
Os preços do petróleo operam em queda nesta quarta-feira (24), ampliando as perdas registradas nas últimas sessões, em meio a indícios de progresso nas negociações entre os Estados Unidos e o Irã. Ao mesmo tempo, relatos de melhora no tráfego marítimo pelo Estreito de Ormuz reforçam a percepção de maior disponibilidade de oferta, pressionando as cotações internacionais.
No início do dia, o Brent, referência para a Europa, recuava para a faixa de 76 dólares por barril, enquanto o WTI, referência para os Estados Unidos, caía para perto de 73 dólares por barril. Já o gás natural de referência na Europa também registrava baixa, negociado por volta de 42 euros por megawatt-hora.
O Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde transitava cerca de um quinto do petróleo consumido globalmente antes do início do conflito, permanece no centro das atenções. Segundo informações do setor marítimo, um número crescente de petroleiros tem conseguido atravessar a região, o que reduz temores de gargalos logísticos e contribui para derrubar os prêmios de risco embutidos no preço do barril.
A Organização Marítima Internacional informou ter recebido garantias de segurança que permitem a saída de centenas de navios do Golfo Pérsico. Na prática, a melhora nas condições de navegação sinaliza ao mercado que a oferta pode fluir com menos interrupções, diminuindo a pressão altista observada durante os períodos de maior tensão.
Destaque: A perspectiva de normalização do trânsito marítimo em Ormuz reduz o risco de restrição de oferta e tende a aliviar os preços no curto prazo.
Em paralelo, Irã e Omã afirmaram estar iniciando trabalhos relacionados a um acordo para administrar a passagem pelo Estreito de Ormuz. O pacote em debate inclui regras de negociação e possíveis custos de trânsito, tema que segue cercado de incertezas.
Persistem preocupações de que o Irã possa tentar impor taxas aos navios que desejem atravessar a via marítima, embora detalhes sobre o plano ainda sejam limitados. Para investidores e agentes do setor energético, qualquer mudança no custo ou na previsibilidade do trânsito em Ormuz pode afetar o ritmo de embarques e a disponibilidade regional de petróleo.
Analistas indicam que parte do mercado tenta identificar um ponto de estabilização após a forte volatilidade das últimas semanas. A leitura predominante é que o recuo recente reflete a redução do prêmio de guerra e o reposicionamento dos traders diante da possibilidade de aumento da oferta.
Ainda assim, permanecem questões relevantes: o ritmo de recomposição dos fluxos de exportação, o tempo de espera para carregamentos e a volta de grandes compradores ao mercado, com atenção especial ao comportamento da demanda chinesa. Esses fatores podem definir se o petróleo continuará em trajetória de baixa ou se haverá recuperação em caso de novas restrições.
Em resumo (o que mexe com o preço hoje):
Avanços diplomáticos entre EUA e Irã reduzem o risco geopolítico.
Mais navios cruzando Ormuz diminuem temores de interrupção logística.
Expectativa de maior oferta com retomada de produção e exportações no Golfo.
Incertezas sobre a demanda global, especialmente na Ásia.
No cenário político, o Senado norte-americano, com maioria republicana, aprovou na terça-feira uma votação a favor do fim da guerra dos EUA com o Irã. A iniciativa foi interpretada como uma rara reprimenda simbólica ao presidente Donald Trump e adiciona um componente político às expectativas do mercado sobre a duração e a intensidade do conflito.
Para o setor de energia, qualquer sinal de desescalada tende a reduzir a volatilidade e a retirar pressão dos preços, principalmente quando combinado com evidências concretas de normalização de rotas e recomposição de produção.
Os contratos futuros de petróleo já acumulam queda expressiva em relação aos máximos registrados durante a fase mais intensa da guerra. Entre os motores dessa correção estão a expectativa de aumento iminente da oferta e a percepção de que parte do risco extremo foi reprecificado para baixo.
Também pesou a decisão dos Estados Unidos de autorizar temporariamente a compra de petróleo iraniano como parte do processo diplomático. A medida, vista como um gesto de negociação, contribui para reforçar a possibilidade de retorno de volumes ao mercado internacional, ainda que sob condições específicas e com alto grau de acompanhamento político.
Do lado da produção, países do Golfo Pérsico se movimentam para restabelecer o mais rapidamente possível as exportações energéticas. Entre eles, os Emirados Árabes Unidos adotaram medidas para normalizar operações e elevar a disponibilidade de barris.
Dados de agências do setor indicam que a produção de Abu Dhabi já se recuperou para quase 85% dos níveis anteriores ao conflito, demonstrando capacidade regional de recompor oferta em um intervalo relativamente curto. Em paralelo, o Kuwait revogou declarações de força maior, e o Iraque também trabalha para aumentar a produção.
Fator Impacto esperado no curto prazo Negociações EUA–Irã Reduz prêmio de risco e pressiona o barril para baixo Trânsito em Ormuz Maior fluidez logística aumenta confiança na oferta Retomada de produção no Golfo Eleva disponibilidade e limita altas nas cotações Demanda global (China) Pode sustentar preços se houver retorno mais forte às compras
Para os próximos dias, o mercado deve monitorar três frentes principais: a evolução do diálogo diplomático entre Washington e Teerã, a consolidação de um cenário de segurança marítima no Estreito de Ormuz e a velocidade com que os produtores do Golfo conseguirão normalizar exportações e ampliar a produção.
Caso a oferta siga se recompondo e as tensões diminuam, a tendência é de manutenção do viés de baixa. Por outro lado, qualquer incidente que volte a restringir o trânsito em Ormuz ou sinalize novo endurecimento no conflito pode recolocar volatilidade e elevar as cotações do petróleo no mercado internacional.

A Tereos concluiu, em junho, uma operação de grande escala com o embarque de 75 mil toneladas de açúcar VHP (Very High Polarization) em um único navio com destino ao mercado chinês.

O petróleo recua pelo terceiro dia, diante do aumento do tráfego marítimo pelo Estreito de Hormuz e de sinais de um período menos agressivo entre EUA e Irã. O Brent caiu 1,20% para 70,71 dólares por barril e o WTI cedeu 1,25% para 67,72 dólares; o gás natural negociado em Amesterdão (TTF) avançou 0,52%, para 43 dólares por megawatt-hora. Uma fonte não identificada da Administração Trump afirmou que cerca de 10 milhões de barris por dia passam pelo Hormuz, conforme a Bloomberg, sugerindo que as capacidades do Irã para perturbar a circulação podem estar comprometidas. Saul Kavonic, analista da MST Marquee, disse que a pressão de baixa nos preços acompanha o fluxo maior pelo estreito combinado com a liberação de reservas estratégicas e uma demanda menor. A falta de novas agressões entre EUA e Irã também tem contribuído para o recuo. No radar, as negociações entre EUA e Irã devem entrar em um ritmo mais morno, pois a partir de 4 de julho começam as cerimônias fúnebres do ex-líder supremo Ali Khamenei, o que deverá prolongar-se por vários dias.

O texto trata da cota brasileira de exportação de carne bovina para a China, de 1,106 milhão de toneladas, com tarifa de 12% dentro da cota e 55% adicional fora dela (total de 67% acima do limite). Mesmo com o fim de junho, a percepção é de que a cota está perto de ser preenchida, com o governo chinês baseando-se no que chega aos portos ao longo do ano. No cenário de 2026, as cargas enviadas no fim de 2025 e que chegam em 2026 influenciam o equilíbrio; dados até maio indicam 65,4% da cota já preenchidos, e a expectativa é de que importadores chineses retomem compras apenas em outubro, com parte das remessas de 2025 chegando à China apenas no começo de 2027. Diante desse cenário de demanda mais fraca e da perspectiva de fim de cota, frigoríficos brasileiros anunciaram medidas de ajuste. A Frigol, uma das cinco maiores do setor, vai conceder férias coletivas de 18 dias a quase mil funcionários da unidade de Água Azul do Norte (PA) a partir de....

A União Europeia decidiu excluir o Brasil da lista de países habilitados a exportar proteínas animais por não comprovar o uso adequado de antimicrobianos na produção. A formalização pela Comissão Europeia já ocorreu e a medida passa a valer em 3 de setembro. Mesmo assim, governo, indústria e entidades do agronegócio intensificam esforços para reverter a decisão, buscando demonstrar aos europeus que o Brasil possui mecanismos para cumprir as exigências relacionadas ao uso de antimicrobianos.

O Índice de Preços do International Grains Council (IGC) subiu 3,0% em maio ante abril, segundo dados do Ministério da Agricultura e Ambiente (MAA). Entre os principais produtos, o trigo liderou as altas com 3,8%, seguido pelo arroz com 3,7% e pelo milho com 2,0%. Para a safra 2025/26, a previsão aponta produção mundial recorde, enquanto para 2026/27 indica uma queda de 3% na colheita global, devido à menor produção nos países exportadores. No milho, a produção estimada para 2025/26 é de 1.329 milhões de toneladas, com recuo de 2% em 2026/27 por redução da área plantada e da produtividade. O arroz manteve a tendência de alta, puxado pela menor disponibilidade no Vietnã e pela oferta restrita na Tailândia; a variedade Thai 5% Broken teve alta de 8,5%. A soja ficou mais cara, sustentada pelo aumento dos preços de energia e pela valorização dos óleos vegetais nos EUA, com impactos também no Brasil e na Argentina. Já o açúcar subiu 3,4% em maio, devido às previsões de queda na produção por el Niño, especialmente na Índia, Tailândia e Brasil; além disso, a opção de fábricas brasileiras por desviar cana para etanol reduziu a oferta de açúcar para exportação, elevando os preços internacionais. Fonte: Inforpress.