
Brasil negocia com a UE protocolo de transição para antimicrobianos na produção de carnes e mantém exportações brasileiras
Resumo: O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) mantém uma perspectiva positiva nas negociações com a União Europeia para evitar restrições às exportações brasileiras de carnes relacionadas ao uso irregular de antimicrobianos. O governo busca com autoridades europeias um protocolo de transição para atender às novas exigências da UE, mantendo boa relação entre Brasil e UE. Além de questões sanitárias, as conversas envolvem temas comerciais, como...
Mapa negocia com União Europeia protocolo de transição para evitar restrições a carnes brasileiras por antimicrobianos
O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) mantém uma visão positiva sobre as tratativas com a União Europeia (UE) e acredita ser possível construir um entendimento que evite restrições às exportações brasileiras de carnes relacionadas ao uso irregular de antimicrobianos na produção animal. A avaliação foi apresentada pelo secretário executivo da pasta, Cleber Soares.
O tema ganhou relevância diante de novas exigências do bloco europeu e da necessidade de estabelecer regras claras para adaptação do setor produtivo, sem afetar a competitividade e a imagem sanitária do Brasil no mercado internacional.
Negociação em andamento e foco em regra de transição
Segundo Soares, o governo brasileiro segue em negociação com autoridades europeias para definir um protocolo de transição que permita atender às novas regras relacionadas ao uso de antimicrobianos na produção animal. A expectativa, de acordo com o secretário, é de avanço nas conversas por conta do bom relacionamento entre as partes.
“O assunto está na pauta das negociações e nossa expectativa é avançar positivamente por conta da boa relação entre o Brasil e a União Europeia.”
O secretário destacou que as tratativas envolvem, simultaneamente, aspectos sanitários e questões comerciais. Entre os temas presentes nas conversas estão oportunidades para ampliar a presença brasileira em segmentos específicos no mercado europeu, como açúcar e etanol.
Em destaque: a construção de uma regra de transição é apontada como alternativa para adequação às exigências europeias sem interrupções bruscas no fluxo comercial de carnes brasileiras.
União Europeia: mercado pequeno em volume, estratégico em valor
Embora a UE represente menos de 5% das exportações brasileiras de carnes, o Mapa avalia que o bloco continua sendo um destino estratégico, sobretudo por remunerar melhor produtos com maior valor agregado. Para o governo, preservar esse mercado tem efeito direto sobre reputação e posicionamento do Brasil em cadeias globais.
Ao mesmo tempo, o Ministério trabalha para manter a presença brasileira na Europa e expandir oportunidades em outros destinos, diversificando mercados e reduzindo riscos comerciais.
Japão: paga melhor por determinados cortes, segundo o secretário.
México: abriu um mercado considerado relevante para a carne brasileira.
Países africanos: aumentam a demanda, com destaque para carne de frango.
Mesmo com essa estratégia de diversificação, o Mapa considera essencial chegar a um entendimento com os europeus para evitar efeitos negativos sobre a percepção internacional da carne brasileira.
Defesa agropecuária e vigilância sanitária entram no centro do debate
Soares afirmou que as exigências europeias não significam questionamento sobre a capacidade do Brasil em garantir padrões sanitários. Ele ressaltou que o país possui um sistema de defesa agropecuária robusto e que isso deve ser preservado na comunicação internacional.
“O Brasil possui um sistema de defesa agropecuária extremamente robusto. Isso não pode, em hipótese alguma, denegrir a qualidade do nosso controle sanitário.”
O secretário citou a existência de um dos maiores programas de vigilância sanitária do mundo e mencionou a rapidez de resposta em eventos recentes, como episódios de influenza aviária, como exemplo do funcionamento do sistema.
Ainda de acordo com Soares, a posição brasileira no comércio internacional reforça a confiança no controle sanitário nacional: o Brasil exporta cerca de 43% da carne de frango comercializada globalmente.
Tema Ponto central Objetivo Antimicrobianos Ajuste às exigências da UE sobre uso irregular Evitar restrições às exportações Transição Protocolo para implementação gradual Manter fluxo comercial e competitividade Sanidade Vigilância e resposta rápida a ocorrências Preservar credibilidade internacional
Adaptação por cadeia: frango avança mais rápido do que bovinos
Um dos pontos considerados na negociação é o tempo de adaptação necessário para cada cadeia produtiva. Segundo Soares, a adequação tende a ser mais simples na avicultura, porque o ciclo produtivo do frango é curto, de aproximadamente 40 dias.
Já na pecuária bovina, o ciclo é significativamente mais longo, levando cerca de 18 a 20 meses para completar a produção. Essa diferença, na visão do secretário, reforça a necessidade de uma transição organizada, com previsibilidade e sem medidas abruptas.
“Estamos discutindo justamente uma transição para que esse processo ocorra de forma organizada, sem comprometer a competitividade do setor.”
Diagnóstico: avaliar impactos das novas exigências em cada cadeia produtiva.
Transição: definir prazos e procedimentos para adequação gradual.
Preservação de mercado: manter acesso a um destino estratégico em valor.
Reputação: evitar ruídos sobre a qualidade sanitária da carne brasileira.
Com as negociações em curso, o Mapa aposta em um acordo que concilie as novas exigências europeias, o fortalecimento do controle sanitário e a continuidade das exportações brasileiras. O governo também reforça a estratégia de ampliar mercados, sem abrir mão de destinos que pagam melhor e ajudam a sustentar o posicionamento da carne brasileira no cenário global.
Palavras-chave: exportações de carnes, União Europeia, antimicrobianos, protocolo de transição, defesa agropecuária, vigilância sanitária, carne de frango, pecuária bovina.



