
Primeiro embarque do tipo desde o reconhecimento do Estado como zona livre de febre aftosa sem vacinação amplia oportunidades para a pecuária gaúcha e reforça a segurança sanitária na cadeia de proteína animal.
O setor de pecuária bovina do Rio Grande do Sul abriu um novo capítulo neste fim de semana ao realizar, pela primeira vez, a exportação de carne bovina com osso desde que o Estado foi reconhecido como zona livre de febre aftosa sem vacinação, há quatro anos. O destino da primeira remessa foi o Chile, mercado relevante para a carne brasileira e que agora passa a receber cortes com osso originados do território gaúcho.
A operação é considerada um marco para a cadeia produtiva, pois representa um resultado concreto associado à mudança no status sanitário. Segundo representantes do setor, até então os ganhos mais perceptíveis do novo patamar haviam sido observados principalmente em outras cadeias, enquanto a bovinocultura ainda aguardava uma abertura equivalente em termos de mercado.
Destaque: A exportação de carne com osso é vista como um avanço estratégico, pois sinaliza confiança internacional no sistema sanitário e amplia o leque de produtos com potencial de acesso a mercados exigentes.
A primeira carga, celebrada após a chegada ao território chileno no dia 27, teve origem na unidade de Alegrete, pertencente ao grupo Minerva. Nos contêineres, seguiram cortes com osso, como costela e ossobuco, itens de grande apelo culinário e que, por envolverem osso, estão associados a exigências sanitárias e comerciais mais específicas.
Até o momento, apenas plantas do mesmo grupo foram habilitadas para esse tipo de embarque, totalizando três unidades. A habilitação restrita indica que o processo ainda está em fase inicial e depende do cumprimento de protocolos e da validação de requisitos definidos pelo país importador.
Em foco (sanidade e mercado): a liberação de cortes com osso costuma ser um dos indicadores mais sensíveis de confiança nas barreiras sanitárias, pois envolve controles mais rigorosos sobre rastreabilidade, inspeção e procedimentos de abate.
Embora as exportações ainda ocorram em escala inicial, lideranças do setor destacam que o principal valor do movimento está menos no volume imediato e mais no que passa a ser possível a partir da consolidação desse novo status. Em outras palavras, o embarque inaugura um caminho para ampliar presença em mercados, diversificar o portfólio exportador e aumentar a competitividade da carne gaúcha.
A leitura é de que a abertura pode favorecer novos contratos e estimular a evolução de processos industriais e de controle ao longo da cadeia, com efeitos sobre produtividade, padronização e capacidade de atendimento a exigências internacionais — fatores que também contribuem para reforçar a percepção de segurança dos alimentos associada à carne exportada.
Curto prazo: embarques em ritmo gradual, com foco em habilitação e consolidação de protocolos.
Médio prazo: ampliação do número de plantas aptas e diversificação de cortes exportados.
Longo prazo: maior previsibilidade comercial e fortalecimento da imagem sanitária do Estado.
O Chile já é um parceiro tradicional do Brasil no comércio de carne bovina. Uma parcela expressiva do consumo chileno é atendida por fornecedores brasileiros, o que reforça a relevância do país como cliente e a importância estratégica de ampliar, dentro desse fluxo, a participação do Rio Grande do Sul.
Com a liberação para cortes com osso, o Estado passa a ocupar um novo espaço nesse mercado, tornando-se o primeiro do Brasil a registrar um embarque do tipo ao Chile após o reconhecimento sanitário sem vacinação. Para o setor, a operação também funciona como vitrine para demonstrar capacidade de cumprir exigências sanitárias e logísticas em um produto sensível do ponto de vista de controle.
A avaliação de representantes do agro é que a estreia do Rio Grande do Sul se apoia em dois pilares principais: um sistema sanitário reconhecido e a composição do rebanho, com forte presença de raças britânicas, perfil valorizado por consumidores chilenos.
Essa combinação contribui para posicionar o produto gaúcho em uma faixa de interesse que considera tanto atributos de qualidade quanto confiança sanitária. Em um mercado onde o consumidor é atento ao padrão de cortes e à regularidade de oferta, características do rebanho e a capacidade industrial de atender padrões podem ser determinantes para ampliar competitividade.
Além disso, o avanço reforça a importância de políticas e práticas de vigilância sanitária contínuas, já que o reconhecimento de zona livre sem vacinação exige manutenção de controles, monitoramento e resposta rápida a quaisquer alertas sanitários — elementos essenciais para a continuidade das exportações e para a proteção do próprio rebanho.
Item Informação Produto Carne bovina com osso (incluindo costela e ossobuco) Origem Unidade industrial em Alegrete (RS) Destino Chile Status sanitário Zona livre de febre aftosa sem vacinação (reconhecimento há quatro anos) Habilitação Três plantas habilitadas até o momento
A exportação de carne bovina com osso ao Chile marca uma etapa importante para a pecuária gaúcha, por transformar um reconhecimento sanitário em oportunidade concreta de mercado. A expectativa do setor é que, com a continuidade dos embarques e a ampliação das habilitações, o Estado avance em participação e consolide uma nova frente comercial para a bovinocultura.

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