
Atraso em subvenções do seguro rural pressiona mercado e pode encarecer apólices em 2026
oltou a gerar preocupação entre seguradoras e agentes do setor, que alertam para impactos no caixa das empresas e para o risco de aumento de preços e redução de oferta de produtos no próximo ciclo. O tema ganhou força após o descumprimento de uma previsão inicial de quitação que, segundo companhias, deveria ter ocorrido em fevereiro.
Pelo acordo firmado com o Ministério responsável, as seguradoras deveriam receber o valor da subvenção em até 180 dias após a contratação do seguro rural pelos produtores. Apesar dessa regra, fontes do setor relatam que os repasses seguem pendentes, alimentando o temor de repetição do cenário observado no ano passado.
Em 2024, as seguradoras afirmam que só receberam integralmente os valores referentes à subvenção daquele ano em julho de 2025. A demora, além de comprometer o planejamento financeiro, reduziu a capacidade de originação de novos negócios, já que parte dos recursos é direcionada à remuneração de corretores que comercializam as apólices.
Para o produtor rural, o impacto imediato é menor, porque o agricultor já paga sua parcela da apólice no ato da contratação. No entanto, especialistas do mercado destacam que o atraso atinge diretamente a estrutura de funcionamento do sistema: os repasses públicos compõem as receitas das seguradoras e ajudam a sustentar o pagamento de indenizações quando há sinistros.
“Algumas seguradoras podem pensar em compor esse risco de não recebimento nas novas taxas do prêmio do seguro. O pior dano é o reflexo em preços e produtos.”
— Glaucio Toyama, presidente da Comissão de Seguro Rural da Fenseg
Com juros elevados — citados pelo setor como próximos de 15% — o custo de carregar esse tipo de atraso aumenta. Na prática, a falta de previsibilidade amplia o risco e pode levar empresas a recalcular taxas, limitar coberturas ou reduzir a disposição para operar em determinadas regiões e culturas.
Representantes do mercado segurador informam que devem reforçar junto ao governo a necessidade de orçamento estável e previsibilidade para 2026, mas ressaltam que a prioridade, no curto prazo, é resolver os pagamentos ainda em aberto. A avaliação é que a operação atual já sente os efeitos de atrasos acumulados, com reflexos sobre estratégia comercial, apetite a risco e disponibilidade de capital.
Embora fontes afirmem que o atraso não seja suficiente para “quebrar” seguradoras, há consenso de que o problema recorrente eleva a percepção de risco e pode encarecer o seguro rural para quem está na ponta do sistema: o produtor.
Além dos atrasos, o mercado observa com cautela os sinais enviados pelo governo em relação a mudanças no modelo. Há dúvidas relacionadas à proposta de seguro paramétrico obrigatório, que teria avançado sem ampla consulta às seguradoras, segundo relatos. Em paralelo, o setor aponta que os cortes de orçamento não foram revertidos em 2025, contribuindo para o que algumas fontes chamam de “desidratação” do modelo atual de seguro rural.
Na visão de participantes do segmento, o ambiente de incerteza prejudica o desenho de produtos e a programação de capital, pois a operação depende de regras claras, cronograma de repasses e volume de recursos compatível com a demanda.
Outro ponto de atrito envolve a avaliação de que teria faltado interesse do Ministério da Agricultura em direcionar recursos remanescentes do Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (Proagro) para fortalecer a subvenção do seguro rural.
Conforme informações citadas pelo setor, em 26 de dezembro de 2025 o Ministério do Planejamento e Orçamento cancelou R$ 758,3 milhões do Proagro e remanejou os valores para outras áreas. O mercado aponta que não houve transferência para o Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR), mesmo após a redução de quase metade do orçamento inicial de R$ 1,06 bilhão e pedidos por mais recursos para subvencionar apólices.
Em resposta a questionamentos, o Ministério da Agricultura argumentou que as despesas do Proagro e do PSR são distintas e, por isso, não seria possível usar dotação destinada a despesa obrigatória para atender despesa discricionária, como a do PSR.
Tema O que está em discussão Possível efeito no mercado Atraso de subvenções Repasse fora do prazo de até 180 dias após contratação Pressão no caixa, risco de reajuste de prêmios e restrição de oferta Recursos do Proagro Cancelamento e remanejamento sem transferência ao PSR Menor capacidade de subvenção e perda de previsibilidade Modelo de seguro Debate sobre seguro paramétrico obrigatório Incerteza regulatória e dificuldade de planejamento
Para 2026, o valor previsto na Lei Orçamentária Anual para o PSR é de R$ 1,017 bilhão. No entanto, um mecanismo aprovado pelo Congresso para impedir cortes nesses recursos foi vetado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o que mantém a possibilidade de redução ao longo do ano.
A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) pretende derrubar o veto para restabelecer a proteção ao orçamento do programa, mas ainda não há data definida para a votação. A análise depende da convocação de sessão conjunta entre deputados e senadores.
O Comitê Gestor Interministerial do Seguro Rural deve se reunir ainda em março para definir o cronograma de aplicação do orçamento ao longo de 2026. Entre as expectativas do setor está a criação de uma reserva maior para o seguro rural baseado em níveis de manejo de solo apontados pelo Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc).
Em 2025, foram destinados R$ 8 milhões a um projeto-piloto no Paraná. Para o próximo ciclo, ainda não há definição do montante que poderá ser direcionado à expansão dessa estratégia.
Mesmo sem efeito imediato para quem já contratou a apólice, seguradoras e entidades avaliam que a persistência de atrasos e incertezas orçamentárias pode chegar ao campo na forma de:
Prêmios mais caros para compensar risco de não recebimento;
Menor variedade de coberturas e produtos disponíveis;
Redução de apetite por culturas e regiões mais expostas a eventos climáticos;
Menos previsibilidade para o planejamento de safra e gestão de risco.
Para o setor, a solução passa por regularidade de pagamentos, previsibilidade de orçamento e clareza sobre o desenho do modelo de seguro rural. Enquanto isso, a expectativa é que as próximas decisões do governo e do Congresso sobre o PSR influenciem diretamente o custo e a disponibilidade do seguro na temporada seguinte.

Resumo: O Governo do Espírito Santo, por meio da Seag, promove a palestra de apresentação do Programa de Embriões Bovinos produzidos in vitro – Edital PIVE 2025, nesta quinta-feira (05), às 14h, em Viana, para produtores de leite capixabas. O objetivo é ampliar o acesso à genética de alta qualidade, elevando produtividade, eficiência e sustentabilidade da pecuária leiteira; serão detalhados os critérios do edital, requisitos de participação e procedimentos de inscrição, com a agenda já incluindo Presidente Kennedy (24/02, já realizada) e Ecoporanga (26/03). As autoridades destacam os benefícios da genética para o setor, como maior volume de leite por animal, redução de custos e maior rentabilidade. Paralelamente, a Sedu segue com o Chamadão da Educação de Jovens e Adultos (EJA) 2026, iniciado em 23/02, visando mobilizar a população da Grande Vitória para retomar a educação básica. As ações incluíram panfletagens e atendimento em pontos estratégicos, como Cariacica, Serra, Vitória e a Praça do Papa, com próximo cronograma no Terminal Rodoviário de Vitória (04/03) e nos terminais de Jacaraípe (Serra) e Campo Grande (Cariacica) em 06/03. O secretário Vitor de Angelo e a gerente Mariana Berger ressaltam que a EJA está viva e que as ações fortalecem a matrícula e o retorno aos estudos.

O Irã bloqueia o Estreito de Ormuz, colocando em risco o fluxo global de matérias-primas para fertilizantes e parte do petróleo e gás, com a passagem quase paralisada após ataques recentes. A rota transporta entre um quarto e um terço dos insumos para fertilizantes e cerca de 20% do petróleo e gás marítimos. A interrupção afeta principalmente amônia e nitrogênio, insumos centrais para fertilizantes sintéticos, o que pode comprometer a produção agrícola global e elevar preços de itens básicos como pão e ração animal. A ureia egípcia subiu mais de 25%, atingindo US$ 625 por tonelada, refletindo o aperto de oferta. O Golfo Pérsico concentra grandes fábricas de fertilizantes e responde por cerca de 45% do comércio mundial de enxofre, aumentando o risco de choques se o bloqueio persistir. Em pleno plantio de primavera na Reino Unido, Europa e América do Norte — com o Reino Unido importando cerca de 60% dos fertilizantes nitrogenados — a volatilidade pode pressionar margens dos produtores e inflacionar alimentos.

Resumo: A C.Vale apresentou avanços significativos na piscicultura em 2025, segundo o relatório do presidente do Conselho de Administração, Alfredo Lang, na Assembleia Geral de 6 de fevereiro. No sistema de integração, 275 piscicultores entregaram 50,8 milhões de tilápias, com atuação robusta em fases iniciais: 78,1 milhões de alevinos e 60,6 milhões de juvenis, cultivados em 1.114 hectares de lâmina d’água, distribuídos em 1.343 tanques escavados e 500 tanques redes, em 21 municípios. O processamento acompanhou o crescimento: os frigoríficos de Palotina e Nova Prata do Iguaçu abatam 54,2 milhões de kg de tilápias, gerando 22 milhões de kg de produto acabado, sendo 73% destinados ao mercado interno (PR, SP, RJ, SC, MG). No externo, EUA, Tailândia, Taiwan, Canadá e Espanha foram os principais destinos. O ano registrou recordes de abate: 225.459 peixes em um único dia (Palotina, 31/07) e 12.941 unidades (Nova Prata, 25/08). Lang destacou que a diversificação e a integração entre produtores e cooperativa fortalecem a piscicultura, ampliando a renda dos associados.

Resumo: O petróleo subiu fortemente diante da escalada entre EUA/Israel e Irã, com temores de interrupção do tráfego no Estreito de Ormuz. O Brent para maio subiu 6,68% para US$ 77,74/barril (ICE) e o WTI para abril avançou 6,28% para US$ 71,23/barril (Nymex). No domingo, o Brent saltou cerca de 10% para ~US$ 80/barril, com analistas sugerindo possibilidade de chegar a US$ 100. A elevação reflete riscos geopolíticos e aumento da apreensão nos mercados globais, já que o Estreito de Ormuz é uma rota estratégica de petróleo. Além disso, a missão naval da UE, Aspides, informou que embarcações têm recebido transmissões VHF da Guarda Revolucionária do Irã, reiterando que nenhum navio pode passar pelo estreito.

Resumo: A Abramilho acompanha com apreensão a guerra entre EUA, Israel e Irã, destacando o Irã como principal parceiro comercial do Brasil nas exportações de milho. Entre 2020 e 2025, o Irã absorveu 9,08 milhões de toneladas de milho brasileiro, cerca de 20% das exportações brasileiras no último ano, com aproximadamente 80% do milho importado pelo Irã vindo do Brasil. O Irã também exporta ureia (184,7 mil toneladas no último ano), mas suas vendas diretas ao Brasil são limitadas por sanções; em 2025 o Brasil importou cerca de US$ 84 milhões em produtos iranianos. Há suspeitas de Triangulação de Carga para driblar restrições. No Brasil, a demanda interna supera a produção neste período, com a primeira safra em torno de 26 milhões de toneladas e o consumo no primeiro semestre chegando a cerca de 50 milhões de toneladas, com as exportações de milho previstas para se intensificarem a partir da segunda colheita. A entidade alerta que a escalada do conflito pode influenciar o cenário futuro, mas, enquanto não houver ataques que comprometam portos por razões humanitárias, o abastecimento interno de milho não deverá ser prejudicado.