
Nova braquiária decumbens da Embrapa aumenta forragem, produtividade e ILP no Cerrado
A Embrapa, em parceria com a Unipasto, lançou a BRS Carinás, a primeira cultivar brasileira de Brachiaria decumbens, voltada a aumentar a produtividade, a adaptação ao Cerrado e o desempenho em sistemas integrados.
Embrapa e Unipasto lançam BRS Carinás, primeira braquiária decumbens brasileira, com foco em produtividade e sistemas integrados
A Embrapa, em parceria com a Unipasto, anunciou o lançamento da BRS Carinás, a primeira cultivar brasileira de Brachiaria decumbens. A novidade chega ao mercado como alternativa para elevar a eficiência das pastagens, ampliar a capacidade de suporte animal e melhorar o desempenho em sistemas integrados, especialmente no Cerrado e em áreas com limitações de solo.
Por que a BRS Carinás chama atenção no manejo de pastagens
Recomendada para solos de baixa fertilidade, a BRS Carinás foi desenvolvida para responder a um desafio recorrente na pecuária brasileira: manter oferta de forragem e desempenho animal mesmo em ambientes com solo ácido e baixo fósforo. Entre os principais diferenciais, a Embrapa destaca a produção de até 16 toneladas de matéria seca por hectare ao ano, além de maior proporção de folhas — componente considerado mais nutritivo na dieta do gado.
Segundo a instituição, a cultivar também apresenta maior ganho de peso por área e maior capacidade de suporte animal quando comparada à tradicional Basilisk, conhecida no campo como braquiarinha. A proposta é ampliar a diversificação de pastagens e oferecer uma opção mais eficiente para regiões onde o potencial produtivo é limitado pelo solo.
Desempenho na seca e uso estratégico da vedação
Um dos pontos mais valorizados no lançamento é o desempenho durante o período seco. De acordo com o pesquisador Sanzio Barrios, da Embrapa Gado de Corte, a BRS Carinás pode ser utilizada de forma estratégica no manejo:
“Ela pode ser vedada no fim do verão e utilizada estrategicamente na seca, garantindo oferta de forragem em um momento crítico.”
Na prática, a vedação (descanso planejado do pasto) no final do período chuvoso pode ajudar a formar reserva de massa forrageira para a estação de menor crescimento. Esse tipo de estratégia é relevante para melhorar a regularidade do aporte de alimento, reduzir oscilações no desempenho e apoiar o planejamento nutricional do rebanho.
Mais forragem na chuva e maior massa na seca
Ensaios apontam que a BRS Carinás pode entregar cerca de 18% mais forragem durante a estação chuvosa. Já quando manejada com vedação para uso na seca, a Embrapa indica que a cultivar pode oferecer até 40% mais massa de forragem em comparação à Basilisk, com predominância de material vivo — característica associada à melhor qualidade do pasto.
A consequência, segundo os testes com bovinos de corte, é um ganho de peso por hectare aproximadamente 12% superior em relação à braquiarinha, mantendo o mesmo manejo. Outro aspecto observado é o porte mais ereto e a resistência ao acamamento, inclusive em áreas vedadas, o que tende a facilitar o manejo e reduzir perdas.
Comparativo resumido de desempenho (indicativo)
Indicador BRS Carinás Basilisk (braquiarinha) Produção anual de matéria seca Até 16 t/ha/ano Referência tradicional Forragem na estação chuvosa ~18% superior Base de comparação Massa de forragem na seca (com vedação) Até 40% superior Base de comparação Ganho de peso por hectare ~12% superior Base de comparação Adaptação a solo ácido e baixo fósforo Alta tolerância Uso mais limitado
Observação: percentuais e comparações foram reportados pela Embrapa a partir de ensaios e testes de campo.
Integração Lavoura-Pecuária: potencial para palhada, rebrota e cobertura do solo
A BRS Carinás também foi destacada como promissora em sistemas de Integração Lavoura-Pecuária (ILP). Em consórcio com milho, os ensaios relatados indicaram que a forrageira se estabeleceu de forma eficiente, sem reduzir a produtividade da lavoura.
Para a entressafra, a Embrapa informa que a produção de forragem pode ser até 70% superior à de espécies tradicionalmente usadas nesses sistemas, o que favorece tanto a oferta de alimento ao gado quanto a cobertura do solo. Além disso, a rebrota rápida e o alto volume de palhada podem contribuir para o plantio direto e a conservação do solo, com benefícios adicionais para o manejo da umidade e redução de erosão.
Pontos de interesse para ILP
Estabelecimento eficiente em consórcios agrícolas, com destaque para milho.
Mais forragem na entressafra, ampliando janela de pastejo e segurança alimentar do rebanho.
Maior palhada e cobertura do solo, com potencial para favorecer o plantio direto.
Rebrota rápida, ajudando na recuperação do pasto após o uso.
Ciclagem de nutrientes e possível redução de custos
Outro benefício citado no lançamento é a ciclagem de nutrientes. Em consórcio com soja, a decomposição da palhada pode contribuir para economia com fertilizantes, reduzindo custos ao longo do ciclo produtivo. Em sistemas mais intensivos, esse efeito pode ser decisivo para o equilíbrio entre produtividade e sustentabilidade.
Por que a nova cultivar pode mudar o cenário da espécie no Brasil
Até agora, a Basilisk era a única cultivar de Brachiaria decumbens disponível no país, com uso que, segundo o setor, é limitado por questões como baixa resistência a pragas, a exemplo das cigarrinhas. Apesar disso, a braquiarinha segue entre as forrageiras mais plantadas no Brasil.
Com a chegada da BRS Carinás, a expectativa da Embrapa é atender à demanda por sistemas mais produtivos e sustentáveis, ampliar o uso da espécie em novas regiões e oferecer mais opções para o produtor. O material também é apontado como tendo potencial de expansão para outros biomas e para países da América Latina onde a pecuária é baseada em braquiárias.
Em síntese: a BRS Carinás chega como ferramenta para intensificação da pecuária, com foco em eficiência produtiva, melhor aproveitamento de áreas de pastagem e maior previsibilidade de oferta de forragem ao longo do ano.




