
Os preços do petróleo fecharam em forte alta nesta segunda-feira, impulsionados pela intensificação do conflito no Oriente Médio e pelo aumento do risco geopolítico sobre uma das rotas mais estratégicas do comércio global de energia: o Estreito de Ormuz.
Em um movimento que repercutiu imediatamente nos mercados internacionais, o petróleo Brent para maio avançou 6,68%, encerrando a sessão a US$ 77,74 por barril, em negociações na Intercontinental Exchange (ICE), em Londres. Já o WTI para abril, referência nos Estados Unidos e negociado na New York Mercantile Exchange (Nymex), subiu 6,28%, para US$ 71,23 por barril.
A valorização foi atribuída à crescente percepção de que a guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã pode afetar o fluxo de petróleo no curto prazo, elevando a volatilidade e provocando uma reprecificação do risco em ativos ligados à energia. A tensão também se espalhou para outros mercados, alimentando um clima de aversão ao risco e maior cautela entre investidores.
Destaque: O conflito aumentou os temores de interrupção logística no Estreito de Ormuz, considerado ponto crítico para o transporte de petróleo e derivados no mundo.
A escalada nos preços começou ainda no domingo, quando o Brent registrou alta de cerca de 10% no mercado de balcão, aproximando-se de US$ 80 por barril, de acordo com operadores do setor. No mesmo período, avaliações de mercado passaram a considerar a possibilidade de o barril voltar a níveis mais elevados caso o conflito se prolongue ou se intensifique, com algumas projeções apontando para US$ 100 em cenários de maior restrição de oferta.
A dinâmica reflete um padrão típico em crises geopolíticas que envolvem grandes produtores: o mercado tende a precificar não apenas o que já aconteceu, mas principalmente o risco do que pode acontecer — como interrupções de exportação, sanções mais duras ou limitações de tráfego marítimo.
Segundo as informações do fim de semana, Estados Unidos e Israel iniciaram no sábado uma nova onda de ataques contra o Irã, em meio ao aumento das tensões envolvendo o programa nuclear iraniano. Desde então, o cenário passou a ser acompanhado com atenção por governos, empresas e agentes do setor energético, especialmente devido ao potencial de impacto sobre rotas de escoamento.
Na abertura do mercado futuro após o início do conflito, o Brent chegou a disparar 12%, indicando forte reposicionamento de investidores e empresas diante de um evento considerado de alto risco para o abastecimento global.
O Oriente Médio permanece como um dos centros mais sensíveis do mercado de petróleo: mesmo quando a produção não é imediatamente afetada, a ameaça sobre infraestrutura, portos, refinarias e rotas marítimas costuma ser suficiente para elevar os prêmios de risco e pressionar as cotações.
Um dos pontos mais críticos desta nova fase do conflito é o impacto sobre o Estreito de Ormuz, passagem marítima que liga o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e ao Mar Arábico. A rota atravessa águas próximas ao Irã e a Omã e é considerada essencial para o transporte global de petróleo, concentrando parte relevante do fluxo diário exportado por produtores da região.
Com a escalada, houve redução do tráfego marítimo no estreito, o que aumentou a preocupação de traders e empresas de logística. A simples possibilidade de restrição de passagem já tende a pressionar preços, pois eleva custos de seguro, altera rotas e encarece o frete — efeitos que podem chegar rapidamente ao consumidor em forma de aumento de combustíveis.
Por que isso importa? Quando uma rota estratégica sofre restrições, o mercado passa a precificar:
Risco de interrupção no transporte de petróleo e derivados;
Alta no custo logístico (seguro, frete e tempo de trânsito);
Pressão inflacionária em energia e combustíveis;
Volatilidade em bolsas e moedas de países importadores.
No sábado, um funcionário ligado à missão naval da União Europeia, Aspides, informou que embarcações têm recebido transmissões por rádio em VHF atribuídas à Guarda Revolucionária do Irã. As mensagens teriam afirmado que nenhum navio poderia passar pelo Estreito de Ormuz.
Embora o cenário operacional possa variar rapidamente, relatos do tipo aumentam a cautela e costumam gerar reações imediatas no mercado de energia, pois indicam a possibilidade de ações que afetem o fluxo marítimo ou elevem o risco de incidentes na região.
Referência Vencimento Fechamento Variação Brent Maio US$ 77,74 +6,68% WTI Abril US$ 71,23 +6,28%
O mercado segue monitorando a evolução do conflito e, principalmente, qualquer indicação de bloqueios, incidentes ou limitações adicionais na navegação do Estreito de Ormuz, um fator que pode amplificar movimentos de alta no curto prazo.
Para consumidores e empresas, a preocupação central é a possibilidade de repasse nos preços de combustíveis e energia, com impactos em custos de transporte e inflação. No cenário internacional, a tendência é de continuidade da volatilidade enquanto houver incerteza sobre a duração e a intensidade dos confrontos.

Resumo: O acordo entre seguradoras e a Pasta prevê a subvenção no máximo 180 dias após a contratação do seguro rural, mas a quitação prevista para fevereiro não ocorreu e o atraso persiste. Em 2025, as seguradoras receberam integralmente a subvenção de 2024 apenas em julho, o que prejudicou o planejamento de caixa e a originação de negócios, ainda que os produtores já tenham pago a parte correspondente nas apólices. O atraso pode elevar o risco no mercado e, consequentemente, refletir no preço dos prêmios, segundo especialistas da Fenseg. Do lado fiscal, o Proagro teve cortes: em dezembro de 2025, o MPO cancelou 758,3 milhões do Proagro e não houve repasse ao PSR; o orçamento de PSR para 2026 é de 1,017 bilhão, mas pode ser reduzido devido ao veto presidencial. A Frente Parlamentar da Agropecuária pretende derrubar o veto e proteger o orçamento. O Comitê Gestor Interministerial do Seguro Rural deve se reunir em março para definir o cronograma de aplicação de recursos em 2026, com expectativa de reserva maior baseada no Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc). Em 2025, houve destinação de 8 milhões a um projeto-piloto no Paraná, embora o montante final ainda não esteja definido.

O Irã bloqueia o Estreito de Ormuz, colocando em risco o fluxo global de matérias-primas para fertilizantes e parte do petróleo e gás, com a passagem quase paralisada após ataques recentes. A rota transporta entre um quarto e um terço dos insumos para fertilizantes e cerca de 20% do petróleo e gás marítimos. A interrupção afeta principalmente amônia e nitrogênio, insumos centrais para fertilizantes sintéticos, o que pode comprometer a produção agrícola global e elevar preços de itens básicos como pão e ração animal. A ureia egípcia subiu mais de 25%, atingindo US$ 625 por tonelada, refletindo o aperto de oferta. O Golfo Pérsico concentra grandes fábricas de fertilizantes e responde por cerca de 45% do comércio mundial de enxofre, aumentando o risco de choques se o bloqueio persistir. Em pleno plantio de primavera na Reino Unido, Europa e América do Norte — com o Reino Unido importando cerca de 60% dos fertilizantes nitrogenados — a volatilidade pode pressionar margens dos produtores e inflacionar alimentos.

Resumo: A C.Vale apresentou avanços significativos na piscicultura em 2025, segundo o relatório do presidente do Conselho de Administração, Alfredo Lang, na Assembleia Geral de 6 de fevereiro. No sistema de integração, 275 piscicultores entregaram 50,8 milhões de tilápias, com atuação robusta em fases iniciais: 78,1 milhões de alevinos e 60,6 milhões de juvenis, cultivados em 1.114 hectares de lâmina d’água, distribuídos em 1.343 tanques escavados e 500 tanques redes, em 21 municípios. O processamento acompanhou o crescimento: os frigoríficos de Palotina e Nova Prata do Iguaçu abatam 54,2 milhões de kg de tilápias, gerando 22 milhões de kg de produto acabado, sendo 73% destinados ao mercado interno (PR, SP, RJ, SC, MG). No externo, EUA, Tailândia, Taiwan, Canadá e Espanha foram os principais destinos. O ano registrou recordes de abate: 225.459 peixes em um único dia (Palotina, 31/07) e 12.941 unidades (Nova Prata, 25/08). Lang destacou que a diversificação e a integração entre produtores e cooperativa fortalecem a piscicultura, ampliando a renda dos associados.

Resumo: A Abramilho acompanha com apreensão a guerra entre EUA, Israel e Irã, destacando o Irã como principal parceiro comercial do Brasil nas exportações de milho. Entre 2020 e 2025, o Irã absorveu 9,08 milhões de toneladas de milho brasileiro, cerca de 20% das exportações brasileiras no último ano, com aproximadamente 80% do milho importado pelo Irã vindo do Brasil. O Irã também exporta ureia (184,7 mil toneladas no último ano), mas suas vendas diretas ao Brasil são limitadas por sanções; em 2025 o Brasil importou cerca de US$ 84 milhões em produtos iranianos. Há suspeitas de Triangulação de Carga para driblar restrições. No Brasil, a demanda interna supera a produção neste período, com a primeira safra em torno de 26 milhões de toneladas e o consumo no primeiro semestre chegando a cerca de 50 milhões de toneladas, com as exportações de milho previstas para se intensificarem a partir da segunda colheita. A entidade alerta que a escalada do conflito pode influenciar o cenário futuro, mas, enquanto não houver ataques que comprometam portos por razões humanitárias, o abastecimento interno de milho não deverá ser prejudicado.

Resumo: O fechamento do Estreito de Ormuz pode impactar o agronegócio de Minas Gerais ao elevar o custo do petróleo, combustíveis e fretes, pressionando a logística e o custo de produção. A crise tende a valorizar o dólar, o que, por um lado, pode favorecer exportações para o mercado árabe, mas, por outro, encarece fertilizantes, defensivos e máquinas importadas. O setor de fertilizantes, dependente de insumos importados, fica particularmente vulnerável à volatilidade de preços. A Faemg/Senar recomenda reforçar a gestão de risco, planejar compras de insumos com antecedência, usar instrumentos de proteção de preços e manter o fluxo de caixa sob controle, além de cobrar ações diplomáticas para reduzir impactos. Apesar dos riscos, há potencial de maior receita em reais com as exportações, desde que custos permaneçam sob controle.