
O mercado de reposição bovina encerrou março de 2026 com valorização recorde no preço da arroba do bezerro, consolidando um novo patamar e sustentando a expectativa de um ciclo de preços firmes ao longo de 2026 e 2027. Dados de referência do Cepea para Mato Grosso do Sul mostram que o movimento é impulsionado por oferta restrita e por um contexto de abate elevado de fêmeas nos anos anteriores, fator que tende a afetar a disponibilidade de animais jovens.
Ao longo de março, a arroba do bezerro foi negociada acima de R$ 500,0 em diversos momentos e fechou o mês com média de R$ 486,8 por arroba. O resultado representa a maior média nominal da série histórica, superando a marca do mês anterior, quando a média havia sido de R$ 464,3.
Na comparação anual, o avanço é expressivo: o preço médio de março de 2026 ficou 27,7% acima do valor nominal registrado em março de 2025, quando a arroba do bezerro estava em R$ 381,1.
Indicador Março/2025 Março/2026 Variação Preço médio do bezerro (R$ por arroba) R$ 381,1 R$ 486,8 +27,7% Peso médio de comercialização 211,2 kg 201,2 kg -4,7% (aprox.)
Um ponto central do comportamento recente do mercado é a diferença entre a valorização do bezerro medida em reais por arroba e a cotação em reais por cabeça. A alta mais forte quando o cálculo é feito por peso ocorre porque o peso médio de venda em 2026 vem ficando abaixo do observado em anos anteriores.
Isso significa que, mesmo quando o preço por animal apresenta crescimento, a redução do peso comercializado tende a elevar ainda mais o preço quando convertido para reais por arroba.
Em 2026 (até o fim de março), na comparação com o encerramento de 2025, o preço do bezerro em R$ por arroba subiu 14,3%.
No mesmo intervalo, a categoria avaliada em R$ por cabeça avançou 7,4%.
Leitura de mercado: a queda no peso médio amplia a percepção de encarecimento da reposição quando a referência é a arroba, influenciando o planejamento de compra e o custo de produção do pecuarista.
O peso médio de comercialização do bezerro (Cepea, Mato Grosso do Sul) foi de 201,2 kg em março de 2026, quase 5,0% abaixo do registrado em março de 2025 (211,2 kg). Além disso, o nível observado em 2026 foi o menor para o período do ano desde 2021.
Na prática, essa redução no peso médio amplia o impacto do preço por arroba e altera a avaliação do ágio do bezerro em relação ao valor da arroba do boi pronto para abate. Esse ponto é sensível porque interfere diretamente no poder de compra de quem precisa recompor o rebanho no mercado, sobretudo em períodos de oferta apertada.
Em março, também houve registro de renovação de máximas diárias, com a arroba do bezerro ultrapassando R$ 500,0 pela primeira vez, destacando um descolamento em relação ao padrão observado no mesmo período dos anos anteriores.
A avaliação predominante é de que o mercado da reposição deve seguir firme ao longo de 2026 e avançar em 2027, sustentado por fundamentos ligados ao ciclo pecuário. Um dos sinais acompanhados pelo setor veio com a divulgação, em março de 2026, dos dados consolidados do IBGE sobre o abate oficial de bovinos em 2025.
Os números confirmaram recordes de abate de vacas e novilhas em valores absolutos e indicaram máxima histórica na taxa de abate de fêmeas — movimento que tende a reduzir a oferta futura de bezerros, afetando diretamente o custo e a disponibilidade de reposição.
Dado-chave do ciclo: em 2025, o abate oficial de vacas somou 13,50 milhões de cabeças, alta de 15,6% frente a 2024 (11,68 milhões) e novo patamar histórico. Considerando vacas e novilhas, o abate de fêmeas chegou a 20,05 milhões de cabeças.
O aumento do abate de vacas se estendeu por quatro anos consecutivos até 2025. Esse comportamento chama atenção porque ocorreu mesmo com a alta do preço do bezerro desde o fim de 2024, sugerindo que a redução do abate de fêmeas ainda não havia se consolidado até o fechamento de 2025 — um fator que pode influenciar o equilíbrio entre oferta e demanda nos anos seguintes.
No ambiente internacional, o mercado também mostrou sinais de preços sustentados. Em março de 2026, o preço da carne bovina nos Estados Unidos voltou a renovar a máxima nominal para um mês de março, repetindo a sequência observada nos meses anteriores.
Na comparação com março de 2025, a valorização foi superior a 22,0%, marcando o quinto ano consecutivo de renovação de máximas nominais para o período. O movimento reforça a percepção de um cenário global de preços elevados para a cadeia da carne bovina.
Em resumo: com média recorde da arroba do bezerro em março de 2026, queda no peso médio de comercialização e histórico recente de abate elevado de fêmeas, o mercado projeta manutenção do viés de alta na reposição. Para produtores e compradores, a recomendação é redobrar a atenção à formação de preço por arroba, já que a mudança no peso pode alterar significativamente o custo efetivo do animal no planejamento da atividade.

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