
Ibovespa cai com guerra no Irã; petróleo dispara, Petrobras registra lucro no 4T/2025 e foco fica no Boletim Focus
Resumo: A semana começa com volatilidade nos mercados, acompanhando uma agenda econômica carregada de indicadores globais em meio à escalada do conflito no Oriente Médio. No Brasil, o foco é o Boletim Focus (8h30), com projeções de inflação, PIB e juros. No exterior, Alemanha divulga encomendas e produção industrial (4h) e o índice de confiança Sentix (6h30); o Eurogrupo se reúne (7h) e há fala de Frank Elderson (7h30). América Latina observa o IPC do México (feb) às 9h. Nos EUA, acompanham-se o Índice de Tendência de Emprego (11h) e as Expectativas de Inflação ao Consumidor (12h). No Japão, o PIB do 4T/2025 sai às 20h50, apontando leve desaceleração. Geopoliticamente, o Irã permanece no foco, com alertas de chuva ácida após ataques israelenses e interrupção de exportações na região, elevando os preços de petróleo (WTI acima de US$ 108, Brent acima de US$ 107). Internamente, Mojtaba Khamenei é eleito o novo líder supremo. No Brasil, o Ibovespa fechou a semana anterior em queda de 4,99%, aos 179.364,82 pontos, com Petrobras registrando lucro líquido de R$ 15,6 bilhões no 4T/2025.
Mercados abrem a semana sob tensão geopolítica e agenda econômica intensa; petróleo dispara com guerra no Irã
Indicadores de inflação, emprego e atividade no Brasil e no exterior voltam ao centro das decisões, enquanto a escalada no Oriente Médio eleva a volatilidade e pressiona energia e ativos de risco.
Os mercados financeiros iniciam esta segunda-feira, 9, em um ambiente de alta volatilidade, com investidores dividindo atenções entre uma agenda econômica carregada e a evolução da guerra no Irã, que segue pressionando preços de energia e ampliando a aversão ao risco. No cenário atual, a combinação de choque no petróleo e dados macroeconômicos relevantes pode alterar expectativas de política monetária nos próximos meses, com impacto direto sobre inflação, juros e crescimento.
Ao longo do dia, serão divulgados indicadores de inflação, emprego e atividade econômica em diferentes regiões, com potencial de reprecificar projeções para taxas de juros e, indiretamente, influenciar custos de financiamento e condições econômicas que se refletem no bem-estar da população.
Brasil: Boletim Focus orienta expectativas para inflação, PIB e juros
No Brasil, o principal destaque da manhã é a divulgação do Boletim Focus, publicada pelo Banco Central às 8h30. O relatório reúne as projeções do mercado para inflação, PIB e taxa básica de juros, funcionando como um termômetro das expectativas para a condução da política monetária no médio prazo.
Por que importa: ajustes nas projeções de inflação e juros costumam afetar o custo do crédito, o consumo e o ritmo de crescimento, além de influenciar decisões de investimento e o humor do mercado.
Europa: Alemanha, confiança do investidor e eventos do BCE no radar
Na Europa, a agenda começa cedo. Às 4h, saem dados de encomendas e produção industrial da Alemanha referentes a janeiro, acompanhados de perto por analistas em busca de sinais sobre o desempenho da maior economia da região.
Em seguida, às 6h30, é divulgado o índice de confiança do investidor Sentix na zona do euro. A leitura do indicador ajuda a medir o sentimento do mercado em relação às perspectivas econômicas do bloco.
Também entram no radar eventos institucionais: às 7h, ocorre reunião do Eurogrupo, e às 7h30 fala Frank Elderson, do Banco Central Europeu, com expectativa de comentários sobre o cenário econômico e monetário regional.
Encomendas e produção na Alemanha: sinais de ritmo industrial.
Sentix: termômetro da confiança do investidor.
Eurogrupo e BCE: pistas sobre o debate de política econômica.
América Latina e Estados Unidos: inflação no México e sinais do mercado de trabalho americano
Na América Latina, às 9h, o México divulga o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) mensal e anual de fevereiro, dado relevante para calibrar expectativas sobre inflação e juros no país.
Já nos Estados Unidos, os investidores acompanham o Índice de Tendência de Emprego às 11h e, ao meio-dia, as Expectativas de Inflação ao Consumidor. Ambos os indicadores são observados por seu potencial de influenciar a leitura sobre o comportamento de preços e a dinâmica do mercado de trabalho — fatores determinantes para as próximas decisões de política monetária.
Região Indicador / Evento Horário Relevância Brasil Boletim Focus (BC) 8h30 Projeções de inflação, PIB e juros Alemanha Encomendas e produção industrial (jan) 4h Leitura do setor industrial Zona do euro Confiança do investidor Sentix 6h30 Sentimento e expectativas Europa Eurogrupo; fala de Frank Elderson (BCE) 7h; 7h30 Sinais sobre política econômica e monetária México IPC (fev) 9h Pressão inflacionária e juros Estados Unidos Índice de Tendência de Emprego; expectativas de inflação 11h; 12h Mercado de trabalho e percepção de preços
Japão: PIB do 4º trimestre de 2025 aponta desaceleração
No Japão, às 20h50, será divulgado o PIB do quarto trimestre de 2025. A leitura preliminar indica leve desaceleração de 0,1% no trimestre e 0,2% no ano, dado que pode influenciar o sentimento sobre a dinâmica econômica na Ásia e o apetite global por risco.
Guerra no Irã mantém mercados em alerta e interrompe rotas estratégicas de energia
No campo geopolítico, a escalada da guerra no Irã segue no centro das atenções, com o conflito entrando no 10º dia nesta segunda-feira. Autoridades iranianas emitiram alerta para risco de chuva ácida após ataques israelenses contra depósitos de petróleo na capital no domingo, 8.
Os bombardeios atingiram pelo menos quatro depósitos de combustível e um centro logístico durante a madrugada, provocando grandes incêndios que continuavam ativos horas depois. A intensificação das ofensivas, descritas como uma ação conjunta de Estados Unidos e Israel, passou a afetar exportações de petróleo e gás natural no Oriente Médio, levando a cortes em países como Kuwait, Iraque, Catar, Emirados Árabes e Arábia Saudita.
Um dos principais pontos de preocupação é o Estreito de Ormuz, rota estratégica responsável por cerca de 20% do transporte global de petróleo. Segundo as informações do mercado, o tráfego na região está praticamente interrompido, elevando a percepção de risco sobre a oferta global de energia.
Principais impactos imediatos do conflito:
Queda na oferta de petróleo e gás, com interrupções em exportações.
Estresse logístico em rotas marítimas estratégicas.
Pressão inflacionária global via energia, com reflexos em custos de transporte e produção.
Mais volatilidade em bolsas e moedas, por aumento da aversão ao risco.
Petróleo acima de US$ 100 e temor de efeito crítico na economia global
As paralisações e a tensão no Oriente Médio fizeram o preço do barril disparar. O WTI ultrapassou US$ 108 e o Brent superou US$ 107, com altas de 18% e 16%, respectivamente, no pré-mercado de domingo.
Analistas alertam que o patamar de US$ 100 por barril pode ser especialmente crítico para a economia global caso o conflito se prolongue, elevando custos de energia e ampliando o risco de inflação persistente em diferentes países.
No plano interno do Irã, a Assembleia de Especialistas elegeu Mojtaba Khamenei, filho de Ali Khamenei, como novo líder supremo. Considerado um clérigo de linha-dura, ele tem apoio da Guarda Revolucionária e teria atuado nos bastidores ao lado do pai.
Brasil: queda do Ibovespa e resultados corporativos em meio à aversão ao risco
No mercado doméstico, o Ibovespa encerrou a semana anterior com queda de 4,99%, aos 179.364,82 pontos, após oscilar entre 178.556,49 e 181.091,01. O desempenho foi o pior desde junho de 2022, refletindo o aumento da aversão ao risco diante da escalada do conflito no Oriente Médio.
Apesar do ambiente adverso, houve destaque para resultados corporativos, como o lucro líquido da Petrobras no quarto trimestre de 2025, que reverteu prejuízo anterior e alcançou R$ 15,6 bilhões.
Com a combinação de dados econômicos e tensão geopolítica, a semana começa com investidores atentos à direção dos preços de energia, à leitura de inflação e ao impacto potencial sobre juros e atividade. A depender do desenrolar do conflito e dos indicadores, a volatilidade pode se manter elevada.
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