
Rio Grande do Norte cria novo polo de cafeicultura com o Projeto Cafés do RN — cafés arábica e robusta ganham espaço
O Rio Grande do Norte, historicamente ligado a frutas tropicais, sal, petróleo e energia renovável, começa a desenhar uma nova frente econômica no campo: a cafeicultura, com foco em cafés robusta e arábica. O movimento ganhou escala em 2026 com o Projeto Cafés do RN, do Sebrae-RN, que após uma fase experimental reúne produtores em implantação e expansão de lavouras comerciais em municípios como Ceará-Mirim, Maxaranguape, São Miguel do Gostoso, Lagoa Nova, Portalegre e Jaçanã. Atualmente, o projeto acompanha dezenas de produtores e contabiliza quase 27 hectares em implantação, distribuídos por regiões como Mato Grande, Trairi, Serra de Santana e Alto Oeste, territórios inéditos na produção de café no estado.
Rio Grande do Norte amplia fronteira agrícola com cafeicultura e aposta em cadeia produtiva sustentável
Conhecido nacionalmente pela produção de frutas tropicais, sal, petróleo e energia renovável, o Rio Grande do Norte começa a consolidar uma nova frente de diversificação econômica no campo: a cafeicultura. Em um estado historicamente associado ao clima semiárido, produtores avançam no cultivo de café robusta e café arábica em diferentes regiões, apoiados por uma iniciativa que pretende estruturar, desde o início, uma cadeia produtiva organizada e adaptada às condições locais.
O movimento ganhou escala em 2026 com a consolidação do Projeto Cafés do RN, desenvolvido pelo Sebrae-RN. Após uma fase experimental, a iniciativa passou a reunir produtores em processo de implantação e expansão de lavouras comerciais em municípios como Ceará-Mirim, Maxaranguape, São Miguel do Gostoso, Lagoa Nova, Portalegre e Jaçanã. Algumas propriedades já contam com áreas superiores a dois hectares e projetam as primeiras colheitas comerciais entre 2026 e 2028.
Áreas em expansão e novas regiões produtoras
Atualmente, o projeto acompanha tecnicamente dezenas de produtores e contabiliza quase 27 hectares em implantação e expansão de lavouras de café robusta e arábica. As áreas estão distribuídas por diferentes regiões do estado, incluindo Mato Grande, Trairi, Serra de Santana e Alto Oeste — territórios que, até poucos anos atrás, não figuravam entre as zonas produtoras de café no Brasil.
Indicador Situação no RN Cultivares em foco Robusta e arábica Área acompanhada Quase 27 hectares em implantação/expansão Primeiras colheitas comerciais Entre 2026 e 2028 Regiões com plantios Mato Grande, Trairi, Serra de Santana, Alto Oeste
Estruturação desde a origem: técnica, capacitação e sustentabilidade
A estratégia adotada pelo Sebrae-RN vai além do estímulo ao plantio. O objetivo é construir uma cadeia produtiva estruturada desde a origem, envolvendo assistência técnica contínua, capacitação de produtores, articulação com universidades, validação de variedades adaptadas ao clima potiguar e práticas voltadas à sustentabilidade.
De acordo com Elton Alves, gestor do Projeto Cafés do RN, o setor ainda está em estágio inicial, mas os resultados observados apontam potencial de crescimento. Para ele, a atuação institucional busca organizar o ecossistema, conectar conhecimento técnico, promover capacitação e garantir que a expansão ocorra de forma estruturada e sustentável.
“Estamos estruturando as bases de uma nova cadeia produtiva para o estado, conectando conhecimento técnico e garantindo que o crescimento aconteça de forma estruturada e sustentável.”
Cafés especiais, rastreabilidade e identidade regional
A expansão da cafeicultura potiguar ocorre em um momento de valorização do setor no país. O mercado de cafés especiais tem registrado crescimento nos últimos anos, impulsionado pela busca de produtos diferenciados, maior rastreabilidade e valorização da origem. Nesse contexto, o Rio Grande do Norte tenta ocupar nichos específicos, explorando características ligadas ao terroir e à produção em condições climáticas distintas das regiões cafeeiras tradicionais.
Especialistas e produtores avaliam que a construção de uma identidade regional passa tanto por manejo adequado quanto por processos de pós-colheita e padronização de qualidade, elementos considerados decisivos para acessar mercados de maior valor agregado.
Produtores relatam desafios e oportunidades no semiárido
Entre os produtores que apostam na nova atividade está Diogo Castro, de Jaçanã, que iniciou o cultivo durante a pandemia, em 2020, motivado por um antigo projeto familiar. Segundo ele, a decisão envolveu o desejo de transformar em realidade um sonho que atravessou gerações.
Na avaliação do produtor, os desafios técnicos são significativos: clima exigente, escassez de água e necessidade de manejo altamente criterioso do solo. Ainda assim, ele defende que as condições adversas também ajudam a imprimir características próprias ao café produzido no estado. Além da produção, Diogo planeja explorar o potencial do turismo rural e de experiências ligadas aos cafés especiais na propriedade.
Outra experiência em andamento ocorre em Ceará-Mirim, onde Gerlane Magalhães investe na atividade há três anos e decidiu retomar uma tradição familiar ligada ao cultivo de café. O foco, agora, está na produção de cafés especiais e em processos diferenciados de manejo e colheita. Ela mantém cerca de mil mudas plantadas e trabalha para ampliar a produção de forma gradual.
Gerlane relata que a produção no passado era expressiva na família, mas que o retorno ao cultivo atual começou como um experimento recente, acompanhado da produção de mudas e de ajustes conforme as limitações de gestão da água. Para ela, mesmo com o trabalho extra exigido pela irrigação e pelo manejo, a perspectiva de alcançar um produto de excelência e maior valor agregado justifica o investimento.
Pontos críticos para o avanço da cafeicultura no RN
Disponibilidade hídrica e eficiência no uso da água
Manejo do solo com base técnica e adaptação regional
Assistência técnica contínua e capacitação do produtor
Validação de variedades adequadas ao semiárido
Qualidade e padronização para competir no mercado de cafés especiais
Estratégia de longo prazo para gerar renda e valor no interior
Embora ainda distante dos grandes polos nacionais de produção, o Rio Grande do Norte aposta em uma estratégia de longo prazo para consolidar a cultura do café como alternativa econômica para o interior. Ao estruturar a cadeia produtiva desde a fase inicial, o estado busca criar um modelo baseado em qualidade, inovação e diferenciação, ampliando possibilidades de geração de renda e agregação de valor à produção agrícola regional.
Se a consolidação se confirmar nos próximos anos, a cafeicultura potiguar pode se tornar mais um vetor de diversificação do agronegócio local, com potencial para movimentar desde a produção rural até atividades associadas, como beneficiamento, comércio, turismo e serviços ligados à experiência do café.




