
Associação teme impactos sanitários e econômicos com a chegada do calor e reforça medidas preventivas em leilões e propriedades.
A Associação de Produtores do Mundo Rural da Região de Montemor-o-Novo (APORMOR) manifestou preocupação com o avanço de doenças emergentes na pecuária e cobrou esclarecimentos sobre a ausência de obrigatoriedade da identificação eletrônica em bovinos — medida já adotada em outras espécies, como ovinos. Com a aproximação da primavera e a elevação das temperaturas, a entidade alerta que a intensificação da atividade de vetores transmissores aumenta o risco sanitário nas explorações pecuárias.
Em comunicado, a direção da APORMOR avalia que o setor não pode adotar postura passiva diante de um cenário em que o risco de surtos tende a crescer conforme o clima favorece a circulação de insetos e outros agentes envolvidos na transmissão de enfermidades. Para a associação, a resposta deve combinar prevenção, rastreabilidade e controle nos pontos de entrada e movimentação animal.
Entre as ameaças destacadas está a Dermatose Nodular Contagiosa (DNC), uma doença considerada crítica e classificada no nível A na União Europeia. A APORMOR ressalta que a enfermidade ainda não teve ocorrência registrada no contexto local citado pela entidade, mas chama atenção para as consequências associadas à sua detecção.
Segundo a associação, o enquadramento sanitário vigente prevê que, caso a doença seja identificada em uma exploração, pode haver exigência de abate total do efetivo. A entidade considera a medida desproporcional, mas reconhece que é o protocolo atualmente em vigor em determinadas jurisdições sanitárias, o que aumenta a urgência de estratégias preventivas e de rastreio.
A APORMOR informa que há estudos voltados à implementação de medidas de biossegurança nas explorações, porém demonstra dúvida de que a identificação eletrônica de bovinos — por meio de bolo reticular — venha a ser adotada como obrigatória. Para a associação, esse tipo de identificação é relevante tanto do ponto de vista sanitário quanto operacional, ao fortalecer a rastreabilidade e facilitar controles.
Além do impacto na vigilância de doenças, a entidade aponta que a identificação eletrônica pode atuar como instrumento de desestímulo a furtos e de redução de fraudes, ao dificultar trocas de identificação e ampliar a confiabilidade do histórico do animal ao longo da cadeia de produção e comercialização.
Destaque: Para os produtores, rastreabilidade e biossegurança ganham peso adicional em períodos de maior circulação de vetores, quando aumentam as chances de introdução e disseminação de enfermidades.
Outro ponto abordado pela APORMOR é a possibilidade de suspensão de feiras e leilões como medida de contenção sanitária. A associação se posiciona contra essa alternativa, classificando-a como um retrocesso, tanto no aspecto sanitário quanto comercial. Segundo a entidade, é justamente nas entradas desses eventos que o controle pode ser realizado com maior eficácia, desde que existam protocolos estruturados.
A avaliação da associação é que a interrupção de eventos de comercialização pode gerar efeitos colaterais relevantes, afetando o fluxo de animais, a dinâmica de preços, o planejamento produtivo e a organização da cadeia, além de potencialmente estimular movimentações menos controladas.
Diante do cenário de risco e enquanto aguarda definições oficiais das autoridades competentes, a APORMOR afirma estar avaliando um conjunto de ações preventivas. As medidas buscam reduzir vulnerabilidades sanitárias em propriedades e nos pontos de comercialização, com foco especial em rastreabilidade e controle de vetores.
Entre as iniciativas anunciadas, a associação propõe estimular a identificação eletrônica em bovinos por meio de incentivos financeiros que superem o custo adicional do procedimento. Para animais de não associados que participem de leilões, a proposta inclui uma premiação que também seja superior ao custo da identificação. Além disso, a entidade pretende realizar desinsetização por pulverização em todos os animais na entrada do parque.
Incentivo financeiro para ampliar a identificação eletrônica em bovinos entre associados, cobrindo e superando o custo extra do procedimento.
Premiação para animais de não associados identificados eletronicamente e apresentados em leilões, em valor acima do custo adicional de identificação.
Desinsetização na entrada com pulverização, aplicada a todos os animais que ingressarem no parque.
A APORMOR ressalta que as medidas podem ser reforçadas ou anuladas conforme a evolução do cenário e a necessidade de ajustes, indicando que a estratégia será dinâmica e orientada por risco.
Especialistas e entidades setoriais vêm destacando que a combinação entre mudanças sazonais, circulação de vetores e intensificação de movimentação animal pode criar janelas de maior vulnerabilidade para a disseminação de doenças. Nesse contexto, biossegurança, monitoramento e rastreabilidade são pilares para respostas rápidas e para a redução de perdas.
A identificação eletrônica tende a facilitar o rastreio de origem, deslocamentos e vínculos entre lotes, contribuindo para decisões de contenção, delimitação de áreas de risco e comunicação com a cadeia produtiva. Já ações como desinsetização buscam reduzir a probabilidade de transmissão por vetores, especialmente em períodos de maior atividade desses organismos.
Eixo Objetivo Exemplos de ação Rastreabilidade Apoiar vigilância sanitária e resposta a surtos Identificação eletrônica; conferência em pontos de entrada Biossegurança Reduzir risco de introdução e disseminação de agentes Protocolos de acesso; higienização; manejo preventivo Controle de vetores Diminuir transmissão por insetos e outros vetores Desinsetização por pulverização; ações sazonais
A associação destaca seu papel na comercialização de gado vivo no país, com a realização de leilões de bovinos em frequência semanal e leilões de ovinos em periodicidade mensal. A movimentação anual informada envolve dezenas de milhares de animais, o que, na avaliação da entidade, reforça a importância de protocolos consistentes em locais com grande fluxo.
Para a APORMOR, a preservação do funcionamento do mercado, aliada a medidas sanitárias robustas, é essencial para reduzir riscos sem paralisar a atividade. O objetivo declarado é manter a cadeia produtiva ativa, com barreiras preventivas e mecanismos de rastreabilidade que aumentem a segurança sanitária.
Contexto: A preocupação da APORMOR se concentra no aumento do risco de doenças com a elevação das temperaturas e na necessidade de medidas de biossegurança e rastreabilidade, com destaque para a identificação eletrônica em bovinos e ações de controle de vetores em eventos de comercialização.

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