
Preços do suíno vivo e da carne suína caem no Brasil com demanda fraca e oferta alta, atingindo menor nível desde março de 2022, aponta Cepea
Apesar de exportações recordes, os preços do suíno vivo e da carne caem no Brasil em abril, impulsionados pela fraca demanda doméstica e por um mercado altamente competitivo e ofertado, segundo o Cepea. As desvalorizações da última semana são as mais intensas desde janeiro, sinalizando sobreoferta no mercado interno e levando os preços reais do animal vivo ao menor nível desde março de 2022.
Preços do suíno vivo e da carne suína caem no Brasil apesar de exportações recordes, aponta Cepea
Mercado interno segue pressionado por demanda fraca, concorrência intensa e oferta elevada, o que amplia as desvalorizações no setor.
Mesmo com exportações em nível recorde, os preços do suíno vivo e da carne suína continuam em queda no Brasil. A avaliação é do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), que identifica a combinação de demanda doméstica enfraquecida, mercado altamente competitivo e oferta elevada como os principais fatores por trás do movimento.
Segundo o Cepea, a desaceleração do consumo interno, observada ao longo de março, persistiu na primeira quinzena de abril. Além da procura menor, a comercialização da carne ocorre em um ambiente de forte concorrência entre proteínas e com maior disponibilidade de produto, cenário que intensifica a pressão sobre as cotações no campo e no atacado.
Na última semana analisada, o Cepea registrou as quedas mais expressivas para o animal vivo desde janeiro, sinalizando sobreoferta no mercado interno. Com isso, os valores atuais do suíno vivo passaram a ser os menores desde março de 2022 em termos reais, isto é, considerando o efeito da inflação no período.
Santa Catarina e Paraná registram recuos de dois dígitos em abril
O recuo é especialmente relevante nos principais polos produtores do país. Em Santa Catarina, estado líder na produção nacional, o Indicador Cepea/Esalq marcou R$ 5,37 por quilo para o suíno vivo na quarta-feira, 15 de abril. O valor representa queda de 12,82% desde o início do mês e configura o menor patamar nominal desde junho de 2022.
No Paraná, segundo maior produtor brasileiro, a cotação foi de R$ 5,44 por quilo, com recuo de 11,54% ao longo de abril. Para analistas, a combinação de oferta elevada e ritmo de compra mais lento tende a manter o mercado sob pressão, sobretudo quando a demanda interna não reage na mesma intensidade.
Destaque: O Cepea aponta que as desvalorizações mais fortes do suíno vivo na última semana foram as maiores desde janeiro, reforçando a leitura de excesso de oferta no mercado doméstico.
Carne suína no atacado atinge menor nível desde 2020 em termos reais
A pressão não se limita ao produtor. No mercado de carne, o levantamento do Cepea indica que os preços também recuaram de forma consistente. Em termos reais, os valores observados são os mais baixos desde maio de 2020.
No atacado da Grande São Paulo, a carcaça suína especial foi cotada a R$ 8,90 por quilo na quarta-feira, com queda de 7,68% desde o início de abril. O movimento reflete um mercado com maior oferta e disputa acirrada, em um momento em que o consumo não apresenta fôlego suficiente para sustentar reajustes positivos.
Para o setor, a aparente contradição entre exportações fortes e preços internos em queda pode ser explicada pela dinâmica doméstica: mesmo com embarques elevados, a absorção interna segue determinante para o equilíbrio de curto prazo, especialmente quando a disponibilidade de animais para abate e de carne no atacado permanece alta.
Resumo dos principais indicadores
Item Região/Referência Cotação Variação em abril Observação Suíno vivo Santa Catarina (Indicador Cepea/Esalq) R$ 5,37/kg -12,82% Menor valor nominal desde junho de 2022 Suíno vivo Paraná R$ 5,44/kg -11,54% Pressão por oferta e demanda doméstica fraca Carcaça suína especial Atacado da Grande São Paulo R$ 8,90/kg -7,68% Menor nível desde maio de 2020 em termos reais
Fator central: consumo interno fraco na primeira quinzena de abril.
Ambiente de preços: mercado competitivo e bem abastecido, favorecendo quedas.
Sinal de alerta: desvalorizações mais intensas do suíno vivo desde janeiro.
O que o cenário indica para o consumidor e para a cadeia produtiva
A queda nas cotações do suíno vivo costuma reduzir a receita do produtor no curto prazo, enquanto a baixa no atacado pode, com o tempo, influenciar as negociações ao varejo. Ainda assim, o repasse ao consumidor depende de outros fatores, como custos de distribuição, margens comerciais e o comportamento geral da demanda por proteínas.
Para a cadeia produtiva, o momento reforça a importância de acompanhar indicadores de oferta e consumo, além do ritmo das exportações. Com o mercado doméstico mostrando sinais de enfraquecimento, a formação de preços tende a permanecer sensível a qualquer variação no volume ofertado e no apetite de compra do atacado.
Dados de mercado compilados a partir de monitoramentos do Cepea na primeira quinzena de abril.



