
São Paulo — O agronegócio paulista encerrou os cinco primeiros meses de 2026 com superávit de US$ 8,37 bilhões na balança comercial. O resultado foi sustentado por exportações de US$ 10,85 bilhões e importações de US$ 2,48 bilhões, consolidando o setor como um dos principais motores do comércio exterior do estado.
No período, o agro respondeu por 38,5% de tudo o que São Paulo exportou. Já as compras externas do setor representaram 6,9% das importações estaduais, reforçando o papel do agronegócio como gerador líquido de divisas.
Segundo o secretário de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, Geraldo Melo Filho, o resultado evidencia a capacidade do setor de manter e ampliar participação em mercados internacionais mesmo com um ambiente menos favorável para os preços agrícolas. Para ele, o ganho de competitividade vem principalmente “dentro da porteira”, com melhorias de produtividade e adoção de tecnologia.
O secretário destaca que, mesmo com a redução das cotações internacionais de commodities relevantes, o setor conseguiu aumentar o volume embarcado e preservar um saldo comercial robusto, superior a US$ 8 bilhões. Na avaliação do governo paulista, o desempenho reflete eficiência produtiva e capacidade de atender compradores externos cada vez mais exigentes.
Dados analisados pela área técnica do setor indicam que, na comparação com o mesmo período do ano anterior, houve queda de 3,2% no valor exportado. Ainda assim, o volume exportado avançou 5,2%, sinalizando aumento de vendas físicas ao exterior.
Para o diretor da APTA, Carlos Nabil Ghobril, a discrepância entre valor e volume está ligada à desvalorização internacional de commodities com grande peso na pauta paulista, especialmente açúcar e suco de laranja. Na prática, o estado exportou mais, porém com preços médios menores em itens estratégicos.
Entre janeiro e maio, cinco grupos concentraram 73,1% das exportações do agronegócio paulista. O destaque foi o complexo sucroalcooleiro, seguido pelo setor de carnes e pelo complexo soja, além de produtos florestais e sucos.
Grupo Participação no total Valor exportado Composição (destaques) Complexo sucroalcooleiro 21,3% US$ 2,3 bilhões Açúcar (95,1%) e etanol (4,9%) Carnes 17,0% US$ 1,8 bilhão Carne bovina (83,5%) Complexo soja 14,3% US$ 1,05 bilhão Soja em grão (84,3%) e farelo (10,7%) Produtos florestais 13,0% US$ 1,4 bilhão Celulose (65,1%) e papel (28,8%) Sucos 7,5% US$ 813,2 milhões Suco de laranja (96,3%)
Na sequência, o café aparece como o sexto principal grupo exportador do agro paulista, com 6,4% de participação e US$ 689,2 milhões. Dentro desse total, predominam o café verde e o café solúvel.
A comparação anual mostra um cenário misto entre os grupos de produtos. Houve aumento nas exportações dos segmentos de carnes, complexo soja e produtos florestais. Em contrapartida, foram registradas quedas em sucos, no complexo sucroalcooleiro e em café.
Altas: carnes (+20,1%), complexo soja (+17,4%) e produtos florestais (+12,7%).
Quedas: sucos (-39,3%), sucroalcooleiro (-16,6%) e café (-16,5%).
De acordo com o pesquisador do Instituto de Economia Agrícola, José Alberto Ângelo, os produtos florestais permanecem entre os destaques da pauta exportadora paulista, impulsionados por uma demanda internacional aquecida por celulose.
A China manteve a liderança como principal destino das exportações do agronegócio paulista, com 27,8% de participação. As vendas ao mercado chinês são puxadas por produtos do complexo soja, carnes, florestais e fibras têxteis.
Na sequência, a União Europeia aparece com 14,7% do total exportado, enquanto os Estados Unidos respondem por 10,2%, reforçando a diversidade de destinos e a relevância do agro paulista nas cadeias globais.
No ranking nacional, São Paulo ocupa a segunda posição entre os estados exportadores do agronegócio, com 15,4% de participação, atrás de Mato Grosso, que lidera com 20,7%. O desempenho paulista é atribuído à força industrial e logística do estado, somada à diversidade de cadeias produtivas.
Apesar do saldo positivo, a avaliação técnica indica que o comércio exterior segue exposto a incertezas ligadas a preços internacionais, custos logísticos e ao cenário geopolítico. Ainda assim, há expectativa de fortalecimento das exportações de açúcar no segundo semestre.
Entre os fatores apontados, está a possibilidade de abertura de oportunidades para o produto brasileiro com a restrição de exportações da Índia, o que pode favorecer o açúcar nacional em mercados estratégicos, especialmente na Ásia.
Com exportações resilientes, crescimento de volume e diversificação de destinos, o agronegócio paulista segue como peça central da balança comercial estadual, mesmo sob pressão de preços mais baixos no mercado internacional.

A Tereos concluiu, em junho, uma operação de grande escala com o embarque de 75 mil toneladas de açúcar VHP (Very High Polarization) em um único navio com destino ao mercado chinês.

O petróleo recua pelo terceiro dia, diante do aumento do tráfego marítimo pelo Estreito de Hormuz e de sinais de um período menos agressivo entre EUA e Irã. O Brent caiu 1,20% para 70,71 dólares por barril e o WTI cedeu 1,25% para 67,72 dólares; o gás natural negociado em Amesterdão (TTF) avançou 0,52%, para 43 dólares por megawatt-hora. Uma fonte não identificada da Administração Trump afirmou que cerca de 10 milhões de barris por dia passam pelo Hormuz, conforme a Bloomberg, sugerindo que as capacidades do Irã para perturbar a circulação podem estar comprometidas. Saul Kavonic, analista da MST Marquee, disse que a pressão de baixa nos preços acompanha o fluxo maior pelo estreito combinado com a liberação de reservas estratégicas e uma demanda menor. A falta de novas agressões entre EUA e Irã também tem contribuído para o recuo. No radar, as negociações entre EUA e Irã devem entrar em um ritmo mais morno, pois a partir de 4 de julho começam as cerimônias fúnebres do ex-líder supremo Ali Khamenei, o que deverá prolongar-se por vários dias.

O texto trata da cota brasileira de exportação de carne bovina para a China, de 1,106 milhão de toneladas, com tarifa de 12% dentro da cota e 55% adicional fora dela (total de 67% acima do limite). Mesmo com o fim de junho, a percepção é de que a cota está perto de ser preenchida, com o governo chinês baseando-se no que chega aos portos ao longo do ano. No cenário de 2026, as cargas enviadas no fim de 2025 e que chegam em 2026 influenciam o equilíbrio; dados até maio indicam 65,4% da cota já preenchidos, e a expectativa é de que importadores chineses retomem compras apenas em outubro, com parte das remessas de 2025 chegando à China apenas no começo de 2027. Diante desse cenário de demanda mais fraca e da perspectiva de fim de cota, frigoríficos brasileiros anunciaram medidas de ajuste. A Frigol, uma das cinco maiores do setor, vai conceder férias coletivas de 18 dias a quase mil funcionários da unidade de Água Azul do Norte (PA) a partir de....

A União Europeia decidiu excluir o Brasil da lista de países habilitados a exportar proteínas animais por não comprovar o uso adequado de antimicrobianos na produção. A formalização pela Comissão Europeia já ocorreu e a medida passa a valer em 3 de setembro. Mesmo assim, governo, indústria e entidades do agronegócio intensificam esforços para reverter a decisão, buscando demonstrar aos europeus que o Brasil possui mecanismos para cumprir as exigências relacionadas ao uso de antimicrobianos.

O Índice de Preços do International Grains Council (IGC) subiu 3,0% em maio ante abril, segundo dados do Ministério da Agricultura e Ambiente (MAA). Entre os principais produtos, o trigo liderou as altas com 3,8%, seguido pelo arroz com 3,7% e pelo milho com 2,0%. Para a safra 2025/26, a previsão aponta produção mundial recorde, enquanto para 2026/27 indica uma queda de 3% na colheita global, devido à menor produção nos países exportadores. No milho, a produção estimada para 2025/26 é de 1.329 milhões de toneladas, com recuo de 2% em 2026/27 por redução da área plantada e da produtividade. O arroz manteve a tendência de alta, puxado pela menor disponibilidade no Vietnã e pela oferta restrita na Tailândia; a variedade Thai 5% Broken teve alta de 8,5%. A soja ficou mais cara, sustentada pelo aumento dos preços de energia e pela valorização dos óleos vegetais nos EUA, com impactos também no Brasil e na Argentina. Já o açúcar subiu 3,4% em maio, devido às previsões de queda na produção por el Niño, especialmente na Índia, Tailândia e Brasil; além disso, a opção de fábricas brasileiras por desviar cana para etanol reduziu a oferta de açúcar para exportação, elevando os preços internacionais. Fonte: Inforpress.