
Negociações na reta final do Plano Safra 2026/27 avançam sob pressão de bancos e cooperativas, em meio a juros elevados, endividamento no campo e debate sobre as regras de direcionamento de recursos para o crédito rural.
Integrantes do governo envolvidos nas tratativas do Plano Safra 2026/27 negam que o Executivo pretenda ajustar os percentuais de direcionamento de fontes obrigatórias para o crédito rural. De acordo com duas fontes a par das conversas, não houve, até o momento, apresentação oficial de proposta concreta com esse objetivo.
O tema ganhou tração nos bastidores porque agentes do sistema financeiro vêm relatando dificuldades para alocar integralmente os recursos, sobretudo em linhas voltadas à agricultura familiar. Do lado do governo, a orientação, segundo as fontes, é manter o foco no desenho geral do plano e no equilíbrio entre oferta de crédito, demanda e capacidade operacional das instituições.
No debate técnico, o Banco Central tem se posicionado contra novos incrementos nas exigibilidades — isto é, nos percentuais mínimos que determinadas fontes de captação devem aplicar em crédito rural. A avaliação é de que elevações adicionais podem trazer efeitos colaterais e aumentar distorções no mercado de crédito.
Contexto recente: em março, o Conselho Monetário Nacional aprovou uma flexibilização temporária do percentual de aplicação dos recursos obrigatórios dos depósitos à vista em linhas do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar.
Esse ajuste temporário foi interpretado por parte do mercado como sinal de cautela do regulador diante do risco de excesso de liquidez direcionada a segmentos com menor demanda por crédito, especialmente em um cenário de juros altos e maior seletividade na concessão.
Representantes de instituições financeiras afirmam que os aumentos recentes nos percentuais de direcionamento teriam gerado um quadro de excesso de liquidez. Na prática, segundo esses agentes, a elevação das exigibilidades dificultou a aplicação total dos recursos do Plano Safra 2025/26, com impacto mais evidente em operações vinculadas ao Pronaf.
O argumento é que, mesmo havendo recursos disponíveis, a contratação se tornou mais difícil por uma combinação de fatores:
Endividamento no campo, que reduz margem para novos financiamentos e aumenta a necessidade de renegociação;
Juros elevados, que encarecem o crédito e diminuem a procura por empréstimos;
Maior seletividade dos agentes financeiros, que passaram a exigir mais garantias e melhor perfil de risco.
Em conjunto, esses elementos afetam a velocidade de contratação e podem fazer com que parte do volume direcionado permaneça sem utilização, aumentando a pressão por ajustes regulatórios — pressão que, segundo as fontes, não se converteu em proposta formal na negociação do Plano Safra 2026/27.
O debate atual ocorre após uma sequência de elevações nos percentuais de direcionamento a partir da safra 2023/24. Desde então, as exigências subiram em diferentes fontes relevantes para o crédito rural:
Fonte de recursos Percentual anterior Percentual atual Depósitos à vista 25% 31,5% Poupança rural 59% 70% LCAs 35% 60%
Para agentes do setor, o aumento contínuo desses índices elevou a obrigação de alocação em ritmo mais acelerado do que a demanda efetiva por determinadas linhas, em especial as voltadas a produtores com maior restrição financeira.
Além das mudanças em bancos tradicionais, uma alteração relevante ocorreu no ano passado: as cooperativas de crédito passaram a ser obrigadas a cumprir a aplicação de parte dos recursos em operações de crédito rural.
O índice inicial foi definido em 6%, movimento que garantiu R$ 6,4 bilhões para empréstimos rurais na safra 2025/26. A regra, contudo, prevê uma trajetória de aumento gradual até que a exigibilidade das cooperativas se iguale à dos bancos em 2028.
Próxima etapa: a partir de julho deste ano, o percentual das cooperativas sobe para 13%.
A mudança amplia a oferta potencial de recursos para o setor, mas também impõe desafios operacionais e de gestão de risco às cooperativas, especialmente em regiões onde a demanda por crédito pode oscilar conforme preço de commodities, clima e capacidade de pagamento do produtor.
No recorte da safra 2025/26, a soma dos recursos direcionados pelos índices obrigatórios alcançou R$ 455,2 bilhões. Já o volume total do Plano Safra 2025/26 foi de R$ 594,4 bilhões, abastecido também por saldos de fundos e recursos próprios das instituições financeiras.
O tamanho do montante e a composição das fontes reforçam por que o tema do direcionamento se tornou central nas negociações: a calibragem entre obrigação regulatória e demanda real é vista como determinante para a eficiência do crédito rural, sobretudo em um cenário em que o produtor enfrenta custos financeiros mais altos e, em alguns casos, necessidade de reestruturação de dívidas.
Com as discussões do Plano Safra 2026/27 entrando na fase final, o mercado acompanha sinais sobre possíveis ajustes técnicos, eventuais flexibilizações e o espaço para manter — ou não — os percentuais de direcionamento atuais. Até aqui, segundo as fontes, a posição do governo é de que não há intenção de mexer nos percentuais e não existe proposta formal na mesa.
Ainda assim, a avaliação de bancos e cooperativas sobre a execução do Plano Safra 2025/26, especialmente no Pronaf, deve seguir influenciando o debate, com atenção especial a três pontos:
Ritmo de contratação e gargalos operacionais nas linhas prioritárias;
Condições de crédito diante de juros e risco de inadimplência;
Efetividade do direcionamento para atingir o público-alvo sem gerar distorções de liquidez.
A expectativa é que a definição final considere o equilíbrio entre segurança do sistema, acesso do produtor ao financiamento e previsibilidade das regras, elementos decisivos para a próxima temporada do crédito rural no país.
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No dia 1º de julho entrou em vigor o Plano Safra 26/27, com recorde de R$ 610 bilhões disponibilizados no pacote de financiamento, dos quais R$525,1 bilhões (86%) são destinados à agricultura empresarial.

Não é novidade que o agronegócio brasileiro atravessa um momento desafiador. Soja, milho e algodão, pilares da nossa balança comercial, enfrentam preços pressionados e margens mais apertadas. Para quem se alavancou nos últimos anos, surfando no crédito farto e expansão acelerada, o cenário ficou ainda mais duro.

Minas Gerais é o segundo maior produtor de feijão do Brasil, ficando atrás apenas do Paraná, e deve colher cerca de 514,1 mil toneladas na safra 2025/26. Além do volume expressivo, o Estado se destaca por produzir três safras anuais — a safra das águas, a safra da seca e o feijão irrigado — demonstrando adaptação tecnológica. Nesse contexto, MG sediará o 14º Congresso Nacional de Pesquisa do Feijão (Conafe), de 27 a 29 de maio, na Cidade Administrativa Presidente Tancredo Neves, em Belo Horizonte.

Resumo: Os futuros de café encerraram a semana em alta nos pregões da NY e de Londres, com ganhos próximos a 2% e 2,7%, respectivamente, impulsionados por uma correção técnica após as fortes quedas da semana anterior. O recuo dos estoques certificados, de cerca de 650 mil para 600 mil sacas, em patamar historicamente baixo, atuou como suporte aos preços no curto prazo. O atraso da colheita brasileira manteve o mercado de arábica relativamente apertado, com a colheita até o momento em cerca de 14% frente a uma média histórica de 21%.

O governo lançou o Plano Safra 2026-2027, reservando 525,1 bilhões de reais para a agricultura empresarial. O crédito para produtores familiares também será oferecido, mas o valor não foi divulgado até o momento.