
A Bayer anunciou que vai reforçar, na safra 2026/27, uma estratégia centrada em ações educativas para ampliar o uso de semente certificada de soja e orientar produtores sobre as diferentes formas de remuneração pelo uso de biotecnologia. A iniciativa ocorre em meio a um cenário de incertezas no Rio Grande do Sul, onde parte relevante do setor convive com endividamento e impactos recorrentes de eventos climáticos extremos.
De acordo com Fabiano Oliveira, líder do negócio de soja da Bayer, a empresa identificou dúvidas frequentes no campo sobre a diferença de valores entre as opções de regularização. Segundo ele, ao optar por semente certificada ou pela salva legal, o custo fica em torno de metade do valor cobrado no royalty pós-plantio, aplicado no momento da entrega da soja na moega.
Além do componente educativo, a Bayer afirma que avalia alternativas comerciais para ampliar a adesão às modalidades consideradas regulares. Fábio Passos, diretor de soja comercial da companhia, informou que há conversas com entidades do setor no Rio Grande do Sul para discutir descontos ou uma possível condição comercial diferenciada.
Entre as organizações citadas estão a Associação de Produtores e Comerciantes de Sementes e Mudas do Rio Grande do Sul e a Associação das Empresas Cerealistas do RS. Segundo Passos, ainda não há definição, mas a diretriz imediata é fortalecer a semente certificada como principal caminho.
Foco da estratégia: ampliar a adesão à semente certificada e reduzir dúvidas sobre valores e regras de remuneração do uso de biotecnologia.
Na temporada 2025/26, a empresa executou o programa Pré-Certifica, voltado a produtores que utilizaram a biotecnologia, mas não realizaram o pagamento pelo seu uso por meio das opções de semente certificada ou salva legal.
Segundo a Bayer, o programa permitiu que a remuneração fosse feita com um valor inferior ao que seria devido no momento da entrega do grão, quando a cobrança é associada ao pós-plantio na moega. A companhia avalia que a medida contribuiu para reduzir a inadimplência e incentivar a regularização em um período considerado desafiador para o produtor gaúcho.
A Bayer informou que mais de 25 mil agricultores do estado aderiram ao Pré-Certifica, abrangendo mais de 1 milhão de hectares. Oliveira explicou que o contexto regional foi determinante para a iniciativa, citando uma sequência de safras impactadas por intempéries climáticas, com alternância entre períodos de seca e excesso de chuvas.
Objetivo: facilitar a regularização do uso de biotecnologia.
Estratégia: oferecer alternativa de pagamento antes da cobrança na moega.
Contexto: sucessão de safras com condições climáticas adversas no RS.
Mesmo com as preocupações para 2026/27 — especialmente no Rio Grande do Sul, onde o endividamento atinge parte dos produtores —, Oliveira afirmou que o ritmo de comercialização de sementes é considerado positivo até o momento.
Um dos argumentos usados pela empresa é o peso do custo da biotecnologia no orçamento da lavoura. Segundo a Bayer, essa parcela representa menos de 4% do investimento total por hectare e mantém comportamento estável nos últimos anos.
Tema Ponto central Formas de regularização Semente certificada e salva legal custam cerca de metade do royalty pós-plantio na moega. Safra 2026/27 Ações educativas como eixo e possibilidade de condições comerciais em análise. Programa 2025/26 Pré-Certifica buscou regularizar produtores com valor abaixo do cobrado na moega.
O tema dos royalties continua a gerar discussões entre grupos de produtores, que alegam haver cobranças relacionadas a patentes vencidas. A Bayer contesta essa interpretação e sustenta que o contrato permanece amparado por outras patentes que dão suporte ao licenciamento da tecnologia.
Segundo o advogado Luiz Henrique do Amaral, algumas patentes já expiraram, mas ainda há proteção vigente que assegura a continuidade do modelo de cobrança. Ele afirmou que a última patente relacionada ao tema vence em maio de 2028 e que, a partir desse marco, não haveria mais cobrança vinculada a esse conjunto de direitos, especialmente considerando a introdução de uma nova solução tecnológica.
De acordo com Amaral, a transição prevista inclui a entrada de uma nova biotecnologia, chamada Intacta 5+, o que abriria aos produtores a possibilidade de optar por uma tecnologia alternativa no futuro.
Para a Bayer, o foco em educação e transparência sobre as modalidades de pagamento busca reduzir conflitos e aumentar a previsibilidade no planejamento da lavoura. A companhia aposta que a compreensão das diferenças de custo entre semente certificada, salva legal e cobrança pós-plantio pode ajudar o produtor a tomar decisões mais eficientes dentro do orçamento da safra.
Comparar opções de regularização antes do plantio.
Priorizar semente certificada como principal orientação da empresa para 2026/27.
Acompanhar eventuais condições comerciais em discussão com entidades do setor no RS.
Monitorar o debate sobre patentes e mudanças tecnológicas previstas até 2028.
Com a aproximação da safra 2026/27, a expectativa é que as negociações e as ações de orientação ganhem tração, especialmente no Rio Grande do Sul, onde o histórico recente de perdas por clima e a pressão financeira tornam a gestão de custos um fator decisivo para a rentabilidade.
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No dia 1º de julho entrou em vigor o Plano Safra 26/27, com recorde de R$ 610 bilhões disponibilizados no pacote de financiamento, dos quais R$525,1 bilhões (86%) são destinados à agricultura empresarial.

Não é novidade que o agronegócio brasileiro atravessa um momento desafiador. Soja, milho e algodão, pilares da nossa balança comercial, enfrentam preços pressionados e margens mais apertadas. Para quem se alavancou nos últimos anos, surfando no crédito farto e expansão acelerada, o cenário ficou ainda mais duro.

Minas Gerais é o segundo maior produtor de feijão do Brasil, ficando atrás apenas do Paraná, e deve colher cerca de 514,1 mil toneladas na safra 2025/26. Além do volume expressivo, o Estado se destaca por produzir três safras anuais — a safra das águas, a safra da seca e o feijão irrigado — demonstrando adaptação tecnológica. Nesse contexto, MG sediará o 14º Congresso Nacional de Pesquisa do Feijão (Conafe), de 27 a 29 de maio, na Cidade Administrativa Presidente Tancredo Neves, em Belo Horizonte.

Resumo: Os futuros de café encerraram a semana em alta nos pregões da NY e de Londres, com ganhos próximos a 2% e 2,7%, respectivamente, impulsionados por uma correção técnica após as fortes quedas da semana anterior. O recuo dos estoques certificados, de cerca de 650 mil para 600 mil sacas, em patamar historicamente baixo, atuou como suporte aos preços no curto prazo. O atraso da colheita brasileira manteve o mercado de arábica relativamente apertado, com a colheita até o momento em cerca de 14% frente a uma média histórica de 21%.

O governo lançou o Plano Safra 2026-2027, reservando 525,1 bilhões de reais para a agricultura empresarial. O crédito para produtores familiares também será oferecido, mas o valor não foi divulgado até o momento.