
Alimentação animal mais eficiente e mudança no padrão de consumo entram no radar do agronegócio. De um lado, o trigo para silagem surge como alternativa para reduzir despesas na pecuária leiteira; de outro, o arroz registra forte retração no varejo e acende alerta na indústria catarinense.
A alimentação do rebanho é um dos principais pontos de atenção na pecuária leiteira. Em muitas propriedades, ela representa uma parcela expressiva do custo total da atividade, pressionando a rentabilidade e tornando indispensável a busca por alternativas que aumentem a eficiência alimentar e diminuam gastos sem comprometer o desempenho produtivo.
Nesse cenário, o trigo para silagem vem se consolidando como opção viável, especialmente quando semeado entre março e maio. O período é considerado estratégico, já que culturas tradicionais para volumoso, como milho e sorgo, podem enfrentar limitações de crescimento em determinadas regiões e condições climáticas. Quando colhido no ponto correto, o trigo ensilado apresenta boa digestibilidade e valor nutritivo elevado, favorecendo a nutrição do gado.
A adoção de volumosos alternativos no inverno pode ser decisiva para manter a produção e conter custos.
O tema “Trigo para silagem” foi abordado em uma edição recente do Informe Agropecuário, revista técnico-científica que reúne recomendações para produtores e técnicos. O material compila conhecimento aplicado desde o manejo agronômico até a utilização na dieta, com foco em melhorar resultados em campo.
Entre os conteúdos apresentados, a edição reúne oito artigos que tratam de aspectos como:
Práticas de cultivo e estabelecimento da lavoura;
Adubação e manejo nutricional da planta;
Colheita no momento adequado para ensilagem;
Processo de ensilagem e conservação do volumoso;
Uso na alimentação animal e impactos no desempenho;
Extensão rural e difusão de tecnologias no campo.
A publicação também destaca uma cultivar específica com potencial para essa finalidade, reforçando que escolhas genéticas e manejo adequado podem ser determinantes para o sucesso da silagem.
Entre as cultivares mencionadas, a MGS3 Brilhante chama atenção por características que favorecem sua utilização na alimentação de bovinos. Lançada inicialmente para produção de pães, ela passou a ser avaliada para silagem a partir de 2018, com resultados considerados promissores.
Um dos diferenciais destacados é a presença de espigas sem aristas, o que reduz o risco de ferimentos no rúmen dos bovinos, tornando o volumoso mais seguro para o consumo. Soma-se a isso a indicação de resistência à seca e ao calor, característica importante para enfrentar períodos de estresse climático.
Do ponto de vista produtivo, a silagem da MGS3 Brilhante tem sido associada a bons resultados em:
Produtividade no campo;
Qualidade da silagem e estabilidade do material ensilado;
Desempenho zootécnico dos animais, com potencial de manutenção de resultados em épocas críticas.
Na prática, isso reforça o trigo ensilado como alternativa estratégica para o período de inverno, quando outras fontes de volumoso podem ficar escassas ou mais caras.
Em destaque: A silagem de trigo é apontada como alternativa para ampliar a disponibilidade de volumoso e apoiar o controle de custos na dieta do rebanho.
Além do conteúdo técnico, a edição inclui um relato de experiência com aplicação do conceito em propriedade leiteira. A presença desse tipo de abordagem ajuda a aproximar recomendações de pesquisa do cotidiano do produtor, mostrando desafios, decisões de manejo e possibilidades de adaptação conforme a realidade de cada fazenda.
Em outro eixo do agronegócio, o mercado de arroz em Santa Catarina atravessa um período descrito como delicado. Dados de um levantamento mensal do varejo indicam que o produto liderou a queda na mercearia básica, com retração de 36,4% em preço e também em unidades vendidas.
O comportamento chama atenção por envolver um item historicamente associado à base alimentar brasileira. A redução simultânea de preço e volume comercializado sugere um cenário de desaceleração que vai além de promoções pontuais e reforça a percepção de crise na cadeia, com impactos do campo ao consumidor.
Indicador Movimento observado Efeito prático Preço Queda Reduz margem e pressiona faturamento Unidades vendidas Queda Sinaliza perda de espaço no consumo Presença na rotina Redução Exige estratégias de reposicionamento
A leitura do setor é de que o arroz vem perdendo espaço nas compras e também no prato do consumidor, especialmente diante de mudanças de hábitos alimentares. O movimento é associado a uma preferência crescente por refeições mais rápidas e práticas, com forte influência entre públicos mais jovens.
Representantes do segmento avaliam que, com queda também em unidades comercializadas, é necessário agir para recuperar demanda. A estratégia passa por comunicação, reforço de atributos como praticidade e valorização do arroz como alimento associado a energia e qualidade.
O setor também tem destacado a diversificação de formas de consumo, apontando produtos derivados que podem ampliar a presença do cereal em diferentes momentos de uso, como:
Biscoito de arroz;
Macarrão à base de arroz;
Farinha de arroz;
Bebida vegetal derivada do cereal.
A aposta é que a ampliação do portfólio e o reposicionamento do arroz em preparos rápidos contribuam para aproximar novamente o consumidor, sem perder o vínculo com a tradição.
O reflexo da retração no varejo é sentido diretamente nas indústrias. O setor aponta queda superior a 40% no faturamento, enquanto custos fixos permanecem elevados, o que agrava a pressão sobre o caixa das empresas.
Diante do cenário, as companhias têm buscado ajustes conforme sua realidade operacional, com iniciativas voltadas a reduzir despesas e manter a atividade. A reorganização interna é tratada como forma de garantir fôlego enquanto o setor tenta construir soluções mais amplas para recuperar o mercado.
Alerta do setor: a combinação de queda em volume vendido e recuo de preço amplia a dificuldade para a indústria, pressionando margens e exigindo ações coordenadas para retomada do consumo.
Com o agravamento da situação, entidades representativas intensificaram o diálogo com governos e organizações do agronegócio, buscando políticas de apoio e medidas que estimulem o consumo e fortaleçam a produção local.
A expectativa é de que campanhas de valorização do arroz brasileiro e ações de educação alimentar contribuam para reverter a queda nas vendas e aumentar a sustentabilidade da cadeia produtiva nos próximos meses.
Ao mesmo tempo, o avanço de alternativas como o trigo para silagem evidencia como diferentes elos do agro buscam respostas rápidas: no campo, para reduzir custos e manter desempenho; e na indústria e varejo, para recuperar consumo e ajustar estratégias a um novo perfil de compra.
Conteúdo reescrito a partir de informações setoriais publicadas na imprensa especializada, com foco em custos na alimentação animal, mercado de grãos e tendências de consumo.

Nos últimos 20 anos, o Fundesa-RS tem sido apontado como modelo de referência nacional em responsabilidade compartilhada, uma vez que é abastecido e gerido pelas entidades que representam produtores e indústrias da proteína animal.

Resumo: A Câmara dos Deputados aprovou, nesta terça-feira (26), um projeto de lei que amplia os produtos ofertados pelo Programa de Venda em Balcão (ProVB) para ração animal e define critérios para a execução da política de estoques públicos de alimentos. O texto autoriza a Conab a adquirir produtos básicos por até 25% acima do preço mínimo vigente e a comprar sorgo, caroço de algodão e farelos de soja e milho para manter o estoque destinado ao ProVB (tradicionalmente limitado ao milho).

Com coleiras equipadas com GPS, produtores já conseguem delimitar áreas de pastejo por aplicativo; tecnologia avança no exterior e levanta discussões sobre eficiência, bem-estar animal e conectividade no campo.

Resumo: O texto analisa o mercado de bovinos em Mato Grosso do Sul em junho de 2026, com foco na arroba do bezerro. O preço da arroba caiu 2,9% entre o fim de maio e 26 de junho, chegando a patamar abaixo de R$470,00 por arroba, o menor desde fevereiro. Apesar da queda na arroba, o preço por cabeça permanece relativamente estável devido ao aumento do peso médio de venda, que atingiu 214,6 kg na parcial de junho — o maior valor de 2026 até o momento...

A XXI Jornada NESpro e o Congresso de Criadores reuniram mais de 650 pessoas em Porto Alegre e destacaram uma nova plataforma de alertas climáticos, além de debates sobre rastreabilidade, gestão e mercado da pecuária.