
Mercado interno segue pressionado por demanda fraca, concorrência intensa e oferta elevada, o que amplia as desvalorizações no setor.
Mesmo com exportações em nível recorde, os preços do suíno vivo e da carne suína continuam em queda no Brasil. A avaliação é do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), que identifica a combinação de demanda doméstica enfraquecida, mercado altamente competitivo e oferta elevada como os principais fatores por trás do movimento.
Segundo o Cepea, a desaceleração do consumo interno, observada ao longo de março, persistiu na primeira quinzena de abril. Além da procura menor, a comercialização da carne ocorre em um ambiente de forte concorrência entre proteínas e com maior disponibilidade de produto, cenário que intensifica a pressão sobre as cotações no campo e no atacado.
Na última semana analisada, o Cepea registrou as quedas mais expressivas para o animal vivo desde janeiro, sinalizando sobreoferta no mercado interno. Com isso, os valores atuais do suíno vivo passaram a ser os menores desde março de 2022 em termos reais, isto é, considerando o efeito da inflação no período.
O recuo é especialmente relevante nos principais polos produtores do país. Em Santa Catarina, estado líder na produção nacional, o Indicador Cepea/Esalq marcou R$ 5,37 por quilo para o suíno vivo na quarta-feira, 15 de abril. O valor representa queda de 12,82% desde o início do mês e configura o menor patamar nominal desde junho de 2022.
No Paraná, segundo maior produtor brasileiro, a cotação foi de R$ 5,44 por quilo, com recuo de 11,54% ao longo de abril. Para analistas, a combinação de oferta elevada e ritmo de compra mais lento tende a manter o mercado sob pressão, sobretudo quando a demanda interna não reage na mesma intensidade.
Destaque: O Cepea aponta que as desvalorizações mais fortes do suíno vivo na última semana foram as maiores desde janeiro, reforçando a leitura de excesso de oferta no mercado doméstico.
A pressão não se limita ao produtor. No mercado de carne, o levantamento do Cepea indica que os preços também recuaram de forma consistente. Em termos reais, os valores observados são os mais baixos desde maio de 2020.
No atacado da Grande São Paulo, a carcaça suína especial foi cotada a R$ 8,90 por quilo na quarta-feira, com queda de 7,68% desde o início de abril. O movimento reflete um mercado com maior oferta e disputa acirrada, em um momento em que o consumo não apresenta fôlego suficiente para sustentar reajustes positivos.
Para o setor, a aparente contradição entre exportações fortes e preços internos em queda pode ser explicada pela dinâmica doméstica: mesmo com embarques elevados, a absorção interna segue determinante para o equilíbrio de curto prazo, especialmente quando a disponibilidade de animais para abate e de carne no atacado permanece alta.
Item Região/Referência Cotação Variação em abril Observação Suíno vivo Santa Catarina (Indicador Cepea/Esalq) R$ 5,37/kg -12,82% Menor valor nominal desde junho de 2022 Suíno vivo Paraná R$ 5,44/kg -11,54% Pressão por oferta e demanda doméstica fraca Carcaça suína especial Atacado da Grande São Paulo R$ 8,90/kg -7,68% Menor nível desde maio de 2020 em termos reais
Fator central: consumo interno fraco na primeira quinzena de abril.
Ambiente de preços: mercado competitivo e bem abastecido, favorecendo quedas.
Sinal de alerta: desvalorizações mais intensas do suíno vivo desde janeiro.
A queda nas cotações do suíno vivo costuma reduzir a receita do produtor no curto prazo, enquanto a baixa no atacado pode, com o tempo, influenciar as negociações ao varejo. Ainda assim, o repasse ao consumidor depende de outros fatores, como custos de distribuição, margens comerciais e o comportamento geral da demanda por proteínas.
Para a cadeia produtiva, o momento reforça a importância de acompanhar indicadores de oferta e consumo, além do ritmo das exportações. Com o mercado doméstico mostrando sinais de enfraquecimento, a formação de preços tende a permanecer sensível a qualquer variação no volume ofertado e no apetite de compra do atacado.
Dados de mercado compilados a partir de monitoramentos do Cepea na primeira quinzena de abril.

A Cooperativa de Empreendedores Rurais de Domingos Martins (Coopram) prepara a inauguração, em 4 de julho, de uma nova unidade de beneficiamento de pescados em Ponto Alto, Domingos Martins (ES), com investimento de cerca de R$ 12 milhões. A instalação elevará a produção de tilápia de 5 para até 20 toneladas por dia, fortalecendo a piscicultura capixaba e aumentando a oferta de derivados do pescado, como hambúrguer, kibe e bolinho de tilápia. A capacidade ampliada beneficia centenas de famílias rurais da região, pois a Coopram atua como...

A União Europeia retirou o Brasil da lista de países autorizados a exportar para o bloco produtos de origem animal destinados ao consumo humano, o que afeta carnes, ovos, pescado e mel. O governo brasileiro reagiu com surpresa e informou que adotará todas as medidas necessárias para tentar reverter a decisão, mantendo a continuidade das exportações. A Delegação do Brasil na UE já tem reunião agendada com autoridades sanitárias europeias para buscar explicações e assegurar o retorno à lista, assegurando o fluxo de vendas para o mercado europeu, para o qual o Brasil exporta há cerca de quatro décadas.

O governo avaliou a proposta da Abiec de criar um sistema oficial de divisão de cotas de exportação de carne para a China e de monitoramento dos embarques, ante resistência da CNA e a possibilidade de recorrer ao Cade. A CNA argumenta que a regulação deixaria os pecuaristas à mercê da indústria e levantou preocupações sobre transparência no cumprimento da cota e na negociação de preços.

Resumo: O agronegócio de Santa Catarina, apesar de ocupar pouco mais de 1% do território nacional, destaca-se na produção de alimentos e fica em segundo lugar na exportação de proteína animal. A produção agropecuária catarinense ultrapassa R$ 60 bilhões ao ano, com a produção animal respondendo por cerca de 60% desse total em 2024. As atividades que mais geram receita são suínos para abate, aves para abate e leite, seguidas por soja e tabaco. O desempenho é sustentado pela sanidade animal e vegetal, monitoradas pela Cidasc desde 1979, e por políticas públicas da Sape em parceria com Cidasc e Epagri, como Terra Boa, Leite Bom SC, Pronampe Rural, Fundesa e Financia Agro SC. Santa Catarina exporta para mais de 150 países, com destaque para carnes de aves (US$ 2,44 bilhões) e suína (US$ 1,85 bilhões) no ano passado, além de ações de controle de ferrugem asiática na soja e de defesa de pomares frutícolas.

Resumo: Em 2025, a ANC registrou 100.186 animais, aumento de 65,4% em relação a 2024 (60.543), abrangendo mais de 30 raças bovinas e sinalizando o fortalecimento da pecuária brasileira. O crescimento dos registros reflete maior conscientização dos produtores sobre a origem e o potencial produtivo, já que o registro genealógico permite controle de linhagens e seleção genética mais eficiente. A inspeção técnica da ANC contribui para maior produtividade e lucratividade, visto que o histórico dos animais orienta ganho de peso, qualidade de carcaça e eficiência alimentar, com o objetivo de tornar cada geração superior. O processo de qualificação e padronização fortalece a confiabilidade, atende padrões raciais e valoriza os lotes no mercado. Com mais de um século de atuação, a ANC reforça seu papel na valorização da genética bovina brasileira e no desenvolvimento sustentável e competitivo das cadeias de carne e genética, enfatizando a profissionalização e a rastreabilidade no setor.