uma tarifa de importação de 7,5%, abaixo da tarifa aplicada pela União Europeia a importações fora da cota. Para exportadores, a medida tende a aumentar a competitividade do produto do Mercosul no mercado europeu, especialmente em um ambiente de forte exigência sanitária, rastreabilidade e especificações de qualidade.
A entrada em vigor do volume total não ocorre de forma imediata. O texto do acordo estabelece uma introdução gradual da cota ao longo de seis anos, até que seja atingido o limite completo previsto. Na prática, o cronograma escalonado pode reduzir impactos abruptos no mercado europeu e, ao mesmo tempo, dar previsibilidade para os exportadores do Mercosul ajustarem oferta, logística e estratégias comerciais.
Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços indicam que as exportações brasileiras de carne bovina fresca, refrigerada ou congelada para a União Europeia oscilaram nos últimos anos. Em geral, os volumes mensais têm se mantido entre 3 mil e 7 mil toneladas, embora haja registros recentes acima desse patamar.
Em valor, os embarques mensais variaram entre US$ 20 milhões e US$ 50 milhões, também com picos recentes acima desse intervalo. O movimento reflete, entre outros fatores, a valorização internacional da proteína bovina, em um cenário de ajuste de oferta global e demanda aquecida em diferentes destinos.
A definição prévia de critérios para repartir a cota entre os países do Mercosul é vista como um ponto sensível para o setor, porque a União Europeia representa um mercado de alto valor agregado e com exigências técnicas rigorosas. Ao estabelecer uma referência baseada na participação exportadora, o entendimento reduz incertezas e ajuda a organizar o posicionamento dos países do bloco.
Para o Brasil, que tende a concentrar a maior fatia, o acordo pode reforçar a presença em nichos premium e ampliar a previsibilidade de acesso ao mercado europeu. Para Argentina, Uruguai e Paraguai, a repartição também sinaliza espaço e estabilidade no envio de volumes dentro do mecanismo tarifário mais favorável.
Em resumo: o Brasil deve ficar com a maior parte da cota de 99 mil toneladas prevista no acordo Mercosul–União Europeia, que terá implementação gradual em seis anos e tarifa reduzida, enquanto a repartição entre os países segue um entendimento setorial baseado no peso relativo das exportações.
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